Resenha: Triplicate – Bob Dylan (2017): uma versão do melhor para as melhores

No final de 2016, os dinossauros dos Rolling Stones saíram da caverna com um disco de covers debaixo do braço chamado Blue & Lonesome que sem dúvida alguma, foi um dos grandes lançamentos do ano. Agora, em 2017, outro dinossauro seguiu o mesmo caminho. Isso porque, o icônico – e laureado – cantor e compositor americano Bob Dylan fechou o mês de março lançando o seu mais novo trabalho intitulado Triplicate.

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Como o próprio nome sugere, Triplicate, é um álbum triplo – e o primeiro da carreira de Dylan. Isso mesmo. Um é pouco, dois é bom, três é Dylan! Um disco que marca um tremendo mergulho do cantor por um “catálogo” dos maiores clássicos da música americana, sendo que grande parte deles, com muito sucesso na primeira metade do século XX.

Produzido por Jack Frost, Triplicate é dividido em três discos (Til the Sun Goes Down, Devil Dolls e Comin’ Home Late) contendo dez músicas cada, entre elas sucessos de Charles Strouse, Lee Adams e Frank Sinatra. Embora seja o primeiro álbum triplo da carreira de Dylan, essa não é a primeira vez que ele se aventura na releitura de clássicos. Assim foi com Shadows In The Night (2015), onde regravou somente canções de Frank Sinatra, e também o caso de Fallen Angels (2016).

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Bom, obra apresentada, vamos aos comentários de cada disco que contempla esse álbum.

TIL THE SUN GOES DOWN
Tirando I Guess I’ll Have to Change my Plans e Trade Winds, músicas que abrem e fecham o disco, respectivamente, o resto do disco tem certa rusticidade e um som mais cru. Merecido destaque para duas músicas que, com a repaginada de Dylan, ficaram excepcionais: September of My Years e Stormy Weather. A primeira contando com uma voz rouca de Dylan bem postada e com um arranjo totalmente diferente do estilo mais clássico de Sinatra na versão original, enquanto a segunda, que em sua versão original de Harold Arlen e Ted Koehler possui aquele arranjo típico de jazz raiz, teve uma versão mais arrastada e com vocais suaves de Dylan.

DEVIL DOLLS
A exemplo do primeiro disco que abre essa trilogia, Devil Dolls começa com uma empolgante Braggin’ e segue uma linha mais suave musicalmente falando se comparado a Til the Sun Goes Down. Mesmo sem muitas variações sonoras, percebe-se um som menos rústico, e vocais mais limpos, apesar de que em algum momentos, eles aparecem de uma maneira arrastada, como por exemplo na música But Beautiful. Merecido destaque para a música pertencente à trilha sonora do clássico Casablanca (1942), As Time Goes By.

COMIN’ HOME LATE
Com a mesma pegada de Devil Dolls, o disco que fecha essa trilogia também começa com uma Day In, Day Out que destoa das demais por seu ritmo mais dançante. You Go to My Head marca o ponto mais ralentado do disco, mas nem por isso deixa de ser uma boa música. Stardustque não tem nada a ver com o camaleão Bowie – consegue recuperar a baixa dada por You Go to My Head com um bom instrumental e uma bela interpretação vocal de Dylan.

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Assim como foi com os Rolling Stones, Triplicate não é um álbum simplesmente de covers, mas sim um álbum de canções clássicas da música americana regravadas por um Bob Dylan imprimindo sua marca, seja ela na questão dos arranjos ou em suas interpretações vocais que apesar de poucas variações nesse disco, mostrando que o bom e velho Dylan ainda tem muita lenha para queimar e está em plena forma para se adaptar tanto nas notas mais graves quanto nas mais suaves.

Apesar de parecer um disco linear e simples, Triplicate nos mostra que o velho Dylan faz do passado o seu tempo presente e que ainda é capaz de provocar e despertar emoções da mesma maneira de sempre.

Nota: 9,0/10
Aumenta o volume: September of My Years, As Time Goes By e Stardust
Abaixa o volume: Isso não se faz necessário nesse álbum.

Gostou do álbum? Achou que a nota dada foi justa e coerente com o que foi apresentado? Seja qual for o seu comentário, vem com a gente no nosso “grupo secreto” lá no Facebook.

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