Scenes from the Suburbs (2010)

“Nos meus sonhos, ainda estamos gritando”

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Título: Scenes From the Suburbs
Diretor: Spike Jonze
Ano: 2015
Pipocas:9/10

A banda canadense Arcade Fire é um dos raros grupos atuais, podemos incluir Florence + The Machine nessa lista, que, a quem não basta lançar um álbum, é preciso criar um contexto, uma espécie de mitologia para isso funcionar. O artifício para alcançar tal conceito estético foi a ideia de levar toda a beleza e encadeamento lírico presente no terceiro álbum de estúdio da banda para a projeção cinematográfica.

Nesse curta metragem, dirigido por Spike Jonze, responsável por títulos como Quero ser John Malkovich (1999) e Onde Vivem os Monstros (2010) e com roteiro por Win e Will Butler, integrantes da Arcade Fire, é transportada para tela toda a concepção do álbum “The Suburbs” (2010), vencedor do Grammy 2010 na categoria “Álbum do ano”.

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Apesar de se limitar à estética de videoclipe, a força das músicas do Arcade Fire é utilizada para carregar uma história recheada de elementos nostálgicos e sufocantes. Com um olhar crítico, desde os primeiros momentos, o enredo tem como núcleo principal um grupo de adolescentes que vive num subúrbio sitiado, que mesmo que pareça ser ambientalizado nos anos 80, trata-se de um mundo inteiramente novo, onde os subúrbios são fechados, controlados por intensas forças militares e baseados na intolerância, algo que não está tão distante da realidade, se analisarmos a crítica.

As atuações são boas e os cortes remetem a um ótimo filme indie. É descrito, ao longo dos diálogos e com imensa precisão, tendências da sociedade contemporânea, como, por exemplo, o controle social sobre os indivíduos, a segurança sendo mais valorizada do que a liberdade, e de como conflitos políticos e sociais separam as pessoas.

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Se você já assistiu ao videoclipe da faixa “The Suburbs”, provavelmente irá criar uma expectativa imensa sobre o curta. Mas além da trama ser extremamente interessante, as transições da puberdade e a corrosão de uma amizade que parecia ser longeva ganha uma intensidade que impressiona – por ser um formato de curta metagrem, as coisas acontecem muito rápido, e talvez esse seja apenas um ponto negativo, o tempo é curto demais para uma história tão boa. O sentimento de saudade ao ouvir “The Suburbs” é amplificado ao ver o curta, as cenas são de uma sensibilidade intrínseca, a nostalgia é apreciada em peso, além de intensificar muito a melancolia da adolescência e o choque que é parar de andar de bicicleta com os amigos para enfrentar o mundo de verdade.

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