Resenha | Os Estranhos: Caçada Noturna (2018) – mais uma sequência desnecessária

Até que ponto estamos seguros? Quando nos informamos através de um noticiário, jornal, ou programa de TV, parece que a notícia sobre uma violência que culminou em um crime não nos surpreende mais. É fácil nos sentirmos aliviados quando sabemos que nossa família está segura e que aquela violência que tomamos conhecimento “ontem” está longe de acontecer no nosso meio. O filme “Os Estranhos”, lançado em 2008, quis transitar muito bem sobre esse pensamento ao trazer um casal abrigado numa casa localizada num bairro vazio, e enquanto pensam em resolver seus conflitos são confrontados por um grupo sádico que aplica a  violência e a perseguição sem piedade. E na tentativa de sobreviverem, questionam o porquê de passarem por tal coisa, como resposta, o que escutam é “porque vocês estão em casa”. Dez anos depois, disposto a repetir o que deu certo com o primeiro filme, “Os Estranhos: Caçada Noturna”, se esforçou, sem o mesmo apelo de antes, para ser uma sequência desnecessária.

Os Estranhos: Caçada Noturna

Título: Os Estranhos – Caçada Noturna (“The Strangers: Prey at Night”)

Diretor: Johannes Roberts

Ano: 2018

Pipocas: 5/10

Nesta caçada textual há spoilers sobre “Os Estranhos – Caçada Noturna”.

“Baseado em fatos reais”. O diretor do primeiro filme, Bryan Bertino, misturou um fato que ocorreu durante sua infância – pessoas batiam na porta procurando alguém que não morava lá; mais tarde Bryan descobriu que se ninguém atendesse a porta, as pessoas invadiam a casa para assaltar – com o trágico caso de assassinatos cometidos pela família Manson. O resultado foi um longa angustiante e revoltante, e com toda certeza, capaz de envolver o seu espectador com os personagens e toda a violência retratada. Como se não bastasse, findou amargamente.

Aqui, nesse segundo longa, a coisa ficou decadente, precoce e com a sensação de “já assisti esse filme antes”. A trama não poderia ser mais genérica possível. Com a cara de um típico filme de terror de 2008, ao apresentar o tradicional casal: Cindy e Mike (Christina Hendricks, da série “Good Girls” e Martin Henderson, de “O Chamado“), que está de mudança com uma filha rebelde, Kensey (Bailee Madison), que aprontou todas na escola, recebeu notas baixas e que precisa ser posta num colégio interno e o outro filho legal, Luke (Lewis Pullman), que não dá problemas, mas que mamãe e papai sentem orgulho e contam com ele.

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O que vai acontecer com essa família que só quer que as coisas melhores? Se ferrar, claro. Se fosse um filme com teor sobrenatural a casa seria amaldiçoada, com terríveis segredos obscuros para o quarteto deixar as diferenças de lado e lidar com os demônios do porão da casa. Mas os queridinhos aqui deram o azar de se mudarem para o território do grupo de sádicos. Pouco tempo depois que finalmente chegam no chalé do tio, vemos Os Estranhos entrarem em ação da maneira que já conhecíamos (pelo menos quem já assistiu o primeiro filme), e esse é um dos pontos negativos do filme, funcionando como um botão que depois de ativado não tem como voltar atrás.

Quer queira, quer não, o espectador vê “Os Estranhos: Caçada Noturna” cair nas graças da previsibilidade. Para quem já assistiu o antecessor, só resta esperar acontecer o esperado (tem coisa mais frustrante?). E quem assistiu querendo um filme de terror, vai se deparar com uma baita película genérica que não se aprofunda.

Nem ao menos as figuras dos Estranhos estão isentas aqui. No filme antecessor, os sádicos eram invasivos e cruéis, a ponto de conseguirem intimidar e convencer as vítimas e o espectador. Já nesta caçada noturna, Os Estranhos se comportam como pessoas imbatíveis prontas para espalharem a violência, podendo surgir até mesmo como um espírito que ninguém irá capturar.

 Os Estranhos: Caçada Noturna

“Os Estranhos: Caçada Noturna” é um filme tão fraco e convencido que entrega quem vai sobreviver até a reta final sem nenhuma vergonha na cara confiando que a coisa está “pra lá” de aterrorizante, quando na verdade está deixando o terror cada vez mais distante. E os psicopatas, figuras tão importantes que pareciam estar firmes, acabam sendo consequências do previsível também.

Ainda que dando murro em ponta de faca, “Os Estranhos: Caçada Noturna” conseguiu entregar sequências de perseguições intrigantes, como também fazer um belo uso da fotografia. Os méritos são válidos também para os enquadramentos da câmera aplicando o zoom, tornando as cenas mais intensas e aproveitáveis. E, não menos importante, vale ressaltar as referência espalhadas aqui, como para os filmes “Pânico”, “Sexta-feira 13”, “Halloween: A Noite do Terror”, “Christine: O Carro Assassino” e o original de “O Massacre da Serra Elétrica”.

No geral, “Os Estranhos: Caçada Noturna” quis ser um grande filme apresentando mais do mesmo, como se fosse o melhor do terror, mas que, no final, acabou sendo um longa genérico, oco, precoce e desnecessário.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.