Resenha | Venom (2018) – uma aventura com geleca amoeba

Mesmo já tendo uma aparição no universo Homem-Aranha nos cinemas, não voltamos a ver mesma história já contada. Tendo nova oportunidade num universo próprio, a nova aposta para Venom, um dos principais inimigos do Homem-Aranha, foi concebida envolta numa maré de incredulidade. Dividindo opiniões – elogiado pelo público e hostilizado pela crítica especializada – o longa já caiu na lista de piores filmes do ano. Verdade seja dita, “Venom” é um filme com problemas, mas que, se não for levado a sério, pode ser muitíssimo aproveitado.

Título: Venom

Dirigido por: Ruben Fleischer

Ano: 2018

Pipocas: 5,5/10

 

Rapidamente estabelecida, a trama segue Eddie Brock (Tom Hardy), um jornalista bem-sucedido profissionalmente e amorosamente – com Anne Weying (Michelle Williams). Eddie põe tudo a perder depois que usa informações obtidas de maneiras inapropriadas para expor em uma entrevista o pesquisador e criador da Fundação Vida, Carlton Drake (Riz Ahmed.). Seis meses depois, em meio a frustração, Eddie parece obter uma nova informação que poderá mudar tudo – e encontrar a geleia amoeba que precisava para se levantar.

Ainda que o longa não tenha se baseado mais uma vez na primeira aparição de Venom nos quadrinhos, é notável a inspiração de Fleischer em vários arcos conhecidos das HQs para complementar o filme. Mas nada impediu que a premissa caisse na costura de outros versos batidos de histórias de “super-heróis” descobrindo que possuem poderes.

Nisso, acontece aquela coisa do homem comum explodir com as descobertas e enquanto é caçado, destrói tudo no caminho e se esbarra em aventuras mirabolantes que nunca imaginaria passar. E por mais que tenha cenas exageradas de ação, confusão, bagunça e detalhes que tentam dar outro toque para a história, a ideia volta a cair na fórmula repetida, deixando o filme num lugar comum.

Embora a ação que faz parte do filme não seja um diferencial importante, há fatores que funcionam e não tornam o filme um desperdício. Dirigindo séries de comédias como “Marry Me”, “Superstore” e “Santa Clarita Diet”, e filmes como “Zumbilândia”, o humor se tornou um aspecto fundamental e bem aproveitado por Fleischer em “Venom”. Mesmo que a solução usada para Eddie Brock experimentar as habilidades do “parasita” que habita seu corpo seja genérica, é impossível não se divertir com estilo descontraído e debochado com que o longa se desenrola.

Venom

O melhor desse humor com certeza se deve a relação entre Eddie e o simbionte, que funciona de um jeito inesperado, mas que eleva o filme para um patamar que parecia improvável – até mesmo para o lado trash – quando tudo indicava que seria ruim de verdade. No final, “Venom” termina sendo um filme que acerta na personalidade do protagonista, mas que não permite o roteiro vá além do óbvio.

Com efeitos “meia-boca” e cenas de monstros em CGI que não empolgam, “Venom” parece um filme feito às pressas, mas que consegue ser divertido. Com Tom Hardy tendo assinado contrato para uma trilogia, boa bilheteria e uma cena pós-créditos mais mastigada e alarmante impossível, resta esperar se Venom terá sequências mais sólidas ou continuará rindo de si.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.