Resenha | Verdade ou Desafio (2018) – genericamente eficiente

Olhando para o subgênero slasher é possível observar as diferenças de ideias distribuídas para que de algum jeito, por mais estranhas – O Carrasco para sempre será lembrado por isso – que sejam, venham manter a chama do gênero acesa. Um bom e bem-sucedido exemplo disso fica a cargo do recente “A Morte Te Dá Parabéns” – com uma sequência garantida para o ano que vem, prometendo ser uma prequela. No geral, a variedade no terror sofre para realmente honrar o gênero da melhor maneira possível, e quando é muito difícil se obter um feito como de “Ao Cair da Noite“, “A Bruxa” e o arrebatador “Hereditário“, o terror cai na mesmice sem nenhuma vergonha na cara, forçando para a passar a ideia de novidade. A nova isca aqui é “Verdade ou Desafio”, longa esse que não poupou o exagero, fazendo uma jogada genérica, que acabou sendo eficiente.

 

 

Título: Verdade ou Desafio (“Truth or Dare“)

Diretor: Jeff Hadlow

Ano: 2018

Pipocas: 5/10

Só se pode apreciar a arte pela maneira que ela se oferece e fala com você. Não adianta nem mesmo tentar convencer argumentando a sua perspectiva e a sensação transmitida, se o efeito não foi igual para com o outro, não vale a pena a divergência por falta de concordância de opinião. Por isso, a belíssima Sétima Arte em suas composições, tem como carinho usar algo que faz ou fez parte de nós para que, de algum jeito, o telespectador se conecte com a história apresentada. O brinquedo por exemplo, já foi usado para falar da infância, assim como para causar pânico graças ao desgraçado do boneco Chucky, que teve direito a uma noiva e filho (e agora ganhou uma série e um remake… MEU DEUS, ALGUÉM PARA ESSE BONECO!).

O nome verdade ou desafio não é desconhecido para você, não é mesmo? Quem nunca brincou, fazendo das perguntas e desafios bobos aos complicados só por um pouco de diversão? Pensando exatamente nisso, de tudo e muito mais que foi usado nos filmes de terror, por que não utilizar de um simples jogo e fazer algo macabro para o público? E para ficar ainda melhor, já que o apelo é bem teen, porque não apostar numa trama adolescente para mover esse jogo que promete ser aterrorizante? “Hm, tá ficando bom, hein, mas o que dá para acrescentar? Há tantos filmes de terror teens que servem como inspiração…” Qualquer um? “Tenta um com maldição.” Pode um slasher? “Não, a proposta não é essa”. Ok, maldição então…

Verdade ou Desafio

Não faço ideia de como essa descrição soou, mas assistindo ao filme, a sensação que fica é “que diabos de confusão você parou para a assistir?”. “Verdade ou Desafio” se apoiou no simples jogo de mesmo nome para trabalhar sobre uma maldição que recai nos jovens amigos que inocentemente iniciaram uma partida, não sabendo que pagariam com a vida caso deixassem de falar a verdade ou cumprir o desafio. Até aí, nada de errado para se compreender a trama, o problema é o que acontece no caminho traçado e a maneira que tudo foi conduzido nessa história bizarra de terror.

Chega a irritar como o filme começa estranho e se mantém na rota estranha sem nem ao mesmo subverter a narrativa e apresentar algum aspecto relevante. Um dos maiores engasgos e tropeços que uma obra poderia cometer é não acertar nos personagens, o que “Verdade ou Desafio” fez – ou “não fez”. Apesar do longa ser composto por um elenco talentoso e de atuações dentro do que o roteiro pede, as personalidades dos personagens não agradam em momento algum e nem mesmo as suas histórias são interessantes.

E para completar o desastre, é perceptível o quanto a protagonista Olivia (Lucy Hale) não funcionou desde a primeira aparição em tela por ser o tipo de personagem responsável pelo que irá se suceder com os personagens. Não bastando isso, Olivia simplesmente é o porre de figura que automaticamente entende tudo, até o que não é dito. Isso mesmo, a moça fica no “blá blá blá” de explicar a mitologia da trama com palavras quebradas, visto que adquiriu um entendimento diferenciado assim que desencadeou a maldição – ou esses tipos de personagens recebem páginas extras do roteiro?

Mesmo com o “lenga lenga”, “Verdade ou Desafio” não deixa de tentar demonstrar que tem um diferencial para destacar a película, mas apesar dos esforços, a impressão que fica é que a bizarrice é o que move o filme – e não num bom sentido. Tendo já o fator genérico estabelecido e assumido no longa, fica evidente que foi proposital para no fim obter o ponto forte na essência do jogo em favor do terror. O resultado esbanja o quanto Jeff Hadlow exagerou em vários elementos a fim de causar impacto e chocar o telespectador. Mas como alcançar um feito convincente se nem mesmo o ato se leva a sério eliminando a lógica e humanidade dos personagens? O que passa a ter efeito direto em quem assiste, visto que o longa não passa empatia.

é CGI ou é muito CGI?

O que se poderia extrair desse jogo fraco, que parece ser corriqueiro demais a ponto de não bater de frente de verdade com os acontecimentos, seria conseguir brincar com os personagens e fazê-los expor as mentiras e as omissões que os corroem, mas longe disso, preferiam viver a base das aparências e hipocrisia para que as coisas continuassem “bem” do jeito que estavam.

“Verdade ou Desafio” é mais um exemplo de que quando há falta criatividade, nem mesmo utilizando do velho para introduzir um novo conceito, o terror vai valer a pena. Genérico, confuso, inconstante e abarrotado, assim se resume o filme. E diante de tantos aspectos que o tornam ruim, o longa foi eficiente por não ser chato em momento algum. No final, a consequência do jogo foi conseguir prender a atenção sem esforço.

 


Gostou do texto? Gosta de escrever também? Seja um colaborador do PontoJão! Entre em contato conosco pelo Twitter ou mande um e-mail para contato@pontojao.com.br

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.