Resenha | Sexta-Feira 13 – Parte 4: Capítulo Final (1984) – um adeus a Jason Voorhees?

Contém spoilers sobre “Sexta-Feira 13 – Parte 4: O Capítulo Final”, mas continue lendo.

Um dos capítulos mais sombrios da franquia, “Sexta-Feira 13 – Parte 4” deu o seu adeus – ou mais uma vez pretendia isto – a Jason Voorhees da maneira mais competente possível. Depois do interessante terceiro capítulo, eis que vemos novamente o assassino executar a sua vingança num longa sem muita criatividade mas que foi certeiro na condução de ritmo e tonalidade.

Sexta-Feira 13 - Parte 4

A trama de “Sexta-Feira 13 – Parte 4” se passe entre os dias 14, 15 e 16. Ainda é noite do último dia 14, o sábado. A morte do terrível assassino era certa devido ao tempo corrido que Jason não levantara do chão do celeiro, após os eventos vistos no terceiro filme. A caminho do necrotério do condado de Wessex, o longa começou a moldar o tom e enfatizar o terror desde os primeiros minutos – depois da introdução, que recapitula a trajetória de Jason e suas vítimas. Não demora para o serial killer revelar que estava vivo. Onde há sexo, bebida e jovens estúpidos é para onde Jason vai. Por mais que os noticiários relatem as atividades dele, o grupo festeiro de amigos não estava preocupado com a ameaça e sim com a curtição.

 

Os jovens alugaram uma casa de campo em Crystal Lake, o que se torna um desprazer para a família que mora na casa ao lado – que também se transforma em alvo do assassino. Numa tentativa vã do roteiro para incrementar o enredo – era claro que queriam finalizar a história de Jason ligando os fatos – “Sexta-Feira 13 – Parte 4” traz o irmão de Sandra (Marta Kober), uma de suas vítimas do segundo filme, chamado Rob Dier (Erich Anderson), que está determinado a deter o assassino de uma vez por todas. A “sacada” do roteiro era bem intencionada mas o irmão de Sandra fora introduzido de uma forma que já indicava o seu papel na história. O resultado foi um elemento jogado na trama que mal teve chance de fazer diferente do esperado.

Mrs. Jarvis, Trish e Tommy, respectivamente.

Tirando os jovens que só falavam de sexo, a família vizinha – Trish (Kimberly Beck), Tommy (Corey Feldman) e Mrs. Jarvis (Joan Freeman) – foi responsável por não fazer dos personagens apenas objetos dispensáveis inseridos simplesmente para morrer num filme slasher sem o mínimo de carisma. A franquia “Sexta-Feira 13” fez melhor neste aspecto no terceiro longa. Mas, ora, é um clichê do gênero, e para o suposto encerramento da franquia, nada melhor do que investir pesado em personagens estereotipados. Porém, acabou não sendo tão bacana como parecia, visto o quão vagas são as empolgantes cenas de perseguições em que as vítimas lutam por suas vidas – mas no universo do Jason, só a final girl faz isto – e de novo foi entregue um pouco do que já foi reproduzido em três filmes, apenas mudando a ambientação.

Indo além disso, o filme soube construir e manter o tom aterrorizante e ritmo fluido durante todo longa, fugindo do aspecto chato que acompanhou os dois primeiros filmes. Se “Sexta-Feira 13 – Parte 4” poderia ser melhor, não sei. Mas, em suma, é certeiro como utilizou bem da superficialidade de seus personagens e clichês do subgênero para fazer do “último capítulo” o retrato característico de um slasher e entregar o melhor do seu ícone.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.