Comentário | O público realmente precisa de um “segundo filme”?

John Krasinski retornou ao grande público como diretor, co-roteirista e protagonista de “Um Lugar Silencioso”, onde divide a tela com sua esposa Emily Blunt. Com poucos dias, o filme já provou ter conquistado de forma arrebatadora não só a crítica como o público e vem trazendo consigo números bastante positivos. No começo da semana, em uma entrevista ao site Fandango, os roteiristas de “Um Lugar Silencioso” revelaram estar pensando em revisitar o universo apresentando pelo eterno Jim de “The Office”. E um universo como o que foi visto no filme pode sim encontrar espaço para inúmeras histórias, de forma semelhante ao que fizeram com o universo de “Cloverfield: O Monstro”. Mas ao mesmo tempo que isso pode trazer momentos maravilhosos em possíveis novas obras do gênero, podemos também detectar um possível – mas não tão novo – problema: Nós precisamos mesmo de um segundo filme?

Emily Blunt assistindo à sequência de Rua Cloverfield

Já não é mais surpresa para ninguém que se um longa vai bem financeiramente, ele pode sim ganhar uma sequência, supondo que ela irá acompanhar o andamento de seu antecessor, mas nada garante que a qualidade entrará nesse pacote, e nós temos alguns exemplos.

O primeiro que podemos mencionar aqui é um clássico do diretor Alfred Hitchcock, que até hoje é aclamado pela crítica. “Psicose” foi lançado em 1960 e ganhou duas sequências décadas depois. Nenhuma delas conseguiu captar a mesma atmosfera e sentimento do primeiro filme o que acabou não acrescentando muito à produção original.

O falso documentário/found footage lançado em 1999, “A Bruxa de Blair“, fez um barulho enorme durante e após a sua estreia. Se segurando em uma campanha de marketing muito esperta e dando origem ao que viria a se tornar um subgênero bastante explorado por franquias no futuro, o filme ganhou no ano seguinte um segundo filme muito ruim, tentando repetir o que o primeiro fez de certo, mas falhando miseravelmente nessa ideia. Em 2016, ainda foi lançado um terceiro filme que também não conseguiu ir muito longe, muito menos repetir o sucesso da produção do fim dos anos 90.

Ridley Scott é sem dúvidas um baita diretor e em 1979 entregou uma das maiores obras de sua carreira: “Alien: O Oitavo Passageiro”. Seguido por continuações que não mais eram dirigidas por Scott, a franquia Alien se proliferou e rendeu uma sequência de oscilações na qualidade dos filmes. Em 2012 porém Scott decidiu embarcar novamente a frente desse universo e entregou o divisivo “Prometheus” prometendo – huehue – explicar a origem de muitas coisas, mas deixando boa parte delas sem uma explicação.

O filme conseguiu arrecadar uma boa grana na bilheteria mundial, e uma quantidade maior de críticas positivas do que negativas, mas mesmo assim gerou discussões. Mas o estrago não foi feito nesse filme, e sim na sua continuação. “Alien: Covenant” chegou em 2017 mais uma vez pelas mãos de Ridley Scott, carregando consigo a missão de voltar com a atmosfera do filme original e dar continuidade ao que “Prometheus” não cumpriu – eu tô ótimo hoje! O resultado foi outro filme mais ou menos que não conseguiu manter a chama da franquia acesa por muito tempo.

Melhor sequência

Por último, mas não menos importante, temos aqui “O Chamado“, terror de Gore Verbinski que trouxe um bom equilíbrio entre suspense, drama e mistério, que recebeu três anos após o seu lançamento um segundo filme lamentável. Mesmo mantendo alguns aspectos do filme anterior, “O Chamado 2” passou bem longe de manter a qualidade do primeiro, mas deixou uma ou outra boa cena para a lembrança.

Nossa menção honrosa vai ficar para “Jogos Mortais”. O filme dirigido pelo diretor sensação James Wan conseguir ser direto ao ponto e entregar uma trama agonizante e muito envolvente, mas que só se manteve assim no primeiro filme, já que todas as suas sequências ficaram somente em um elemento do filme original, e que nem era o melhor dele. E ainda temos “O Paradoxo Cloverfield” para contar um pouco de história, não é mesmo?

segundo filme

Sabendo que em todo caso existe uma exceção, uma sequência para “Um Lugar Silencioso” poderia talvez passar a sua qualidade e se tornar mais um completo sucesso. Mas se formos expandir o que está acontecendo no longa, algumas informações chave que para alguns deixou um breve incômodo no filme de Krasinski, tipo “como eles têm eletricidade?” “Um gerador faria muito barulho” poderiam se tornar falhas nesse universo já que cada detalhe do filme é algo extremamente pontual e que depende das exatas circunstâncias que estão sendo apresentadas ali.


Enfim, esse é o momento onde você pode participar dessa discussão e nos dizer: É necessário ter um segundo filme para “Um Lugar Silencioso” ? Entre no nosso grupo secreto no Facebook e no grupo do Telegram para interagir com autores e outros leitores!

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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.