Resenha | Xeque-Mate (2006) – “No Final Tudo se Resolve”

Xeque-Mate

Nome: Xeque-Mate (“Lucky Number Slevin”)

Escritor: Jason Smilovic

Diretor: Paul McGuigan

Duração: 110 min

Ano: 2006

O cara certo na hora errada. Por muito tempo podemos dizer isso a respeito do personagem principal do filme Slevin Kelevra (Josh Hartnett), mas assim como o longa, perceberemos que esta resenha está com a ordem cronológica embaralhada. Iniciando novamente – desta vez do início – as primeiras cenas do filme mostram um esquema de apostas em cavalos, onde um cavalo dopado (que supostamente ganharia o páreo) sofre um acidente e perde a corrida, fazendo com que todos os apostadores perdessem seu dinheiro. Um deles perdeu a vida e a família.

Até aí, enredo normal de filmes de ação, porém, ao término dessa parte, “Xeque-Mate” nos transporta para outro ambiente completamente diferente, e com personagens até então desconhecidos, o que deixa o espectador um tanto perdido e desnorteado. Num terminal, Bruce Willis (até então sem nome, doravante Goodkat/Smith) mata um rapaz, aparentemente, sem motivo algum. Após isso, outro recorte mostra um homem de toalha e com o nariz quebrado, está aí o protagonista Slevin Kelevra. Ele encontra a graciosa e esquisita Lindsey (Lucy Liu) no apartamento de um tal de Nick Fisher, que passa o filme todo “desaparecido”.

Desenvolve-se aí, como não poderia deixar de haver, um romancezinho água com açúcar, que (ainda bem) não ocupa mais do filme do que deveria. Slevin conta sua história para Lindsey e eles ficam instigados com o “desaparecimento” de Nick Fisher. Depois da saída de Lindsey, gangsters pegam Slevin e levam-no até um homem chamado The Boss (O Chefe, ninguém menos que Morgan Freeman) lá uma proposta é feita ao protagonista “azarado” da história: matar o filho de outro chefão do crime para quitar uma dívida de 96 mil dólares. Importante lembrar que o nosso protagonista é extremamente azarado, pois tudo isso era endereçado a Nick Fisher, Slevin não pudera provar não ser Nick Fisher porque fora roubado mais cedo (um roubo estranho em que o assaltante só teria levado sua carteira).

Chegando novamente a casa de Nick, mais dois capangas (dessa vez, judeus) levam Slevin ao seu chefe, O Rabino (The Rabbi, Sir Ben Kingsley). Lá, Slevin é mais uma vez confundido com Nick, que tinha uma dívida de 33 mil dólares com O Rabino, que acaba por cobrá-la de Slevin equivocadamente. Essa sequência mostra uma característica muito interessante de “Xeque-Mate”, o ritmo dos acontecimentos é muito rápido, não há tempo para dispersão ou para comentar “nossa que chato”, isso prende quem assiste à história e instiga bastante. Os acontecimentos também não fazem muito sentido, isso gera um tom cômico que acaba prendendo o espectador, além disso, o protagonista é aparentemente o tipo de mocinho atraente, martirizado o filme todo, o que, além do próprio carisma do personagem (atuado com maestria), conquista o público.

Tocando o barco, Slevin decide o que fazer; primeiro, marcar um encontro com o filho gay do Rabino, o Fada (The Fairy); segundo, matá-lo; terceiro, dar um jeito na grana do Rabino. Enquanto tudo isso acontece, Mr, Goodkat (ou Smith, Bruce Willis, em brilhante atuação, mesmo com pouquíssimas falas) aparece aqui e ali, confundindo a história, visto que ele trabalha para os dois chefões.

Para surpresa geral, Slevin mata o Fada junto com Goodkat (os dois não haviam se encontrado ainda), depois Slevin vai acertar as contas com o Rabino. Daí em diante, tudo que não fazia sentido, tudo não se encaixava, começa a fazer sentido num final muito bem escrito e muito bem atuado. As histórias se encontram cronologicamente e descobrimos que, aquelas duas cenas desconexas no início de “Xeque-Mate” é que são os catalisadores de toda a história, pois Slevin é, na verdade, filho do rapaz que morreu no início por apostar no cavalo dopado que perdeu. Goodkat iria executá-lo, mas não o fez, Slevin e Goodkat são se não amigos, parceiros de longa data.

O rapaz que Goodkat mata na segunda cena do filme era Nick Fisher, escolhido para ser confundido de propósito com Slevin porque era um grande devedor dos dois chefes do crime. Desta maneira termina o filme, Slevin tem sua grande vingança maquiavelicamente executada e foge com a mocinha (esquecida do meio do filme para frente, ao final Goodkat tenta eliminá-la porque ela sabia demais, mas esse era outro plano de Slevin e ela permanece viva de forma surpreendente).

xeque-mate

Em suma, “Xeque-Mate” é excelente por se tratar de um filme de ação em que as atuações e o enredo são mais importantes que os efeitos especiais e explosões (que não poderiam faltar, mas são poucas e recriminadas pelos próprios personagens). Bruce Willis fala bem pouco, mas atua muito bem, é um coadjuvante extremamente necessário. Talvez a única coisa que tenha deixado a desejar é o fato de o envolvimento dos chefes com a aposta em cavalos não estar ressaltada quase em momento algum do início do filme para frente, deixando os que têm a memória curta meio perdidos em relação ao por que daquilo tudo. A participação da polícia como coadjuvantes também foi bastante escassa, haja vista que nem entraram na resenha e interferem quase nada para a sequência do filme.

Filme indicado a todos aqueles que sentem falta de filmes de ação com histórias bem escritas em vez do que se tem por aí hoje em dia.

 


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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.