Resenha: Narcos – 2ª temporada

A segunda temporada de Narcos chegou ao fim. E enquanto alguns se alegraram pelo desfecho da história, outros se entristeceram ao saber que uma próxima temporada virá, dessa vez, sem Pablo Escobar. Infelizmente, não houve nenhuma surpresa relevante no que acabamos de ver, já que todos sabiam qual seria a tônica dos acontecimentos futuros e seu derradeiro desfecho. Se, na primeira temporada, o narco colombiano ascendeu ao posto de um dos homens mais ricos, poderosos e influentes que já pisaram na terra, a segunda parte dessa história seria uma inevitável queda, sem precedentes.

segunda temporada de Narcos

Assim, sejamos sinceros. Essa foi uma temporada consideravelmente mais arrastada do que a anterior. Provavelmente, porque Pablo é mostrado menos voltado para os negócios e mais concentrado em sobreviver. Escobar passa toda essa parte de sua vida se escondendo de todas as pessoas que o querem e fazendo o necessário para proteger a si mesmo e a família, o que deixa o seu campo de ação bem mais limitado.

Com o tremendo realismo com que a história é retratada, ao contrário das narrações de Murphy a cerca do “realismo fantástico” de Gabriel Garcia Marquez, a ideia de um narco-terrorista lutando ferozmente contra todos os seus inimigos dá lugar a um personagem principal acuado e que usa manobras defensivas tão desesperadas quanto desastrosas. Ainda vale lembrar que a figura do Pablo Escobar paternal e protetor da família, que queima dinheiro para aquecer os filhos, foi desmentida pelo filho do traficante com irritação numa matéria para o El País.

Detalhe que pode descreditar um pouco a série.

A imobilidade do patrão, entretanto, faz com que haja um desenvolvimento maior de outros personagens. E esse é um ponto muito positivo da segunda temporada de Narcos. Jogando no time de Pablo, Limón é o personagem que teve o desenvolvimento mais surpreendente. Do outro lado do campo de batalha, tivemos a volta do Coronel Carrillo, que veio com sangue nos olhos num arco muito intenso da temporada e, por fim, há o surgimento de Los Pepes, uma iniciativa dos guerrilheiros de extrema direita comandados pelos irmãos Castaño aliados aos demais inimigos narcotraficantes de Pablo.

segunda temporada de Narcos

O saldo final dessa temporada ainda é bastante positivo. Como já disse em outros textos, tecnicamente Narcos é irrepreensível, e a “licença poética” para jogar com a realidade dos acontecimentos não deve incomodar, a grande maioria do público. Porém, assistir algo que você já sabe o fim pode tornar as coisas um pouco menos interessantes. Isso é algo ligeiramente preocupante, já que o gancho para a terceira temporada também foi extremamente óbvio.

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