Selma (2015)

“Nossas vidas não são vividas por completo se não estamos dispostos a morrer por aqueles que amamos e pelo que acreditamos.”

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Título: Selma (“Selma”)

Diretora: Ava Duvernay

Ano: 2015

Pipocas: 9/10

Estamos em 2015, e a representação da população negra no Oscar desse ano é, digamos, bem baixa: zero. Além disso, enquanto filmes como Sniper Americano e Teoria de Tudo receberam, respectivamente, 6 e 5 indicações, “Selma” – um filme obviamente superior pelo menos ao primeiro em diversas áreas – recebeu somente duas. Isto, por si só, já mostra que “Selma” é um filme relevante e necessário para nossa sociedade.

Ele conta a história das passeatas lideradas pelo Doutor Martin Luther King (David Oyelowo, de “O Mordomo da Casa Branca) que foram da cidade de Selma até a cidade de Montgomery, ambas no estado sulista do Alabama, em prol do direito a voto da população negra. Ao longo do filme, vemos a luta, por vezes literal, que o Dr. King enfrenta para que a marcha se concretize.

O filme é completo e preciso em todos os aspectos. O fato da direção ter ficado ao cargo de uma diretora negra enriquece o filme, acrescentando não só à questão da representatividade, mas na própria abordagem intimista que foi utilizada em uma briga de escala nacional.

As diversas trocas entre o Dr. King e o presidente Lyndon Johnson (Tom Wilkinson, um dos atores a representar O Autor em O Grande Hotel Budapeste) são intensas, principalmente graças às entregas dos atores, e a carga emotiva transporta bem o engajamento de ambos nas questões apresentadas, enquanto a Coretta “Corey” King de Carmen Ejogo faz o contraponto familiar necessário para aprofundar o personagem.

Ver a luta de Dr. King para avançar nas questões representativas em eleições em prol da mudança no modo como os negros eram tratados na sociedade estadunidense nos faz pensar, inicialmente, em como e se o assunto progrediu nos Estados Unidos; em segunda instância, pensamos na sociedade brasileira, e como a diferença crucial entre esses dois casos é que, em um deles, o tratamento negativamente diferenciado é velado e escondido por trás de estatísticas. Assim sendo, a existência do filme e a maneira como ele passa discretamente através dos olhares da imprensa só faz com que sua relevância seja ainda mais ressaltada.

“Selma” é um filme muito relevante, principalmente considerando a total ausência de atores negros nas categorias principais do Oscar – bem como as indicações de consolação que o filme recebeu. Coerente e forte, mais do que um simples filme, serve para nos confrontar em uma questão que está longe de ser resolvida.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.