Sexta-Feira 13 (2009): uma homenagem à trajetória de Jason Voorhees

Quatorze anos se passaram desde que Jason foi convidado a participar de um crossover com um dos maiores vilões do terror da década de 80: Freddy Krueger. O que era para servir como uma ajuda para o Retalhador, se desenrolou em duelo entre dois ícones. Realmente, parecia que assim seria a despedida para ambos, mas em 2009, depois de muitas ideias, veio o remake para lançar um novo olhar sobre quem é Jason Voorhees. As intenções foram boas, a película não empolgou, mas serviu para que o vilão fosse relembrado. Chegava aos cinemas o remake de “Sexta-Feira 13”

Os roteiristas Damian Shannon e Mark Swift, de “Freddy vs. Jason”, voltaram ao cargo e escrevam o roteiro do filme, e por incrível que pareça abandonaram o estilo trash e investiram em algo bem mais sombrio para recontar a história de vingança. O longa funciona como uma mistura e refilmagem do primeiro filme, mas também trouxe elementos vistos nas três sequências da época: “Sexta-Feira 13 – Parte 2“, “Sexta-Feira 13 – Parte 3” e “Sexta-Feira – Parte 4: O Capítulo Final” para incrementar o enredo.

A Origem

É 1980. Para sabermos como tudo começou, de cara, a abertura foi um prólogo voltado ao final do filme original, quando a Sra. Voorhees foi morta por Alice (Adrienne King) – aqui interpretadas por Nana Visitor e Stephanie Rhodes, respectivamente -, a sobrevivente da matança executada pelo desejo de vingança de uma mãe pela morte de seu filho, que por imprudência dos monitores se afogou no lago. A cena é vaga e muito distante do que foi feito diante da atuação e personalidade interpretada por King e Betsy Palmer, forçando com um diálogo fraco.

Conhecendo Jason Voorhees

Agora, adentramos ao arco do segundo filme. 20 anos se passaram desde o ocorrido e Jason não é uma lenda, e sim, tão real e temido que até mesmo foi caçado pela polícia local. Mas nada disso impediu que um grupo de cinco amigos acampasse próximo à Crystal Lake, enquanto dois deles tinham interesse em achar uma plantação de ervas da região para que pudessem lucrar. Em meio aos estereótipos conhecidos do subgênero, o sexo logo se desenrola como também os diálogos marcados com muitos palavrões e contextos envolvendo genitália. Assim, Jason (Derek Mears) entra em ação, mas não como é conhecido, ele se apresenta como surgiu pela primeira vez: usando um tipo de fronha branca na cabeça para esconder a sua deformidade.

O que temos é um Jason dominador, brutal e perverso, mostrando o que acontece com quem pisa em Crystal Lake e ameaça o seu espaço. O mausoléu onde conservava a cabeça arrancada de sua mãe e escondia os corpos de suas vítimas, também esteve presente.

Jason Recebe a Sua Máscara

Mais um salto temporal ocorre, se passando um mês desde que os homicídios foram cometidos. Mais jovens a fim de curtirem o final de semana com drogas e sexo são introduzidos na trama. Asssim como o irmão de uma das vítimas recentes de Jason, Clay Miller (Jared Padalecki), que procura por sua irmã desaparecida, Whitney Miller (Amanda Righetti) – da mesma maneira que Rob procurava por sua irmã Sandra, em “Sexta-Feira 13 – Parte 4”. Enquanto os demais partem para uma casa afastada na floresta próxima ao antigo Acampamento Crystal Lake, Clay distribui panfletos e bate em porta em porta perguntando sobre sua irmã. Obviamente, não demora muito para que as novas pessoas atraiam a atenção de Jason. O que acarreta em novas vítimas do assassino, levando-o a encontrar a tão famosa máscara que marca a sua identidade – de maneira diferente de Sexta-Feira 13 – Parte 2”.

Foi com Tommy Jarvis, no quinto e sexto filme da franquia original, que ocorreu a primeira investida em um protagonista masculino. Para um filme que apresenta tantos aspectos dos quatros primeiros filmes para os nostálgicos, curiosamente, o personagem foi considerado para dar as caras no remake, sendo um personagem de origem importante para a história de Jason. Ao invés disso, optaram por Clay ser o protagonista da vez, prosseguindo com enredo sobre a evolução do serial killer até se tornar o morto-vivo indestrutível.

Apesar de todos esses elementos e todos os esforços, “Sexta-Feira 13” foi um remake tradicional. Assim como os primeiros filmes, contou com críticas sociais ácidas e também destacou o protagonismo feminino, mas toda a execução com personagens poucos interessantes não foi capaz de empolgar sem parecer um resumo de filmes slashers, mesmo criando uma identidade única para agradar os fãs.

Sexta-Feira 13
Clay Miller (Jared Padalecki)

Não bastando isso, o filme é recheado por uma fotografia escura que dificulta a apreciação de suas cenas criativas, passando a impressão que foram boas, mas poderiam ser melhores. Mas as referências não pararam por aí. Assim como Giny (Amy Steel) em “Sexta-Feira 13 – Parte 2”, temos Whitney, que soube manipular o assassino para sobreviver, com o porém que ela não imitava a voz da Srra. Voorhees, mas era parecida com a mãe do killer.

“Sexta-Feira 13” foi ousado, brutal e sangrento e conseguiu um feito muito difícil, visto que se trata de um reboot: foi melhor que vários títulos que fazem parte da franquia, equilibrando um tom notório. E mesmo que não tivesse a força para empolgar, uma coisa é certa: a memória da figura de Jason Voorhees continua mantida como uma mistura diferenciada para o slasher.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.