Segundas Impressões #2 – Samurai X

Desde pequeno adorava assistir desenhos, desde os mais bobos aos mais violentos. Acompanhava fielmente Dragon Ball, Cavaleiros, Pokemon, e vários outros que ainda virei a citar em minha coluna, mas nenhum deles foi tão incrível quanto Samurai X. O desenho trazia ação, sangue, intrigas, duelos de vontade com uma qualidade tão boa que foi impossível não me apaixonar pela trama. Além disso, o fator extra que fazia com que Samurai X saísse na frente, de Dragon Ball Z por exemplo, era o realismo do mundo onde tudo acontecia. Um mundo onde pessoas são simples pessoas, sem poderes, sem habilidade de deuses, e lutam unicamente com sua habilidade e vontade, envolto em personagens muito bem trabalhados desde os primeiro episódios com um fundo histórico: esse é o mundo onde Samurai X se passa e apaixona a todos que acompanham. Então achei perfeitamente justo que esse fosse o primeiro anime, e desenho em geral, que eu viria a falar em minha coluna.

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Gostaria muito de agradecer ao Netflix por disponibilizar essa linda obra nos seus arquivos, apesar de infelizmente não ter a versão em português e a original gerar estranhamento no início pra quem se acostumou com os dubladores brasileiros. Samurai X, ou Rourouni Kenshin (O Andarilho Kenshin), conta a história do andarilho Kenshin Himura, o Retalhador Battousai, um antigo espadachim da revolução Meiji que acabou com o Shogunato no Japão. Para quem não conhece nada da história Japonesa, essa é a mesma época retratada no filme O Último Samurai com o Tom Cruise, quando o Exército Imperial Japonês começa a se formar e os samurais e espadachins remanescentes sofrem para se adaptar a um novo Japão. A trama inteira é uma grande aula de história japonesa que por si só já vale bastante, com personagens adaptados de pessoas reais e lendas como o próprio Kenshin Himura, que é inspirado em dois espadachins reais que viveram na época tratada no anime.

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Sabendo de como a trama flui, apesar dos bons anos que separam a última vez que assisti o anime dos dias de hoje, é muito legal notar o trabalho feito nos personagens com o decorrer do tempo. Para escrever a coluna de hoje, eu reassisti os sete primeiros episódios, pois assim pude ver um pouco dos personagens principais e o primeiro vilão de verdade da história, que dura exatamente dois episódios, mas que traz um peso para a trama que muitos vilões não conseguem apresentar em mais de 20 episódios. Com isso foi possível notar a transição natural e fluida da personalidade de cada uma das personagens que se juntam a Kenshin. Nota-se a instrutora Kaoru, que viria a se tornar o par romântico de Kenshin, construindo uma personalidade forte e certa independência desde o início, com um primeiro ar de romance ao final do sétimo episódio. Vemos o jovem Yahiko sendo construido em cima de um forte senso de justiça e orgulho que culmina com um dos melhores finais da trama, com ele recebendo a espada de Kenshin e se tornando o sucessor de seus ideais. E temos o lutador Sanosuke, que sempre foi meu favorito no anime, com sua personalidade explosiva e extremamente justa, sendo na minha opinião um dos personagens mais complexos de toda a trama.Sem título.png

Samurai X tem um universo incrível e muitíssimo bem trabalhado; todas as personagens tem grande peso na trama e ajudam a tirar de Kenshin toda a responsabilidade de carregar a história nos ombros. Além disso, como já citei no início, Samurai X é uma verdadeira aula de história japonesa com bases muito boas para quem não a conhece. E acima de tudo, o anime traz uma das melhores trilhas sonoras do gênero, com músicas típicas e aberturas sensacionais. Em resumo, passaram-se os anos, novos animes saíram e Samurai X continua atual e excelente. De longe uma das melhores histórias que já acompanhei.

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