Resenha | Sexta-Feira 13 – Parte 2 (1981): apresentando um ícone (com spoilers)

Ter qualidade no enredo de uma obra não é sinônimo de sucesso de bilheteria (vide “Clube da Luta”); em “Sexta-Feira 13 – Parte 2” o caso é diferente. Apesar do seu antecessor não ter sido grande coisa se tratando de trama, o filme obteve um excelente rendimento na bilheteria. Quem assistiu ao capítulo anterior sabe que a história de Jason Voorhees (o garoto que morreu afogado) já havia sido contada, porém, um olhar mais atento a bilheteria que o filme arrecadou ajuda a justificar a existência dessa sequência que mais uma vez rendeu um filme fraco.

Adrienne King
Alice (Adrienne King)

Comparado ao seu longo – e entediante – capítulo inicial, realmente parecia que se tratava de uma continuação das boas ao mostrar Alice, a garota sobrevivente dos antigos homicídios, sofrendo com os traumas do passado, para em seguida descobrirmos que ela está sendo perseguida dentro de sua própria casa por um invasor. Não demora muito para ela que seja assassinada. Ora, se a Sra. Voorhees teve sua cabeça arrancada no final de “Sexta-Feira 13″, quem teria matado Alice?

Sabe aquele tipo de caso em que o enredo abandona as regras anteriormente estabelecidas? Então, é o que aconteceu com “Sexta-Feira – Parte 2”. Mas vamos por partes. É mais uma sexta-feira 13, cinco anos depois dos eventos do primeiro filme e da morte de Alice (que acontece dois meses após o filme anterior).

Para muitos, os eventos não passam de lendas, tanto que Paul Holt (John Furey) abre um Centro de Formação de Monitores: Pachanack Lodge, próximo ao antigo acampamento Crystal Lake. Embora os personagens ainda sejam superficiais e a câmera de Steve Miner insista em deslizar sobre o corpo feminino (inclusive em cenas de nudez), há um cuidado sobre a inclusão social, um vez que temos um personagem cadeirante. É através dessa superficialidade que conhecemos Jason Voorhees.

Sexta-Feira 13 – Parte 2

O filme sutilmente tenta passar a impressão da personalidade vista na Sra. Voorhees no primeiro filme, mas logo abandona esses traços e começa a explorar o novo assassino com nuances diferentes. Também, diferente do primeiro filme, não demora muito para que o telespectador, assim como os próprios personagens do filme, conheça a silhueta do homicida, que usa o que parece ser uma fronha branca como máscara. Ainda que aposte num assassino mais brutal, o filme não consegue ser tenso em nenhum momento. E embora tenha criado sequências de perseguições maiores que o seu antecessor, continua sendo um filme chato que não consegue envolver.

Já era fato que a Sra. Voorhees estava morta – antes mesmo que o filme comprovasse isso – o que restava descobrir era que o próprio Jason (o garoto afogado) estava vivo e estaria por trás dos novos assassinatos. O que faz “Sexta-Feira 13 – Parte 2” não ser uma sequência tão coerente é ter ignorado Jason no primeiro filme (que contava uma história fechada) para melhor trabalhar a personagem no segundo capítulo. Isso deixa o seu retorno um mistério mas não a sua motivação: Jason estaria executando uma vingança pela mãe após testemunhar sua morte.

Mais uma vez, o terror apático tenta ser grandioso com um susto no minuto final. A intenção era ser significativo, mesmo sendo repetitivo, mas acabou sendo confuso. Afinal, que diabos acontece depois que Jason quebra a janela atrás de Ginny e a puxa, para em seguida mostrá-la numa maca sendo levava para o hospital? A luta entre ela, seu namorado Paul e Jason não aconteceu? Seja o que for, “Sexta-Feira 13 – Parte 2” rende mais um filme fraco, chato e que, melhor resumindo, foi ruim mesmo, mas que estava pronto para apresentar o que se tornaria um ícone para o slasher: Jason Voorhees.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.