Resenha | Parque do Inferno (2018) – a grande atração é a perda de tempo

É algo que não tem jeito; em dado momento vamos esbarrar em situações que já vivenciamos. Olhando para a Sétima Arte, é um feito bastante comum vermos semelhanças em diversas obras, e o que torna a coisa relevante além de simples elementos que as diferencie é poder convencer com o universo criado. Lançado em novembro do ano passado, “Parque do Inferno” claramente se inspirou em “Pague Para Entrar, Reze Para Sair” (1981), no entanto, a base não parou nisso, e, por se apoiar nos piores clichês, findou uma perda de tempo apática e tediosa de conferir.

 

parque do inferno

Título: Parque do Inferno (“Hell Fest”)

Ano: 2018

Direção: Gregory Plotkin

Pipocas: 3,5/10

 

Bem, o enredo ousado e arriscado apostou em três casais que, numa noite de Halloween, decidem aproveitar a grande atração do Hell Fest. O problema: em meio a tantos brinquedos assustadores, beijos, bebidas e um público alienado, quem iria notar um serial killer tocando o terror? Nessa premissa é que longa prometeu entregar uma experiência horripilante, mas apenas conseguiu flertar sobre a possibilidade.

Altamente alinhado com as produções de terror atuais, Plotkin não abriu mão de inserir a comédia para desenrolar a história, mas diferente do resultado esperado, o humor não foi um aspecto inteligente e muito menos funcionou para a proposta. Como se não fosse o suficiente investir em algo desnecessário, foi exagerar e utilizar da ferramenta para caracterizar os personagens, exceto a protagonista (claro), Natalie (Amy Forsyth, de “Channel Zero: No-End House“) – que não estava no clima para aproveitar o parque, mas sim perceber que algo de errado não estava certo naquele lugar. Poderia ser mais óbvio?

parque do inferno resenha

Continuando sobre os personagens, esse é grande exemplar de desperdício de elenco considerando que temos seis pessoas mal escritas, sem motivações, sem conflitos, sem emoção, sem importância, apenas existindo – com destaque para Taylor (Bex Taylor-Klaus que saiu dos cafundós de Scream – Tv Series” para participar de outro slasher meia boca). O que dificultou um filme que já não conseguia prender atenção e nem ao menos entreter, mas veemente soltava jump-scares para aumentar o terror fraco estabelecido.

Chegando em pouco mais de quarenta minutos, estava difícil acreditar que o subgênero não estava sendo eficiente, além da perspectiva ruim do humor. Contudo o killer que apenas usava uma máscara deformada, determinado em sua matança vestia um simples moletom preto com capuz e era o que conseguia convencer e manter a audiência com seu mistério – protagonizando cenas brutais, gráficas e gore com suas vítimas, ainda assim, previsíveis. Se não podíamos contar com a história e seus agentes fundamentais para movê-la, o que restou foi apreciar o parque como o verdadeiro protagonista.

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Aproveitando muitíssimo bem a alternância de cores e luzes, os cenários que envolviam os atrativos do parque foi o que serviu para não jogar o investimento aqui por água abaixo, possibilitando até tensão e estranheza, o que foi bom. Se equilibrando apenas em dois ambientes, por mais de uma hora e quinze minutos, toda noite de aflição se passou dentro do playground o que foi curioso, mas ao mesmo tempo um desafio para direção saber trabalhar sem se perder. O que levou Gregory a explorar todos os espaços com seu assassino que não descansava da caça enquanto o lugar esbanjava o leque de medo e diversão para os clientes que queriam misturar as emoções.

Se acomodando numa atmosfera preguiçosa em repetir tudo o que já vimos em filmes do gênero, “Parque do Inferno” não encontra o ápice e nem propósito para o que mostrou, e como isso só pôde provar que dá para contar as mesmas histórias apenas trocando as cadeiras de lugar e sem criatividade. Não foi um complexo Funhouse repaginado, pagando para entrar e rezando para sair, mas fixou a lamentação para o horror do raso slasher.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.