Resenha | Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (2018) – e sem graça

Marcado para estrear em agosto deste ano, depois de todos materiais divulgados, o longa se viu envolto numa polêmica de manter a Sony como distribuidora, uma vez que a empresa acreditava que o terror tinha potencial para alcançar o público aos poucos, enquanto os produtores viam mais potencial em chamar a atenção do público com mais força. Para o alívio dos fãs e amantes de terror, felizmente o filme pôde enfim ser lançado nos cinemas. O problema é que, após tanto “potencial” estimado, “Slender Man: Pesadelo Sem Rosto” ofusca a pouca luz que tinha e se define como uma perda de tempo.

Título: Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (“Slender Man”)

Dirigido por: Sylvain White

Ano: 2018

Pipocas: 4/10

 

Sem dúvidas, “Slender Man” é um fruto de quando as lendas urbanas da Internet -as chamadas creepypastas – ganharam força. Criada em 2009 para um concurso de imagens assustadoras, por Victor Surge (pseudônimo para Eric Knudsen), o personagem impressionou até o próprio autor, que não acreditou que sua montagem tomaria tamanhas proporções, a ponto do homem alto, magro, vestido de terno preto e com braços finos se tornar uma figura protagonista de um jogo em 2012, de um found footage , um filme em 2015 e um documentário em 2016, até chegar aqui, na recente adaptação para os cinemas.

A trama de Slender Man se inicia depois que as amigas Wren (Joey King, de “A Barraca de Beijo”), Hallie (Julia Goldani Telles), Chloe (Jaz Sinclair de “The Vampire Diaries“) e Kathie (Annalise Basso de “Capitão Fantástico”) ouvem falar no Slender Man, e fazem um ritual assistindo a um vídeo online para invocá-lo. A amizade do quarteto é abalada quando Katie desaparece, levando as três amigas a investigarem o misterioso caso, já que nem mesmo a polícia obtém êxito nessas tramas adolescentes. A partir daí, uma onda de experiência sobrenaturais e bizarras se sucedem, questionando a sanidade das garotas.

Quando as amigas fazem o ritual através de um site, é inevitável ter a impressão de que o filme está focando no público contemporâneo, que se entretém na internet, para dar a partida ás motivações da entidade. Mas é na atualizada abordagem de invocação que o roteiro estabelece as questões sociais que quer debater: o perigo da web.

O mais curioso é como os trinta minutos iniciais do filme conseguem ser interessantes e realmente indicar que há um potencial muito bom para ser explorado. Pena que as aparências enganam, e o que estava indo tão bem encontra o terror de se perder na trama oca e de sustos fáceis que não levam a lugar algum. A ideia por trás do declínio físico, mental e social para as amigas é a metáfora envolvendo o Slender Man e a internet e como o medo do desconhecido toma proporções irreparáveis, e isso fica bem claro durante cada sacada utilizada para demonstrar esses impactos.

slender man

A decepção e frustração vem à tona quando percebemos o quanto a história não está mais interessante, o que estava bom ficou maçante e entregue aos clichês e saídas tradicionais. Nisso, todos os efeitos, tons sombrios e utensílios da narrativa para montar o clima de terror e de medo parecem não fazer mais sentido depois que repetem demasiadamente os recursos inseridos. Assim tivemos um filme travado, longe de destrinchar outros personagens além das protagonistas, que até o final dessa experiência vão e voltam para o mesmo ponto.

No geral, “Slender Man: Pesadelo Sem Rosto” passeia por tantos lugares que chega a cansar de dar tantas voltas para continuar andando em círculos. A conclusão é que não passa de um filme de terror fraco, que não assusta, não consegue prender a atenção a ponto de manter a relevância do roteiro. Na história, o ritual trouxe o sobrenatural para o mundo real. Para o espectador, o Slender Man, que deveria ter eficiência na metáfora sobre o medo, instaurou o sono, e o pesadelo foi perder tempo assistindo.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.