Resenha | Sexta-Feira 13 – Parte 7: A Matança Continua (1988) – Jason enfrenta uma X-Men

O sexto filme escrito e dirigido por Tom McLoughlin foi ousado e apresentou um capítulo de “Sexta-Feira 13” mais pé no chão. Ainda que não tenha confirmado a sua volta na cadeira de direção, Tom tinha deixado um final pontual para a próxima sequência. Sejamos sinceros: todo novo capítulo da série de Jason é como se fosse um reboot, visto o quão loucas são as ideias para realizar os longas e trazer Jason dos mortos. Com “Sexta-Feira 13 – Parte 7” os roteiristas Daryl Haney e Manuel Fidello foram longe sem temer em usar a criatividade. No entanto, colaboraram para mais uma vez o declínio da franquia, resultando um filme muito, mas muito, trash.

Sexta-Feira 13 - Parte 7

A época em que a trama se passa não dá para saber, mas percebe-se que foi anos depois do final do sexto filme, visto que Jason continuava morto no lago de Crystal Lake. Falando no lago, depois que o nome da região foi mudado para “Forest Green” os roteiristas decidiram trazer o antigo nome de volta, ou seja, Crystal Lake (não fez sentido, mas nada que seja fora do comum para a franquia, pois a incoerência era muito importante no processo criativo). Mas a pergunta é: o que fazer para trazer o Jason (Kane Hodder) à vida de forma que a matança continue? Então, em mais um dos acertos do roteiristas, pensaram: “que tal apostar numa trama de terror mutante em ‘Sexta-Feira 13 – Parte 7’?”. Nenhum problema nisso, não é mesmo? Ainda mais para o universo do Jason que já era muito louco.

Foi fazendo essa cara que ela amaldiçoou matou o pai

Assim sendo, fomos apresentados a Tina Shepard (Jennifer Banko), que ainda criança, presenciou mais uma vez seu pai agredir a sua mãe. No momento de raiva disse que o odiava e queria vê-lo morto. Bom, foi isso que aconteceu: a ponte para o lago Crystal Lake, em que ele estava em pé, desaba e as madeiras caem sobre o seu corpo. Agora, aos dezesseis anos, Tina (interpretada por Lar Park-Lincoln) volta à antiga casa próxima ao lago, juntamente com sua mãe Sra. Amanda Shepard (Susan Blu) e seu psicólogo, Dr Crews (Terry Kiser), para melhor tratar seu trauma e a questão referente aos poderes da telecinesia.

Você pode estar se perguntando: Mas, e o Jason? Lamentando sobre a morte de seu pai no lago, Tina acredita sentir a presença paterna mas acaba despertando ninguém menos que… ele mesmo, Jason Voorhees! E as vítimas para quando ele sair do lago? Um grupo de amigos decide fazer uma festa de aniversário ao lado casa de Tina. Ele achou um facão no meio do mato? Como de costume, dois casais estão acampando na floresta e um deles tinha um facão para cortar lenha – e provavelmente acender uma fogueira. Jason mata – usando apenas mãos para arrancar o coração, em mais uma cena vista na franquia – o rapaz que saiu para cortar lenha e acaba reconhecendo sua arma favorita.

Tem como piorar? Sim. Uma hora, Tina, com sua telecinese, prevê quem morreu, em outro momento quem morrerá e assim ficamos acompanhando cenas de mortes manjadas para o subgênero até o embate final: Jean Grey vs. Jason Voorhees. Vale acrescentar que, no ano em que o “Sexta-Feira 13 – Parte 7” foi lançado,  era cogitada a ideia para desenvolver o longa “Freddy vs. Jason”, mas a Paramount (que detinha os direitos da franquia) e a New Line Cinema (que possuia os diretos de “A Hora do Pesadelo”) não conseguiram entrar em acordo, então, para segurar as pontas investiram nesse embate.

Obviamente, Jason não teria chance contra a Jean Grey, ainda assim, tentou e lutou – o que resultou na revelação de sua aparência de morto-vivo (?) – até que, no golpe final de Jean, ela invocou o seu pai morto (no universo “Sexta-Feira 13” pode tudo mesmo) do fundo do lago Crystal Lake e… tãdããã: o cara lança uma corrente – a qual Jason estava preso – sobre o pescoço do assasino arrastando-o para o fundo do lago novamente.

Havia fôlego para mais alguma bizarrice? Provavelmente, mas os roteiristas decidiram parar por ora e declarar que Jason foi detido pelos poderes telecinéticos de Jean Grey. “Sexta-Feira 13 – Parte 7” é horrível em todos os sentidos e deixa claro para nunca duvidarmos do que pode acontecer no universo slasher.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.