Resenha | Toy Story 4 (2019): buscando um novo norte

Em algum momento, é natural surgir perante as continuações de franquias uma pergunta justa: até onde dá para esticar? Lançado em 2010, “Toy Story 3” entregou um final satisfatório que parecia não ter mais nada para contar, mas voltando depois de 9 anos, o prestigiado mundo dos brinquedos traz uma nova aventura e, apesar da trivialidade, consegue emocionar.

Toy Story 4 resenha

Título: Toy Story 4 (“Toy Story 4”)
Ano: 2019
Direção: Josh Cooley
Pipocas: 8/10

Acompanhando o lar da pequena Bonnie (Madeleine McGraw), sua nova dona, Woody (Tom Hanks) apresenta aos amigos o recente brinquedo criado pela garota: um garfo. O apego da menininha é inegável, por isso, quando o objeto foge por não se identificar como um divertimento, o cowboy de pano decide partir em busca para trazer o chamado Garfinho de volta. No caminho, reencontra antigas alianças e se envolve em altos perigos.

No primeiro momento, é nítido que a quarta animação da franquia se desenvolve por um lugar comum que tanto vimos nos títulos anteriores. Ver a fórmula rodar impulsionando o que os personagens iriam enfrentar foi como ter a sensação de uma história já contada sendo revisitada sem muitas surpresas aparentes.

Toy Story 4 crítica

Contudo, o que fez de “Toy Story 4” um feito louvável foi a capacidade de se reinventar sem abandonar a sua essência. Foi necessário desconstruir um pouco, sair do comodismo e mostrar que abrir mão não é tão ruim quando se tem muita boa energia e emoção preenchendo essa narrativa que cativa facilmente. 

Aplicando um humor muito bem-vindo, a direção de Josh Cooley equilibra os traços sombrios e dramáticos que moldam o caráter dos brinquedos. Da mesma maneira, torna especial a introdução de novos personagens que, mesmo que para o alívio cômico, ganham espaço e relevância dentro da trama. 

De um jeito harmonioso, o quarto filme dos brinquedos foi o que mais se aproveitou da comédia para entregar um efeito contagiante e envolvente para o público, bailando num timing perfeito que não destoa das nuances de bagagens diferentes em que o longa flutua. Um feito inesperado foi apostar em um protagonismo diferente do que estamos acostumados, sendo assim, se afastar da habitual figura de Woody, possibilitou uma ótica para a representatividade feminina ao encaixar uma líder forte na personagem de Bo Peep (Annie Potts).

Toy Story 4

“Toy Story 4” é isso: sem muita apelação consegue alternar entre o humor e o comovente, de maneira tocante. Em meio aos risos, e às lágrimas, a película sai do conforto a fim de dar um novo norte para a história e os personagens, abraçando um diferencial importante que impacta, mas também se mostra necessário para que ainda possa ter fôlego para continuar a explorar o curioso mundo dos brinquedos.

Para o que parecia permanecer no mesmo ponto sem se sobressair, a trama de Woody e os amigos cumpre o seu papel de trazer um frescor para a franquia e apontar que há janelas que podem ser exploradas, isso, se tudo zelar pelo valor da amizade e o que há de belo em poder alegrar o coração de alguém. Desapegar nunca foi tão emotivo e magnífico. 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.