Resenha | Sexta-Feira 13 – Parte 5: Um Novo Começo (1985) não é nada disso que você está pensando

Este texto contém spoilers sobre “Sexta-Feira 13 – Parte 5: Um Novo Começo”, mas continuar lendo não deve ser pior que assistir ao filme.

A história de Jason Voorhees voltou às origens, ou quase isso. Depois de três filmes tão medianos quanto ruins, apostando numa fórmula batida envolvendo o serial killer imbatível, o quarto longa pareceu mesmo encerrar a sua trajetória. Desde o primeiro filme, era clara a ideia de que não precisávamos de uma sequência, mas para uma franquia que continuava a render lucro não importando quão tosca fosse a sua trama, porque não investir em mais um? O resultado? Mais tosquice e enredo confuso para um público fiel que não largava o osso, num filme que diz “sou ruim, mas valeu a tentativa”.

“Sexta-Feira 13 – Parte 5” pretendia, de fato, dar um novo começo para a franquia, mas os roteiristas pensaram que deveriam escrever algo ousado para este público fiel e decidiram dar um tempinho de descanso para Jason – falarei sobre isso mais a frente – e deixar outro sujeito fazer o trabalho sujo. Sim, esta foi a primeira película em que Jason não foi o vilão (teria ido se banhar no lago Crystal?) de sua história de vingança interminável.

Anos depois do ocorrido no quarto capítulo, somos direcionados de volta à Tommy Jarvis (Corey Feldman) – o primeiro protagonista masculino da franquia -, o garoto de 12 anos que matou Jason dividindo a sua cabeça, agora adulto (interpretado por John Shepherd,) está completamente perturbado por acreditar que Jason continua vivo. Para tratar de seu trauma, Tommy é encaminhado para o Centro Pinehurst de Desenvolvimento Para Jovens – o que parecia ser uma casa para jovens problemáticos. Logo, uma onda de assassinatos começam a acontecer na região.

“Sexta-Feira 13 – Parte 5” já começa confuso. Vemos Tommy, ainda com 12 anos visitar o túmulo de Jason, até que dois homens aparecem e decidem desenterrá-lo a fim de ver como era a sua aparência. Um detalhe: Jason foi enterrado com a sua máscara e facão junto do corpo (chocado) e, numa sacada genial do roteiro, os homens são mortos seguidos do pequeno Tommy, que observava tudo de longe. Mas, pasmem, tudo não passava de um sonho de sua versão adulta. A questão é: isto de fato aconteceu? O garoto foi poupado e passou a ser atormentado pelo medo de um dia ser morto?

Tommy Jarvis (Corey Feldman), aos 12 anos.

O sonho parece ser cada vez mais real a partir do momento em que “Sexta-Feira 13 – Parte 5” decide apresentar o assassino como se tratasse de alguém desconhecido e misterioso para o público – assim como no primeiro filme, mas sem o uso da câmera em primeira pessoa. Com isso, as cenas toscas de mortes se tornaram qualquer coisa para a trama que acreditava-se ter um suspense sendo desenvolvido. Depois de muita besteira, a figura do Jason finalmente deu as caras mas, como já dito, foi revelado que não se tratava do terrível e temido assassino, mas do médico legista – a máscara que usava já dizia que havia algo de errado –  Roy (Dick Wieand) que, depois de ver o corpo de seu filho morto, se inspirou nos assassinatos em Crystal Lake (e no assassino protagonista) para traçar um plano de vingança sobre os moradores da pequena cidade.

Sexta-Feira 13 - Parte 5

Por isso e mais um pouco, o novo começo de Sexta-Feira 13 não dá certo e se estabelece novamente como outro filme ruim, mas tão ruim que se coloca como o matador da franquia, visto que sua trama vazia buscou reviravoltas por todos os lados – inclusive seu final oco, relevando Tommy como cúmplice de Roy -, mas que entregou um slasher fraco com nudez desnecessária e humor deslocado. Enfim, “Sexta-Feira 13 – Parte 5” foi um recomeço para o fim.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.