Resenha: WALLS – Kings of Leon (2016)

Lançado em outubro de 2016, “WALLS” é o sétimo álbum de estúdio da banda nascida em meados de 2000 na cidade de Nashville. Sucessor de “Mechanical Bull” (2013), “WALLS” traz mais uma vez o som sempre seguro da banda, que às vezes soa como repetitivo por sempre emitir romantismo, seja na voz do vocalista e guitarrista Caleb Followill ou simplesmente com riffs grandes e lisos que te fazem viajar quilômetros de distância sem ao menos dar um passo. “WALLS” traz em 10 faixas, um disco relativamente curto, com músicas que vão direto ao ponto, sem muitas firulas de produção. Isso é devido ao produtor Markus Dravs (que trabalhou com Florence + The Machine e Arcade Fire), que com uma visão diferenciada, fez com que a banda voltasse com um álbum com menos peso e muito menos previsível.

WALLS
Ouça no Spotify

Primeiro single do álbum, Waste a Moment é poderosa, vibrante e empolgante. O som característico e familiar das guitarras elétricas faz uma menção às origens da banda. Possui um refrão agradável, daqueles que você tem vontade de aumentar o volume e cantar a plenos pulmões e backing vocals cheio de “woah oh oh’s”, bem ao estilo “Sex On Fire”. Em sequência temos Reverend, que com seu riff de guitarra ao fundo acompanhada pela voz suave de Caleb que traz uma suavidade sem deixar a peteca cair para a próxima canção – Around the World, terceiro single oficial do álbum. Essa traz o baixista Jared Followill com uma linha de baixo que realça toda a melodia bem flutuante, dando gosto de ouvir.

Find Me vem com uma batida pulsante e com bons efeitos de guitarra, enquanto sua sucessora, Over, soa como uma “pausa” no álbum, com seu ritmo menos pulsante que se arrasta por mais de 6 minutos. Uma levada mais sombria, com batidas repetitivas, com ritmos ecoando o tempo inteiro – soando quase que como “Everything Is Wrong” da Interpol. As faixas seguintes, Muchacho e Conversation Piece, respectivamente, são aquelas que você imagina o show com um estádio lotado, luzes totalmente apagadas e um mar de celulares acesos acompanhados do coro da multidão. São baladas mais cruas em produção quando comparadas às outras faixas do álbum.

Resultado de imagem para walls kings of leon cover

Saindo da leveza das anteriores temos Eyes On You, a qual traz uma batida característica da banda e nos remete novamente ao pop. Possui também um refrão chiclete, mas nada comparado aos “woah oh oh’s” de “Waste a Moment”. Wild faz novamente a ponte da agitação para a calmaria (mas nem tanto). A calmaria final fica por conta do segundo single e que dá título ao álbum. WALLS vem acompanhada de um solo de piano com pitadas de uma guitarra acústica que evidencia traços melancólicos da canção. Apesar disso, está longe de ser aquela canção para fechar o álbum com chave de ouro (mas nem por isso merece descrédito).

Sem nenhuma mudança radical, “WALLS” traz um Kings of Leon tentando inovar mesmo que esbarrando numa zona de conforto e seguridade sonora que já são características da banda.

The following two tabs change content below.
Do cult popular ao pop culto: PontoJão é o lugar para você ir além do senso-comum. Seu ponto além da curva.