Resenha | Rampage: Destruição Total (2018) – The Rock + outros monstros

À essa altura da evolução humana, já podemos ser honestos e constatar o fato de que Dwayne “The Rock” Johnson tem seu próprio universo compartilhado no cinema. Além de sempre usar as mesmas roupas, o padrão de seus personagens já está estabelecido desde “Bem-Vindo à Selva” – também conhecido como “The Rock”. Desde então, tivemos “The Rock 2“, e, agora, “The Rock 3: Rampage” coloca o astro caindo na porrada com outros monstros, com direito a metralhadora, manobra com helicóptero e outras cenas que já fazem parte da franquia “The Rock” nos cinemas.

Rampage - Destruição Total : Poster

Título: Rampage: Destruição Total (“Rampage“)

Diretor: Brad Peyton

Ano: 2018

Pipocas: 3 ou 8/10

Aqui, O Rocha está disfarçado de Davis Okoye, um especialista em primatas que gosta mais de animais do que de pessoas. Seu principal amigo é o gorila albino George, o qual passa a crescer vertiginosamente e se tornar violento após contato com uma substância que caiu de uma estação espacial. Como se isso não fosse o bastante, outros dois animais acharam este composto, e agora Okoye conta com a ajuda da geneticista Kate Caldwell (Naomie Harris) para descobrir um antídoto e interromper a crescente destruição.

Então, em suma: se você quer ver The Rock caindo na mão com monstro gigante, esse é o filme para você, porque ele não é nada além disso. O ator, que começa como um simples primatólogo, já se torna um semideus (de novo) no segundo ato do filme, só ficando mais inacreditável depois disso. Os monstros estão bem feitos, e a computação gráfica não incomoda em nenhum momento – apesar de o 3D ser inútil, só sendo utilizado na primeira sequência. Se a loucura da franquia “The Rock” agora com monstros é o que você busca, você ficará bem feliz com “Rampage”.

rampage

Agora, se você adentrar as portas de seu cinema, cara/caro leitora esperando o mínimo de sentido e construção de roteiro, sua decepção já está anunciada. O longa cria personagens (alguns até interessantes) e os esquece com uma rapidez enlouquecedora. O roteiro foi “elaborado” por quatro pessoas, e parece que cada um deles escreveu uma cena de ação e costurou ao restante do longa, ficando por isso mesmo. Os aprendizes divertidos e um vilão matador tem seus papeis jogados pela janela de um dos muitos veículos que o The Rock destruiu ao longo da carreira.

Por falar em vilania, nunca foi tão apropriado chamar os vilões de “antagonistas”, porque, à parte meu grego, os dois são duas bestas. Com um plano mequetrefe digno de desenho animado infantil, Malin Akerman interpreta uma cientista louca e malvada enquanto Jake Lacy é o seu irmão idiota. Além de serem descartáveis em um filme no qual temos pelo menos dois cruéis monstros gigantes como vilões, as tramas mal-acabadas que empurram para eles fazem com que eles não sirvam nem para catarse quando os vemos sofrendo – até porque “Rampage” não se furta de usar violência. Mesmo com sua censura 13 anos, o longa tem seus momentos de brutalidade e sanguinolência, mas nada que a Família Tradicional Brasileira já não tenha visto em novelas.

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Eu vendo “Rampage”.

Preso entre ser simplório e querer ser esporadicamente cruel, o filme parece ter sido escrito por um garoto de 12 anos: temos um astro grande e forte que gosta de animais, é bom em tudo o que faz, é quisto por todas as mulheres (e isso é dito literalmente dentro do filme) e vai salvar o mundo. Jogue monstros gigantes genéricos, vilões ricos toscos saídos de “Rocky & Bullwinkle”, um pouco de violência gratuita e alguns planos estapafúrdios, e eis “Rampage”. A confusão inicial em relação à nota se dá exatamente por isso: se a audiência espera The Rock com monstros e absolutamente nada a mais do que isso, ela estará satisfeita; se quer personagens desenvolvidos, alguns diálogos legais ou o mínimo de lógica, este filme não foi feito para você. E mal posso esperar para ver “The Rock 4” – preferencialmente em casa.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.