Resenha | Para Todos os Garotos que Já Amei (2018) – a presente epístola

Seguindo a onda de comédias românticas da Netflix, a adaptação do livro “Para Todos os Garotos que Já Amei” veio para somar essa fórmula de sucesso que o público vem acompanhando desde “A Barraca do Beijo”. Carregando uma forte impressão de que poderia ser mais um excelente acerto, o longa esbanja fofura, mas não vai além de uma carta às mesmices das comédias românticas.

 

Título: Para Todos os Garotos que Já Amei (“To All Boys I’ve Loved Before”)

Direção: Susan Johnson

Ano: 2018

Pipocas: 6,2/10

 

A trama teen nos apresentou a Lara Jean (Lana Condor, a Jibileu do horrível “X-Men: Apocalipse”), uma amante de livros que se imagina como uma personagem dentro dos romances que costuma ler. Fora do mundo literário, Lara esconde uma caixa na qual armazena as cinco cartas que escreveu para os cinco garotos que já amou, e apesar de lá descrever o porquê dos seus sentimentos, a jovem não pretendia enviá-las, até que, numa manhã, misteriosamente, suas cartas de amor foram enviadas.

Verdadeiramente, “Para Todos os Garotos que Já Amei” tem uma história que sabe fisgar, mas indo para a experiência, as cartas de Lara apenas funcionam como um precursor para levar a trama para um lugar já conhecido do gênero. Adotando a aura típica de filmes românticos e adolescentes, o longa já peca por inserir personagens e situações estereotipadas: a melhor amiga de Lara, Chris (Madeleine Arthur); a menina bostética da escola, Gen (Emilija Baranac), que sempre implica com Lara; o ex-melhor amigo de Lara, Josh (Israel Broussard, de “A Morte Te Dá Parabéns”); e o namorado da bostética, Peter (Noah Centineo), por quem obviamente a protagonista se apaixona. E lá vamos nós.

Até que, para esses estereótipos, a película se esforçou para parecer diferente com a personalidade de Lara. No entanto, não foi o suficiente para tornar tais aspectos meros detalhes que fazem parte da história. Logo, o irritante e manjado triângulo amoroso acompanhado de desentendimentos que não duram é usado como se não fosse nada demais repetir o ritual outra vez, tanto que é reproduzido da mesma forma que já cansamos ver em muitos filmes por aí. O intuito é ser envolvente, mas a coisa é tão chata que só serve para fazer revirar os olhos.

Indo além das falhas, “Para Todos os Garotos que Já Amei” sabe ser romântico com exatidão. Embora algumas atuações não convençam como a cena pede, Lana e Noah souberam cativar ao viverem Lara e Peter. A fofura e química entre os dois é tanta que faz esquecer de quando o filme está dando murro em ponta de faca. Sendo assim, aqui vai mais um exemplo de quando um longa é salvo de ser descartável por causa de um ou dois personagens. Já que o maior tempo em tela é dos pombinhos, ficou fácil prender a atenção e arrancar sorrisos sinceros.

Para Todos os Garotos que Já Amei

Da mesma maneira, a motivação de Lara em escrever as cartas e nunca enviá-las é outro acerto do filme, promovendo interações e diálogos interessantes entre Noah. Com mais erros do que acertos, o longa ainda consegue pecar por nem ao menos conseguir convencer com as relações familiares de Lara, soando forçado até mesmo no humor e intimidade.

“Para Todos os Garotos que Já Amei” é um filme de comédia romântica sobre sentimentos e descobertas, e por mais que seja fofo – e agrade só por isso – é também superficial. Onde poderia ter sido melhor explorado, preferiu não arriscar e sim repetir mais do mesmo.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.