Segundas Impressões #12: Pokémon

Como era de se esperar, o lançamento de Pokémon GO no Brasil trouxe a pokefebre para terras canarinhas, roubou a atenção das Olimpíadas, fez uma legião de lovers haters e tem transformado o dia a dia de várias pessoas, quer elas queiram, ou não. E é justamente por isso que o segunda impressões de hoje vai falar de um dos grandes responsáveis por isso tudo, o programa da Eliana desenho animado, lançado em 1997 no Japão.

A série foi inspirada na franquia de vídeo games feita para portáteis da Nintendo, lançada no Japão no ano anterior ao programa de TV. As datas são tão próximas, e as franquia são tão sólidas e duradouras que é difícil saber quem influenciou no sucesso de quem, mas o fato de os monstrinhos de bolso terem entrado de vez no panteão da cultura pop é simplesmente inquestionável.

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Primeiras Impressões

Pokémon estreou na TV aberta do Brasil durante o programa Eliana e Alegria da Record. Apesar de ter apenas 20 minutinhos, o anime fez com que as principais rivais de audiência do horário perdessem completamente as chances de disputa. Não tinha criança que não assistisse; era chegar da escola, e ligar no canal para se divertir, antes da chatice dos jornais que nossos pais teimavam em continuar assistindo. O formato do programa era interessante, pois a música de abertura era grudenta (se você está lendo esse texto, deve lembrar), os personagens eram praticamente todos crianças e, portanto, fáceis de se relacionar, os Pokémons eram muito carismáticos, nos intervalos havia um jogo de adivinhação, e, ao fim, um rap para aprender o nome de todos os Pokémons! O que mais uma criança poderia querer em 1999?

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Palco de Eliana e Alegria (Chiquinho ao lado da apresentadora)

Isso tudo foi uma febre tão grande quanto Pokémon GO? Eu me pergunto, por que não? Havia toneladas de produtos relacionados aos monstrinhos, além dos jogos para Game Boy, claro. Cards que vinham nos chips, jogos de tabuleiro, miniaturas do Guaraná Antártica, figurinhas, etc. Porém, num futuro não muito distante, a Globo adquiriu os direitos de outro desenho japonês de sucesso, Digimon, e fez com a febre acalmasse um pouco. Confesso que, na época, troquei os monstros de bolso (poke, vem de poket) pelos digitais (Digital Monster = Digimon), mas havia lugar cativo para Ash e companhia no meu coração.

O que Mudou?

Um dos motivos para a troca mencionada no final do último parágrafo é que de seis para sete anos eu saí do jardim de infância e fui para o ensino fundamental (antigo Bloco Único), aí começa a corrida burra por deixar de ser criança rápido e, nesse sentido, Digimon era bem menos infantil do que Pokémon. Um pouco mais violento, conceitualmente mais complexo e com monstros que falavam e sentiam, tornando a relação entre os personagens algo mais parecido com ter uma amizade, e menos com ter um bichinho de estimação.

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Além disso, Digimon tinha vilões bizarros, e não a equipe Rocket (prepare-se para encrenca…). A visão que uma pessoa adulta que acompanhou Pokémon quando criança, hoje, é, possivelmente, a mesma que os nossos pais tinham – que diabo é isso? Que coisa boba!. Porém, o sentimento nostálgico, ausente nos nossos velhos, não deixa com que o carinho de quem amava a série, e ainda ama, morra. Pokémon GO tem um gameplay e um conceito revolucionário e tudo, mas, o fato de eles terem optado pelos primeiros monstros disponíveis serem os da primeira geração não foi à toa.

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