Resenha | Selfie Para o Inferno (2018) – um inferno de filme

Não é novidade para ninguém que o que se torna sucesso em algum lugar, em Hollywood é sinônimo de reciclagem (a versão americana de…) ou sequência. São poucas as vezes em que se pode dar méritos para uma sequência: se não é tão boa ou melhor que o original, é somente desnecessária. Para as versões americanas, é também muito difícil ver uma película que fique na média se comparada ao projeto de origem. Assim, ficamos diante de uma repetição ideias ano após ano. Como supracitado, se é sucesso, dá para esticar mais um pouco e ver no que dá. Dessa forma, podemos observar que, para os longas adaptados de curtas-metragens de terror, cada vez mais se mostra uma tendência. “Selfie Para o Inferno” está aí seguindo esse caminho, porém, o resultado está mais para uma lenda urbana dos infernos que não te leva a lugar nenhum, a não ser passar raiva.

Título: Selfie Para o Inferno (“Selfie From Hell”)

Diretor: Erdal Ceylan

Ano: 2018

Pipocas: 1/10

O curta-metragem, lançado em 2015, com menos de dois minutos, pelo menos soube assustar e ser atraente (a que se deve o seu sucesso), coisa que o filminho aqui não é. A trama decidiu pegar o que acontece no curta e fazer funcionar como uma prequela para dar uma explicação e um final diferente para continuar a história.

Assista ao curta abaixo, antes de adentrar no pesadelo que é esse filme.

Julia (Meelah Adams) é uma vlogueira que acabou se esbarrando com o lado negro da internet e encontrando a DarkNet. Mergulhando ainda mais para informar o seu público sobre a “selfie para o inferno”, ela se depara com algo inesperado capaz de mudar a sua vida completamente. Ao se mudar dos Estados Unidos para visitar sua prima Hannah (Alyson Walker), Julia está cada vez mais envolvida com uma espécie de maldição do mundo das selfies. Depois de ver sua prima ficar desacordada sem nenhum motivo aparente, Hannah começa a buscar por respostas para o seu desgosto – e do público.

Filmes como “O Babadook” e “Quando as Luzes Se Apagam”, são dois exemplos de adaptações de curtas que deram certo, porque souberam muito bem o que queriam fazer. Diferente dos coleguinhas, “Selfie Para o Inferno” não tem essa virtude, e muito disso fica claro porque o filme não tem um pingo de emoção e nem ao menos foi capaz de desenvolver uma arco coerente para complementar a sua história ou um fator relevante para tonar os personagens interessantes.

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“O Babadook” e “Quando as Luzes se Apagam” – que já ganhou sinal verde para uma sequência – firmaram suas identidades, desde a fotografia como também para com a narrativa, e ambos trabalharam em cima da metáfora sobre a depressão a fim de ter um pilar humano para prender o espectador e tornar a trama interessante. De novo, essa é mais uma coisa que “Selfie Para o Inferno” não é, mas quis ser. O engraçado é que o filme tenta se levar a sério, por mais que não seja, e todos os esforços somados para completar a película deixam tudo tão tosco, chegando até apavorar com o seu terror inexistente que grita para ser real e fazer jus ao gênero.

O filme tenta usar jump scare absurdamente abusado para dar alma ao filme, mas a tentativa para fazer o teor sobrenatural valer a pena é só mais um caso falho aqui. “Selfie Para o Inferno” quis ser relevante e atual fazendo uma crítica social sobre os perigos da internet e ao hábito desnecessário de tirar selfies – cuidado que é um caminho para o inferno, aí -, porém, aqui vai outro fator que se perde no meio de um roteiro confuso que nem consegue justificar o porquê da “selfie para o inferno” sem soar ridículo.

selfie para o inferno

A sensação que tive para cada clichê reproduzido que formava um filme genérico do típico “terror que se ascende enquanto os mocinhos buscam respostas antes que se tornem as novas vítimas”, foi de medo para onde o filme estava me levando. O caminho não parecia seguro, os personagens não eram interessantes, o enredo também não e os diálogos se mostraram frouxos e terríveis desde os primeiros minutos do filme, então eu só me perguntava “onde é que eu tô?”.

O filme é ruim de tão assustador. É fraco, altamente fraco e é uma pena ver que cada esforço não toma fôlego para tornar a coisa interessante em momento algum. Sem falar que a mitologia criada sobre a maldição da selfies não faz sentido. Mesmo conduzindo o seu público ao último minuto para explicar como funciona, foi a mesma coisa que não explicar.

No final, depois de tanto falar, trilhar o caminho dos infernos para firmar a sua crítica, o filme termina como se estivéssemos assistido a uma lenda urbana do programa do Gugu – de quando esperávamos dar medo, mas não era nada. Como um filme de terror, “Selfie Para o Inferno” dá medo só por ser um filme.

***

Últimas observações:

 Selfie 1: que abertura de filme foi essa? A tosquice começou em menos de um minuto de filme. Incrível!

Selfie 2: “Julia, are you awake?”. Doido que Julia acordasse do coma e respondesse “tô”, só para não ouvir mais essa perguntava outra vez.

Selfie 3: talvez Alysson Walker tenha sido a melhor coisa do filme

Selfie 4: a realidade sobre a internet no episódio “Shup and Dance”, da série “Black Mirror” e no filme “Nerve: Um Jogo Sem Regras” é mais aterrorizante que qualquer coisa em “Selfie Para o Inferno”.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.