Segundas Impressões #14: A Primeira Noite de um Homem

A resenha do Erik me motivou a ver esse clássico novamente, você pode lê-la aqui. Naturalmente, algumas visões que eu tinha em relação ao filme foram alteradas com o tempo entre a primeira assistida e essa mais recente. Daí, achei válido trazer o tópico mais uma vez para o site, dessa vez com outra abordagem. A Primeira Noite de um Homem, título traduzido com excessiva liberdade de The Graduate, conta a história de Benjamin, recém formado, e sem absolutamente nenhuma perspectiva sobre o que fazer da sua vida agora. Não bastasse esse primeiro drama, o rapaz ainda se vê às voltas com relacionamentos extremamente problemáticos.

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Primeiras Impressões

Confesso, a princípio, odiei o filme. Achei o protagonista sem graça e o final sem pé nem cabeça. A opinião extremamente positiva do Erik fez com que eu cogitasse a possibilidade de estar errado. Algo que, certamente, influenciou muito para que eu tivesse essa primeira impressão foi a época em que assisti esse filme pela primeira vez. Seguramente, no primeiro, ou segundo, período de faculdade. Eu ainda estava longe de conseguir entender que a atuação de Dustin Hoffman é perfeita para o sentimento que surge depois da formatura. Quando cumprimos um objetivo perseguido durante muito tempo (às vezes tempo demais) e, paradoxalmente, por completarmos algo, um imenso vazio surge se abre.

Basicamente, o que eu não pude apreciar do filme, à época, é que Benjamin não toma partido em nada, e quando toma alguma decisão, age da maneira mais estúpida possível. Até quando acerta, ele erra. Isso me pareceu uma falha terrível; mas a falha era minha. Eu não fui capaz de entender o que estava por trás dos conflitos desse personagem.

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O que Mudou?

Basicamente, nessa assistida, consegui compreender o protagonista melhor. Isso ainda não faz dele um bom personagem, mas o torna mais compreensível, e suas atitudes um pouco mais justificadas. Além disso, o que ainda não mudou, é minha indisposição com os trinta minutos finais do filme, que são emocionantes, mas parecem meio perdidos, em relação ao todo. Já as coisas que eu não poderia perceber num primeiro momento é o tom de crítica que a perplexidade de Ben demonstra, quando fica claro que todas as pessoas sabem exatamente o fazer até chegar faculdade, mas ninguém tem a menor ideia do que está fazendo depois. Numa das icônicas cenas da piscina, o pai do rapaz pergunta o que ele está fazendo (da vida) e ele diz que está flutuando à deriva (na piscina). É claro que podemos ver excelentes metáforas no decorrer do texto a da construção das cenas.

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Como diria O Gato que Ri, de Alice no País das Maravilhas, “se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve”. Assim, Ben aceita, passivamente, o que lhe é oferecido, mesmo que seja scotch, quando ele pediu bourbon, ou um romance com uma mulher de meia idade que, além de não se importar com ele, o trata como um filho na maior parte do tempo (perturbador). Benjamin está constantemente tentando fugir do tédio que sua vida se tornou.

De certa forma, The Graduate tem a relevância de um coming of age, embora não necessariamente o seja, pois nos desilude quanto a falácia, que alguém nos vendeu, de que a nossa formatura abre uma  mar de oportunidades. Na verdade, mais do que isso, nos mostra que o término de objetivos, sem o surgimento de outros, pode ser danoso para a saúde mental e que ninguém, jamais, disse isso para qualquer pessoa. De fato, essas são coisas que eu jamais poderia ter entendido nas primeiras impressões.

 

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