Segundas Impressões #01 : O Pequeno Príncipe

Recentemente, vim a notar uma coisa bem específica sobre mim, o meu gosto por retornar a obras já terminadas, sejam elas livros, filmes, séries, mangás, ou desenhos. Notei que as vezes prefiro rever um filme pela décima vez a procurar algo novo para consumir, e graças a isso tive a ideia de trazer essa minha segunda coluna que passará a ser quinzenal intercalando com a coluna do mesa. O Segundas Impressões traz a leitura de uma segunda visão do início de alguma obra sobre os olhos de quem conhece a obra como um todo.

Começarei com o que foi o primeiro, e, provavelmente, o livro que mais li em toda minha vida: O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry. Hei de reforçar que fiz questão de reler com meu livro antigo, o mesmo que usei para ler a história pela primeira vez, quando tinha por volta de 6 anos, e o mesmo que usei em todas as outras vezes que o li pelo longo de minha infância, e isso me fez notar como de fato acabei virando uma pessoa grande que tanto o livro critica, afinal deve fazer pelo menos 10 anos que não lia esse livro.

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Estado atual do meu livro

O Pequeno Príncipe, conta a história de um piloto de avião que fora desencorajado de se tornar pintor quando novo devido a seus desenhos de cobras engolindo elefantes, sempre injustamente confundidas com chapéus. Esse piloto cresceu sempre buscando pessoas que, assim como ele, ainda entendessem os reais valores da vida, e que não se prendiam às chatices e seriedades da vida a ponto de esquecerem dos reais valores que existem, e, graças a isso acabou vivendo sem amigos, até um dia em que no meio do deserto, após uma pane em seu avião, veio a conhecer um Pequeno Príncipe vindo de outro planeta.

Desta vez, não me prenderei a história, ou aos personagens da trama devido, ao caráter do livro. Não cabe a mim, dizer para você leitor o que representa ou o quão bem desenvolvido o personagem A ou a situação B foi montada, e se você ainda tenta fazer isso, certamente não entendeu do que se trata o livro e é apenas mais uma pessoa grande presa a seus números e mesmices. Tratarei de falar, nesse texto, apenas sobre a experiência que me foi retomada depois de anos sem sequer tocar ou pensar nessa linda obra.

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Em meio a uma série de crises, gerais e pessoais, me vi um tanto quanto cético e frio quanto a vida ao meu redor, e isso também se aplica aos textos que tenho feito. Textos esses que sempre me esforcei em abordar a capacidade técnica disso ou daquilo e aos números que isso ou aquilo podem trazer. Após rever, apenas o incio do livro, pude notar como minha abordagem a vida está errada, como estou esquecendo os principais pontos em tudo. Vim notar que esqueci de comentar, por exemplo, no texto de Creed, como a história de Rocky sempre me afetou diretamente com sua superação e tenacidade, e como Creed retomou isso de modo brilhante me levando a lágrimas no cinema. Me entristece dizer que realmente me tornei uma pessoa grande e certamente chata com o passar dos meus anos, mas o livro me fez lembrar que não precisa ser assim para sempre. Mais do que um livro pra crianças, Pequeno Príncipe é um livro para as crianças que nós já fomos, e se você não entende isso, sugiro que dê mais uma lida nesse livro pra tentar se lembrar do que você realmente tem esquecido.

Bom espero que vocês tenham gostado, e acima de tudo aproveitado essa minha primeira coluna do Segundas Impressões. Vou estar sempre trazendo obras que marcaram algum momento de minha vida, ou que geraram grande impressão aqui. Aceito sugestões para colunas futuras nos comentários, então, quem curtir a pegada da coluna pode participar também. Até a próxima coluna do Mesa no sábado que vem.

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