Resenha | Sexta-Feira 13 – Parte 3 (1982) – finalmente a franquia acerta o tom

Agora sim, uma sequência direta. Sem um grande salto temporal, a trama aqui se desenrola um dia depois dos eventos do segundo filme, ou seja, se passa num sábado, dia 14. Ainda que sua vítima sobrevivente esteja em recuperação, não demora para que Jason cometa mais assassinatos por onde passa. Com a volta de Steve Miner na direção, foi em “Sexta-Feira 13 – Parte 3” que a franquia finalmente encontrou o seu caminho. Apesar das incoerências, o filme é o responsável por apresentar um dos momentos mais importantes da trajetória de Jason Voorhees: a sua máscara.

Sexta-Feira 13 – Parte 3

O cenário característico envolvendo florestas e lagos se repete aqui mas há um cuidado melhor para introduzir a trama. Ao invés de abraçar a fórmula vista nos dois primeiros filmes, a fim de incrementar o enredo, “Sexta-Feira 13 – Parte 3” decide recapitular os eventos do segundo filme e apostar numa sequência inicial mais curta – apesar de bizarra e entediante – na qual Jason faz novas vítimas simplesmente para arranjar roupas limpas. Perambulando pela região, o assassino mascarado logo encontra novos alvos. Em busca de diversão, Chris (Dana Kimmell) reúne seus amigos para curtirem o final de semana na casa de campo de seus pais enquanto luta para enfrentar as lembranças do trauma que viveu recentemente.

Chris (Dana Kimmell)

Embora o início do filme tenha deixado um ar de que a trama só iria ladeira abaixo, os personagens têm um desenvolvimento interessante o suficiente para entreter o espectador. Além disso, o elenco é bem mais carismático que o dos capítulos anteriores.

Um problema que certamente afetou os dois primeiros filmes foi a falta daquele “climão” de terror esperado de uma trama em que um assassino em série està à solta. Mas nada melhor que aprender com os erros, não é mesmo? “Sexta-Feira 13 – Parte 3” fez o dever de casa e conseguiu conduzir a história com uma atmosfera aterrorizante que certamente não faz do longa mais um capítulo chato de se assistir. Muito se deve ao fato do filme acompanhar o trauma da protagonista ao passo que constrói o terror no filme.

Mrs. Voorhees
Betsy Palmer, como Sra. Voorhees

Como supracitado, “Sexta-Feira 13” também foi importante por ser o capítulo em que Jason ganha a sua identidade: a icônica máscara de hóquei. Ele continua a agir em busca de vingança pela morte de sua mãe. Agora, portanto, podemos acompanhar esse sentimento sendo melhor explorado uma vez que já sabemos quem é Jason.

Jason

Outro diferencial certeiro para o longa foi ter sido filmado em 3D, o que combinou sequências mais bem boladas com um assassino ainda mais brutal. Foi uma experiência melhor que as duas anteriores e com certeza deu um toque especial para o que estava sendo desenvolvido sobre Jason. Apesar de todos esses aspectos favoráveis, o longa pecou por querer ser repetitivo – principalmente no minuto final – e esperar o mesmo efeito dos capítulos anteriores, embora isso não desmereça todos os feitos positivos do filme.

No mais, “Sexta-Feira 13 – Parte 3” alcançou tudo o que os seus anteriores não conseguiriam: transmitir tensão e empolgação sem ser maçante. Para uma história que pretendia encerrar a franquia, o filme foi, de fato, competente e entregou um bom slasher.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.