Resenha | Shazam! (2019) – o melhor que podemos ser

“Talvez eu poderia tornar o mundo melhor se fosse um super-herói. Evitaria assaltos, poderia não me atrasar para algum compromisso, lidaria com o bullying com toda força possível, não permitiria mais o mal. Qual a sensação de poder voar?”. São muitas as ideias que nos permearam quando pensamos no “se fôssemos heróis, o que faríamos”, mas tudo não passa do pensamento fantasioso do querer ser. Com carisma em alta, “Shazam!” chegou para dialogar com essa vertente, e com bom humor, falar sobre família.

 

Shazam!

Título: Shazam! (“Shazam!“)

Direção: David F. Sandberg

Ano: 2019

Pipocas: 8,5/10

 

Certamente, “Shazam!” é um filme capaz de agradar. Esperançoso como mais um título para colocar a DC nos eixos, assim se prontificou o mais novo blockbuster de filmes de herói. Cativando a emoção e superando as expectativas para muitos, o melhor efeito do longa é fazer com que o telespectador saia com o coração esquentado por tamanha desenvoltura e harmonia para entregar sua história.

O enredo do filme tomou forma inspirado na versão dos Novos 52 dos quadrinhos. Billy Batson (Asher Angel) é um jovem órfão de 14 anos frustrado perante as inúmeras vezes em que tentou reencontrar sua mãe e mal consegue se estabilizar num lar. Apesar de ter sido adotado pela família Vasquez, não cessou sua busca até ter um encontro inusitado com um mago, do qual recebe o dom de dominar grandes poderes, bastando gritar “SHAZAM!”, o que lhe desperta para um caminho de descobertas.

Na presença de tantas empreitadas em que conhecemos as origens de heróis, é evidente que o detentor dos deuses não se diferencia do estilo formulado que acompanhamos atualmente: ou seja, o uso da comédia como um alívio para da história. O que poderia ser resultado de um conceito batido, na verdade, obtém um feito contagiante ao fazer do cômico algo tão especial e conectivo quando seu enredo.

Shazam!

É ao incutir o humor assumidamente bobo, irônico e satírico que se tornam proveitosos os diálogos, sendo esses os principais momentos dos quais o público poderá facilmente se entreter. Além disso, o filme permite um belo ensaio sobre se de fato abraçaríamos a responsabilidade de ser um herói caso tivéssemos superpoderes. O elenco se diverte, e nós também, ao vermos a boa metalinguagem sendo usada para descontrair os clichês de mocinho e vilão que tanto conhecemos.

Nisso, “Shazam!” vai somando elementos positivos ao tentar fugir do lugar comum em que adaptações cinematográficas de heróis se baseiam, como, por exemplo, o palco para o ápice das emoções e do conflito maniqueísta em que finalmente o mal é vencido: não importa o tamanho do caos para a cidade, contanto que a sociedade seja salva e o herói ganhe notoriedade.

E ainda que o cenário de humor seja uma forte característica do filme, é possível traçar um fabuloso desenvolvimento através de Billy. Quem é tão bom, justo, cuja maldade não se pode achar no coração? Esses eram os requisitos para que alguém fosse digno de receber o dom do mago, e Billy foi puro o suficiente para reconhecer que seria difícil achar esse perfil na terra, o que o tornou honrado. Num texto afiado, minuciosamente avançando com subtramas que exploram os personagens, contemplamos ser trabalhado a questão do que seríamos se fôssemos figuras destemidas.

 

Shamzam! resenha
Zachary Levi, o eterno Chuck e Jack Dylan Grazer esbanjando carisma e hilaridade em cena.

Sermos notados? Reconhecidos? Dotados de diversas habilidades? De nada vale o heroico, se não tivermos a sabedoria de como usufruir. Felizmente, “Shazam!” é atrelado a um ponto forte ao desconstruir estereótipos e afirmações ao dar relevância com o que nos molda como humanos. Ser o herói não iria objetar a facilidade em nossa trajetória, nem é necessário o poder do voo para salvar um gato preso numa árvore, mas o esforço que cada um se dispõe a distribuir é o que conta como as pessoas puras que tanto a cidade precisa para ser remida.

Billy não é nada além de alguém imperfeito, aprendendo com as limitações a adaptar um caráter melhor, nem que para isso esteja uniformizado num enchimento vermelho, com um raio amarelo estampando um símbolo no peito e uma capa branca para descobrir que seus problemas não são maiores do que os das pessoas ao redor, e que pode ser amado e abraçado nos laços de uma família.

É só gritar o nome dele que, mesmo sem compromisso, a diversão tomará forma à frente de um tema importante e maduro, na mesma medida em que a descontração se tornará um membro. É só dizer as palavras com convicção: sou o melhor de mim.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.