Resenha | Sexta-Feira 13 – Parte 8: Jason Ataca Nova Iorque (1989) pode agradar pelo humor

Esse texto contém spoilers sobre o filme “Sexta-Feira 13 – Parte 8: Jason Ataca Nova Iorque”, mas continue lendo mesmo assim para tentar entender comigo esse desastre.

Aqui vamos nós para mais um show de incoerência e tosquice da série Jason. O filme abre com cenas de pegação entre um casal apaixonado num barco no lago Crystal Lake. Coincidentemente, depois que Jim Miller (Todd Caldecott) assombrou sua namorada Suzi Donaldson (Tiffany Paulsen), ao contar a história ocorrida no lago e sobre as ondas de assassinatos, a âncora do barco arrasta um cabo elétrico que passa sobre o corpo de Jason (que tinha sido derrotado por Jean Grey) e está feito: Jason foi ressuscitado pronto para fazer mais vítimas (começando pelo casal, claro). Em seguida descobrimos que a dupla pertencia a um grupo de graduandos do Colégio de Lakeview, que iriam navegar para Nova York, a fim de comemorar numa data de sexta-feira 13.

Sexta-Feira 13 - Parte 8

O problema é que o casal assassinado estava afastado do porto de partida para o destino da viagem. Logo Jason (Kane Hodder, reprisando o papel) flutua no barco até o local, depois sobe no navio da viagem. Ora, se não tinha festa em Crystal Lake, casais acampando ou morando perto da região, por que Jason ficaria no lugar que sempre foi atraído? O jeito foi procurar novas vítimas se infiltrando no navio. Esperto.

O nome da película é “Sexta-Feira 13 – Parte 8: Jason Ataca Nova Iorque”, mas porque não explorar o navio e ver quem dava para matar e o resto ficava para Nova Iorque? Em meio a uma das tramas mais chatas da franquia, com personagens sem carismas e irritantes é que “Sexta-Feira 13 – Parte 8” foi conduzido, com mais erros do que acertos, conseguiu se destacar com bom humor.

Menos sexo e menos nudez, no entanto, não impediram o acréscimo de personagens superficiais mais uma vez. Assim como no terceiro longa, temos uma protagonista Rennie Wickham (Jensen Daggett) com um tipo de passado obscuro e com ligação voltada para Jason. Desta vez, o roteirista Rob Hedden ousou e quis tratar de onde tudo começou: o afogamento de Jason. Para isso, acompanhamos o trauma apático de Rennie diante do seu medo de rios e mares e de não saber nadar. Como se não bastasse, não ficar clara a situação, ela sofre de alucinações de uma criança se afogando pedindo socorro. Seriam suas lembranças? Não, ela enxerga o Jason mesmo e, detalhe: com uma aparência normal, sem nenhum traço de deformidade , mas depois falarei mais sobre isto.

Hora e outra mortes acontecem, voltamos para alucinações de Rennie, mas agora com a criança apresentando deformidades. Diante de um intenso flashback de sua infância, ela lembra o que aconteceu: seu tio egoísta e irritante, o professor Charles McCulloch (Peter Mark Richman), queria que ela perdesse o medo da água e aprendesse a nadar, incentivando que ela não tivesse o mesmo fim que Jason, então ele a empurrou no lago Crystal Lake e a menina acabou se afogando porque foi puxada por Jason, o garoto que teria morrido afogado.

É aí que o roteiro de Rob Hedden falha miseravelmente ao tentar criar um vínculo importante entre Jason e Rennie. A morte de Jason foi um fato no primeiro “Sexta-Feira 13“, mas logo foi distorcido no enredo das sequências. Ao querer lançar a explicação sobre uma questão que não era nada comparada aos enormes tropeços dos roteiros da franquia, “Sexta-Feira 13 – Parte 8” aumenta a dúvida sobre como Jason sobreviveu e para massacrar ainda mais sua própria ideia, deu a entender que o assassino adquiriu sua deformação por ficar na água). Particularmente, prefiro ignorar essa versão e acreditar que a Srª. Voorhees resgatou o garoto do lago, mas Jason quis se vingar pelo bullying e descuido que ele sofreu dos monitores do acampamento, além de ter presenciado a morte da própria mãe

Voltando para o ponto em que Jason não ficou na região do lago, Hedden quis fortificar o vínculo entre o vilão e protagonista na forma com que Jason poupou a vida de Rennie depois de ver o seu rosto e, com isso, justificar a ida dele à Nova York – lembrando que ele subiu no navio antes de saber que ela estaria lá, o que não fez sentido, então Hedden só quis mudar o cenário mesmo.

Embora o roteiro não se sustente com todo o drama forçado e o amor platônico entre Rennie e Sean Robertson (Scott Reeves), pelo menos acerta na figura do Jason – tirando as partes que ele se teletransporta para matar suas vítimas. Aqui tivemos um retrato de personalidade mais emocional, que foi explorada ainda com frieza do assassino no sexto filme da série, mas em “Sexta-Feira 13 – Parte 8”, Hedden mostrou esse lado com um toque de humor, criando momentos icônicos com o Jason no pequeno período na cidade de Nova Iorque.

“Sexta-Feira 13 – Parte 8” é o longa com maior duração da franquia, mas nem por isso deixou de ser chato, confuso e um ponto que reforça o declínio da série de filmes. E diante do desfecho em que todo o filme é o último filme, entregou o pior final já feito para a franquia, em concordância com sua incoerência e um adeus em sinal de libertação para Jason Voorhees.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.