Resenha: Spirit – Depeche Mode (2017)

Vamos pegar uma caneta, tirar aquela lista dos álbuns que queremos ouvir em 2017 do bolso e riscar mais um nome. Isso porque o nome a ser riscado dessa vez é do trio britânico de synthrock Depeche Mode. Intitulado Spirit, o décimo quarto trabalho de estúdio da banda vem com 12 faixas e provando que, apesar do tempo de estrada, Dave Gahan, Martin Gore e Andrew Fletcher, ainda estão em ótima forma.

Spirit - Depeche Mode

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Produzido por James Ford (Arctic Monkeys, Florence + the Machine), Spirit é um álbum com uma atmosfera densa, fria e robótica e mostra que mesmo com os mesmos elementos de sempre, temos um Depeche Mode atemporal que nos faz viajar no seu mundo de sintetizadores. A arte da capa – que casa perfeitamente com o contexto do álbum – fica por conta do fotógrafo holandês Anton Corbijn.

Spirit - Depeche Mode

Álbum devidamente apresentado, vamos ao faixa a faixa.

GOING BACKWARDS
Logo de cara uma música bem pesada, com um clima sombrio que faz duras críticas em relação aos rumos que a humanidade tem tomado depois de acontecimentos recentes. “Não temos evoluído, não temos respeito, perdemos o controle”. Pessimismo talvez? Ou seria isso a mais pura realidade? Não sei ao certo, mas que é uma bela canção para a abertura de um disco isso é.

WHERE’S THE REVOLUTION
Primeiro single lançado antes de ser revelado todo o álbum, vem com uma forte crítica política. Um trecho da música deixa isso muito evidente: “Quem está tomando suas decisões, você ou sua religião? Seu governo? Seu país?”. Com uma atmosfera característica tendo o ápice no refrão onde se questionam onde está a revolução. Essa é aquela música que faz o álbum valer a pena e que nos faz entender o contexto da arte da capa perfeitamente.

THE WORST CRIME
Um clima sombrio, triste, tenso e melancólico, faz de The Worst Crime um ponto mais calmo depois das duas pedradas iniciais. Com uma guitarra simples, porém arrastada e um vocal quase que declamando a música tem seu clímax no refrão com a crescente da bateria, mas sem perder sua forma linear.

SCUM
Quando o assunto é música eletrônica, o Depeche Mode faz questão de mostrar porque são reis nesse assunto. Scum mostra bem isso com suas batidas eletrônicas, vocais distorcidos e outros tantos elementos, provando que quem manda na terra dos sintetizadores são eles e ninguém mais.

YOU MOVE
É aquela música que “já que está gravada, vamos colocar no álbum”. Uma música que apesar de algumas poucas variações, peca na repetição maçante da frase “I like the way you move”.

COVER ME

Aquele eletrônico com uma vibe totalmente psicodélica digna de um Pink Floyd, essa é Cover Me. Uma música arrastada, mas que te prende tamanho o envolvimento que as batidas e variações que a música possui ao longo de seus quase cinco minutos. Em certo ponto, remete também ao clima de Stranger Things em seu tema de abertura.

Spirit - Depeche Mode

ETERNAL
Uma música curta, porém direta e reta. Sombria, passa a mensagem de amor, mesmo que as circunstâncias não sejam das mais favoráveis.

POISON HEART
Da Poison Heart dos Ramones a semelhança é somente no nome. Uma música obscura, arrastada que nada tem de extraordinário, mas não deixa de ser uma canção agradável aos ouvidos.

SO MUCH LOVE
Batidas fortes e compassadas, sintetizadores numa dose certa, guitarras distorcidas bem ao estilo industrial, fazem de So Much Love uma música que destoa da vibe pesada e densa. Com um refrão melódico e chiclete, é um dos pontos fortes do álbum. Destaque para o fim, que tem a batida interrompida bruscamente sem nem pedir licença.

POORMAN
Os sintetizadores simples e calmos do início, muito remetem às trilhas sonoras dos games de antigamente, e são a porta de entrada para uma música que no seu decorrer forma uma massa sonora muito agradável com duras críticas as corporações que lucram indevidamente em cima de seus empregados.

NO MORE (THIS IS THE LAST TIME)
Uma música leve, com efeitos que deixam o vocal abafado. Tem um clima agradável. É aquela música que é neutra no contexto. Não é um grande acerto, mas também não é um erro que mancha o disco inteiro.

FAIL
Se o clima de obscuridade foi o escolhido para o álbum, Fail tem muito disso e fecha o disco de uma maneira agradável. Se falta densidade no instrumental, na letra sobra pessimismo e a sensação de como somos falhos perante a tudo que nos cerca e também como nossas tentativas de mudança por muitas vezes são tentativas vazias.

Spirit como dito anteriormente é um álbum denso e frio, mas que mostra um Depeche Mode antenado nos diversos acontecimentos espalhados pelo mundo. Mesmo que o foco da banda seja os sintetizadores e o eletrônico, fizeram uma boa utilização de elementos ou variações musicais que casaram muito bem que como resultado, teve um álbum intrigante, mostrando que a velha forma sempre funciona e que em relação ao contexto histórico presente, tem um longo prazo de validade.

Nota: 9,0 / 10
Aumenta o volume: Going Backwards, Where’s The Revolution e So Much Love
Abaixa o volume: You Move

Gostou do álbum? Achou que a nota dada foi justa e coerente com o que foi apresentado? Seja qual for o seu comentário, vem com a gente no nosso “grupo secreto” lá no Facebook.

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