Resenha: Vingadores: Guerra Infinita (2018) é o filme que você esperava

Uma trilha é especialmente valorizada se a vista ao final dela vale a pena, de forma que chegamos ao décimo-nono filme da Marvel com a ansiedade de uma criança que busca o horizonte final de sua viagem. É assim que “Vingadores: Guerra Infinita” enfrenta dez anos de expectativa com força e qualidade, dirimindo as dúvidas dos críticos e entregando o que os fãs esperavam. Com um ritmo intenso, mesmo que com fluidez inconstante, o longa é um grande sucesso, consolidando um ano histórico para o estúdio no cinema.

Título: Vingadores: Guerra Infinita (“Avengers: Infinity War“)

Direção: Anthony & Joe Russo

Ano: 2018

Pipocas: 9/10

Aqui Thanos (Josh Brolin) desistiu de mandar outros vilões para cumprir seu plano e assumiu as rédeas da situação. Com a ajuda de seus quatro Filhos, o Titã Louco parte em busca das Joias do Infinito que faltam para completar sua Manopla e ganhar controle absoluto sobre a realidade. Com todo o universo posto em risco, herois de todos os cantos vão se encontrar e se unir, mesmo que de formas improváveis, para enfrentar o maior inimigo que o cosmos já viu.

Talvez “inimigo” seja melhor posto entre aspas. A maior conquista de “Guerra Infinita” é colocar Thanos como seu protagonista, mesmo sendo vilão, enquanto se aprofunda em suas motivações e principalmente em seu relacionamento com sua filha adotiva favorita, Gamora (Zoe Saldana). Se anteriormente a Marvel era apedrejada por ter antagonistas superficiais, aqui ela demonstra ter escutado essas críticas, criando um Thanos com o qual somos capazes mesmo de simpatizar enquanto ele dizima populações inteiras. Um trunfo louvável na construção daquele que já é o vilão mais significativo desta década do cinema.

guerra infinita

Também comumente criticado na “fórmula Marvel”, o humor cumpre um papel fundamental de dar fôlego entre as sequências de ação, praticamente ininterruptas, de forma que “alívio cômico” é uma expressão muito bem utilizada. Além de ser um respiro necessário, ele também auxilia em diminuir o impacto negativo de se ter tantos personagens simultaneamente. O longa faz um esforço homérico para distribuir o tempo de tela de maneira equilibrada, tendo sucesso nesse ponto, mas caindo no problema inevitável de ter uma trama trincada. Durante a primeira metade do filme, é fácil esquecermos o que estava acontecendo com aquele heroi que já não víamos há vinte minutos, já que tanta coisa se passou desde então.

Ainda assim, se for para definir “Guerra Infinita” em um termo único, este seria “maturidade”. Da mesma forma que a Marvel Studios tem pleno controle da sua fórmula após esta década de lançamentos, seus herois também estão em seu ápice: não há mais conflito interno ou espaço para dúvidas. Eles sabem quem são, quais são seus propósitos e como agir. Isto faz com que a história possa focar na interação, também madura, entre eles com uma solidez invejável para qualquer estúdio que já tentou fazer filme de superheroi antes.

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Na verdade, este longa é tão constante e seguro de si que consegue conduzir o espectador à sensação de que tudo o que a Marvel fez antes foi fruto de um plano calculado e executado à perfeição. Mesmo os erros que cometeu, como a dita covardia em “Guerra Civil”, agora parecem colaborar para que “Guerra Infinita” seja um filme ainda mais poderoso e apoteótico. Quando um longa é bom ao ponto de melhorar capítulos anteriores de sua franquia, você sabe que ele foi um estrondoso acerto.

Assim, fica patente que “Vingadores: Guerra Infinita” é um sucesso em todos os aspectos possíveis, sendo inevitável que sua bilheteria também entre para a história. Somado à “Pantera Negra”, ele consolida um ano até agora perfeito para a Marvel, com o mérito de não ser baseado somente em expectativa exacerbada, mas de fato entregando um produto à altura dos anseios dos fãs.


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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.