Resenha | The 100 – 5ª Temporada (2018) – o que fazemos para sobreviver

Com certeza, “The 100” é uma série com um histórico curioso a ser observado. Baseada no primeiro livro de Kass Morgan “The 100 – Os Escolhidos”, a primeira temporada abriu com um piloto interessante envolto numa trama sci-fi, porém,, repleta de ares adolescentes, ainda mais por pertencer ao CW. O que tivemos no ano de estreia foi tudo o que uma obra teen pede – sem deixar esquecer do manjado triângulo amoroso. No entanto, quando as apostas teens foram diminuindo, “The 100” brilhava de outro jeito e provava que existia potencial no enredo dos cem jovens delinquentes que foram enviados como cobaias para a terra para saber se era habitável novamente, pois a vida em espaçonaves estava morrendo.

Título: The 100

Ano: 2018

Criador: Jason Rothenberg

Estrelas: 5/5

Este texto contém spoilers

No segundo ano do show, o público pôde acompanhar algo totalmente novo com uma trama que crescia episódio após episódio, subvertendo os personagens e retirando tudo o que poderia ser empecilho. A terceira temporada começou mantendo o nível de qualidade que a série havia alcançado, porém, no meio do bom caminho que traçava, apresentou o que viria a marcar uma polêmica: a morte de uma querida personagem. O público bem sabe que “The 100” nunca se acovardou para mostrar um massacre e muito menos se desfazer de personagens, mas a maneira que Lexa (Alycia Debnam-Carey) foi morta, pareceu covarde. O que veio a seguir, foram as diversas declarações vindas do elenco sobre os bastidores da série, escancarando as portas para mais polêmicas.

Lexa.

Apesar das polêmicas e por arrastar a trama em episódios desnecessários, a terceira temporada findou de um jeito intrigante: a Terra habitável se acabaria em seis meses. Mas nem mesmo com esse gancho o seu quarto ano teve um bom proveito. Enquanto as ameaças da Terra surgiam para assombrar os personagens, os mesmos sofriam com a decadência em suas personalidades. Ainda assim, o final da temporada indicou uma nova narrativa para a série, resgatando a esperança de que ainda haveria algo de bom em “The 100”.

Com uma parte abrigada num bunker, outra teve que voltar para o espaço, enquanto Clarke (Eliza Taylor) ficou na Terra para assegurar que os seus amigos escapariam em segurança, assim se sacrificando por eles. Seis anos depois que a Terra foi mais uma vez destruída, tendo Clarke sobrevivido à desolação e agora com a companhia de uma criança,  Madi (Lola Flanery, de “The Mist”), a sua paz estava prestes a acabar com a chegada de uma espaçonave desconhecida com prisioneiros – liderada por Diyoza (Ivana Milicevic) – buscando um lugar habitável para ficar. A essa altura do campeonato, “The 100” precisava resgatar o seu potencial. Longe dos altos e baixos que acompanhamos a partir da terceira temporada, nesse novo ano tivemos um dos melhores desenvolvimentos da série – que não vimos desde os eventos em Mount Weather.

A novidade para com a narrativa da série veio a ser um elemento certeiro, conduzido a atração num curso inesperado. Sem pressa alguma, ficamos a par do que levou os personagens à situação que se encontravam. Começando com Clarke – obviamente –, foi uma maneira desafiadora mostrar como foi para a personagem passar meses sozinha no que restou da Terra, sem nem ao menos conseguir contatar os entes que estavam no bunker, até encontrar a pequena Madi, investindo em sua maternidade. Só com essa abertura de temporada, podemos ter um vislumbre do quão pessoal seria a abordagem, destacando a caracterização dos personagens que aprendemos amar e odiar.

Diyoza.

Em seguida, ficamos frente a frente com a Rainha Vermelha, ou como costumava ser, Octavia (Marie Avgeropoulos). Aqui vai o crédito de uma das mudanças mais radicais, assustadoras e impressionantes que a série poderia ter. Perante a pressão que tivera para ser líder de um povo obstinado e dividido, Octavia teve que ganhar o temor, respeito e fidelidade à base da espada contra os que decidiam não pertencer ao povo de Wonkru. O que começou como uma forma de ministrar liderança, passou a promover disputas até a morte entre os que traíam a sua figura de líder.

Com Bellamy (Bob Morley) e companhia se conectando à trama, o terreno estava pronto para estabelecer o conflito da temporada: enquanto uns esperavam por guerra, outros apenas queriam um acordo para que todos pudessem repartir o único pedaço de terra habitável disponível. A possibilidade de conviverem em paz estava longe de acontecer, já que a divergência do que queriam só aumentava.

Octavia, a Rainha Vermelha.

“The 100” é mais um daqueles casos de quanto mais se repete a fórmula, não há desgaste aparente que desmereça o seu potencial. Tendo altos e baixos ou não, o que show sempre explorou muito bem foi o conflito entre os personagens em nome do que tinha mais em comum: a sobrevivência. Assim como a segunda temporada, mais uma vez pudemos contemplar a série subvertendo papéis com firmeza, elevando a trama ao seu melhor.

Dessa vez, a temporada não deu espaço para apontarmos para heróis ou vilões, tudo o que fizeram foi pensando na verdade que defendiam e acreditavam, por mais que isso significasse ver os nossos mocinhos sendo traidores cruéis e em decadência emocional e física. Falar sobre sobrevivência não é novidade para a série, mas o roteiro de “The 100” sabe dominar essa temática sem afrouxar, mantendo o show numa qualidade empolgante e satisfatória.

Clarke e Madi.

Como não poderia deixar de ser, mais uma guerra com direito a massacre estava à porta, mas até lá, o maior feito de “The 100” nesse quinto ano foi sobre o que fez o seu público sentir vendo as figuras conhecidas dos personagens se descaracterizando à medida que tudo se intensificava, e semana após semana sem dar pausa para respirarmos. Quem diria que a série iria se despir da grande imagem de líder que Clarke construiu? Quem diria que Bellamy e Octavia iriam se odiar a ponto da morte de um ser uma solução cabível por conta do desamor de outro? Quem diria que o peso da liderança de Octavia se tornaria um descontentamento por seu povo não reconhecer o que ela fez para salvá-los, acrescentando a revolta por carregar toda a culpa?

Até onde podemos ir para sobrevivermos ao caos e toda guerra? O que importa sermos hipócritas e cruéis se quem amamos ficará bem? Do que adianta tanta guerra se no final só queremos sobreviver e podemos nos unir para esse propósito? Com muito fôlego, por mais que pareça repetitivo falar sobre, “The 100” se colocou mais uma vez a debater esse difícil dilema que é sobreviver à guerra contra nós mesmos e o zelo por quem nos importamos. O melhor que podemos fazer, é pegar todas as experiências de perdas e dores e nos tornamos pessoas melhores.

the 100
Clarke e Bellamy, 5×13.

Finalizando com uma temporada turbulenta e conturbada, quando não poderia mais acontecer, “The 100” vem e faz de novo… Sim, a terra foi mais uma vez destruída. Mas como supracitado, a série se sustenta e sabe fazer de uma maneira que não desgasta, e foi dando adeus a um velho capítulo de um jeito épico e triste, que pôde indicar um recomeço empolgante para o futuro da série. Com a sexta temporada já confirmada para o ano que vem e boatos sobre possível sétima temporada, o que teremos a discutir sobre a sobrevivência?

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.