Roleta de Discos: Superunknown (1994) – Chris Cornell vai fazer falta

Certamente, a notícia da morte de Chris Cornell entristeceu a todos, seja pelo enorme talento do músico em seus mais diferentes projetos, ou seja pela forma como tudo aconteceu. O que resta para as pessoas é encararem isso da melhor maneira possível, e aproveitarem a obra que ficou como legado. Assim, “Superunknown” é um disco muito importante para a carreira do Soundgarden, visto que cinco de suas músicas se tornaram singles e é dessa obra que vem “Black Hole Sun”, uma das canções mais famosas da banda até hoje.

Superunknown
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O disco é sucessor de “Badmotorfinger” e conta com uma sonoridade variada, porém coesa, em que a banda mostra algumas facetas de suas influências de maneira bastante madura e original. Façamos um faixa a faixa da obra.

Let Me Drown – cheia de swing, com uma bateria envolvente e um riff de guitarra simples, porém efetivo, a canção é um belo chute na porta para abrir o disco. Certamente uma canção que gruda na cabeça.

My Wave – aqui o ritmo ainda continua lá em cima. Os riffs são rápidos, novamente a canção tem um groove diferenciado e um refrão grudento.

Fell on Black Days – o ritmo dá uma tranquilizada e podemos ouvir a voz de Cornell mais melodiosamente, o que é sempre maravilhoso. Aqui o trabalho das guitarras mostra uma coisa interessante do Soundgarden – o timbre “estranho” das guitarras. Isso sempre tira o ouvinte do lugar-comum.

Soundgarden

Maillman – saindo da calmaria da faixa anterior entramos numa faceta interessante do disco em que as músicas ganham em peso e perdem em andamento. Com o riff principal e o refrão dessa canção dá pra ver claramente que os caras beberam do Black Sabbath! Certamente, essa é uma faixa pra ouvir com o som alto e bater cabeça!

Superunknown – o ritmo acelera de novo e Chris Cornell exibe a extensão do seu vocal potente com gritos precisos. No meio da canção, existe um interlúdio que flerta com as citaras da música indiana. Daí a canção cai para um solo com wah-wah e o refrão mais uma vez certeiro.

Head Down – os riffs estranhos da introdução já apontam que uma música mais esquisita está surgindo. Head Down é um faixa mais carregada para o que se está acostumado a ouvir do grunge. Uma atmosfera depressiva e uma sonoridade mais crua que contrasta com a voz melodiosa de Cornell. Certamente uma música bonita, mas que não é aconselhável para se ouvir na bad.

Black Hole Sun – a faixa é, seguramente, a mais famosa da banda. Sua sonoridade esquisita foi feita para ser acompanhada do vídeo clipe (não menos estranho). A canção conta uma história sobre um lugar bizarro. A melodia da canção permanece, até hoje, sendo uma das coisas mais diferentes de se ouvir. Goste, ou não, é uma canção definitivamente singular.

Spoonman – com versos marcados por uma bateria marcante e riffs fáceis de cantarolar, essa é uma faixa animada do disco, com direito a gritos e um interlúdio de bateria e muito bom.

Limo Wreck – é outra música “sabática”, com uma bateria bastante marcada, alguns contratempos e, principalmente, riffs que têm poucas notas graves que dão um peso interessante numa melodia sinistra, enriquecendo “Superunknown”. Destaques ainda para os harmônicos naturais de guitarra da introdução (todo guitarrista gosta de ouvir isso). Além disso, a canção cresce em direção ao refrão e chega com muita potência.

The Day I Tried to Live – começando com uma guitarra que se emenda a uma bateria marcante  que se liga em um riff de guitarra simples. A música sobe até os berros do refrão. Certamente um grande momento do disco. Existem pequenas variações para o riff principal que fazem com que a música fique ainda mais interessante.

Kickstand – lembrando outras bandas grunge que apelavam para um som mais rápido e próximo do punk, essa canção é rápida, rasteira e direta. Provavelmente, a mais diferente do disco, mas que funciona muito bem.

Fresh Tendrils – aqui temos uma variação entre a voz mais suave e mais gritada de Cornell. Além disso a música tem um ritmo marcante, com versos bem marcados e boas variações.

4th of July – com um riff bem pesado numa melodia bastante depressiva essa também é uma música que chama bastante atenção pela influência do Black Sabbath. Além disso, os solos são muito legais e funcionam muito bem por causa da sua simplicidade.

Half – começando de maneira experimental também, com sons como de guitarra e uma vocalista feminina, essa também é uma canção singular para o disco. A canção acaba funcionando como uma ponte que faz a ligação com o a última música do disco.

Like Suicide – para fechar o disco, uma canção romântica de gosto duvidoso que compara o amor e o suicídio. Apesar da letra polêmica, a música tem uma melodia envolvente que apenas coroa uma performance vocal singular de Chris Cornell. Certamente, é um ótimo fechamento para o disco.

Muitas pessoas afirmam que os anos 90 foram ruins para o rock. Certamente essas pessoas não ouviram “Superunknown”, que tem diversidade, peso, polêmicas e muita qualidade. Certamente, uma das grandes obras do Soundgarden e um dos grandes legados de Chris Cornell para nós.


 

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