Resenha: Sense8 – Especial de Natal

Lançado quase que dois anos após sua primeira temporada, Sense8 retorna em um episódio especial de Natal, que serve, basicamente, para atrair de volta o público, que depois de tanto tempo poderia estar perdido, se baseando quase que exclusivamente no ponto mais alto de sua narrativa: a ligação entre os personagens e o público.

Especial de Natal Sense8

Em 2 horas de especial, as irmãs Wachowski reutilizam muito do que fizeram na primeira temporada da série enquanto mostram as mudanças para a segunda. O episódio apresenta o resto da temporada, enquanto nos envolvem ainda mais com esses personagens. O elo entre eles é a principal trama da série, mas o público também precisa se conectar a eles pra conseguir se interessar pela série. Com uma trama que pouco anda, aqui fica ainda mais claro que o lado ficção científica pouco importa aqui.

Esse senso de ligação é responsável pelas cenas mais bonitas do episódio, a do aniversário dos sensates e a da tradicional orgia entre eles, apesar de ambas parecerem “perdidas” para a trama. Elas acontecem, são interessantes, nos fazem nos apegarmos ainda mais aos personagens mas só. O resto do episódio, que apesar de ser um especial de Natal não tem quase nada de natalino, continua como se elas nunca tivessem existido.

As atuações continuam no mesmo nível das da temporada anterior, apesar de agora os personagens terem uma profundidade maior. Talvez a maior mudança de atuação seja a de Will (Brian J. Smith), que junto a Riley (Tuppence Middleton) está fugindo de Mr. Whispers (Terrence Mann), o personagem está em um momento muito mais dramático de sua história, e Brian consegue passar isso muito bem.

E nem a troca de ator do personagem Capheus – antes interpretado por Aml Ameen e agora por Toby Onwumere – atrapalha o elenco em nada. Aliás, a primeira cena do novo ator é uma piada sobre essa mudança, e uma reflexão sobre os ídolos mudarem de rosto com o passar do tempo, mas seus corações continuarem os mesmos.

Especial de Natal Sense8

As cenas estão mais bonitas, talvez por ser um especial, mas a fotografia da série parece bem mais “madura”, algumas passagens estão até bastante poéticas. A mudança até mesmo entre as cenas de encontro dos personagens muda um pouco entre a primeira temporada e aqui, uma mudança bastante positiva. As lutas continuam igualmente boas, mas, se usadas em excesso, talvez cansem.

Em sua volta, a série deixa ainda mais clara a importância de sua ligação com o público. Com o senso de humanidade aumentado, é de se esperar uma segunda temporada muito mais emocional do que a primeira. Um trama de ficção científica não tão forte quanto as divisões de experiências, sentimentos, memórias e emoções. Afinal, Sense8 é com toda certeza uma série sobre pessoas.

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Lucas Bulhões

Estudante de programação que odeia programar e que se arrisca a escrever nas horas vagas. Sonha em conhecer todo mundo sem ao menos conhecer a si mesmo. Libriano não praticante.