Resenha | Operação Overlord (2018) – romance histórico de terror e ação zumbi nazistator tabajara

Você já foi ao cinema sem saber absolutamente nada sobre o filme? Se não, experimente fazer isso algum dia. Eu não sabia o que esperar de “Operação Overlord”, não existiam expectativas, talvez por isso a minha experiência tenha sido tão boa. Num mundo em que já se sabe o que vai acontecer na terceira sequência de um filme que ainda nem teve o roteiro finalizado, a sensação de “eles vão por esse caminho mesmo?” é bem difícil de se ter nas salas de cinema; e descobrir as tortuosidades da história junto com os personagens é um evento cinematograficamente mágico. Este texto não contém grandes spoilers, mas recomendo que você assista ao filme antes de lê-lo completamente para que tenha uma experiência tão legal quanto a minha.

Título: Operação Overlord (“Overlord”)

Diretor: Julius Avery

Ano: 2018

Pipocas: 8/10

Mas vamos ao que interessa. “Operação Overlord” é mais um filme que fala sobre o Dia D, a invasão dos Aliados à Normandia. Um grupo de paraquedistas planeja saltar atrás das linhas inimigas para cumprir a missão de explodir uma igreja que possui uma antena de transmissão nazista. Nada novo sob o sol. Inclusive, as semelhanças do primeiro ato com “Band of Brothers” são inegáveis. Os ataques anti-aéreos, as expressões de medo dos paraquedistas, a tensão antes do salto, toda a preparação para a invasão até o pouso desafiador dos soldados bebe na fonte da série da HBO; porém, a direção de Julius Avery eleva toda essa agonia militar a outro patamar.

Pode-se dizer que este filme é uma grande tensão com precisos momentos de suspiro. A começar pela saga de Boyce, um dos personagens principais da história. Boyce é praticamente atirado de um avião em chamas; em queda livre, se enrola com o paraquedas; consegue abri-lo no último segundo mas cai com velocidade na água; se enrola mais uma vez com as cordas do equipamento, corta as cordas; nada desesperadamente para a superfície que está coberta pelo tecido do paraquedas; põe a cabeça para fora da água mas não consegue respirar por causa do tecido do paraquedas; corta o tecido e o ar finalmente enche os seus pulmões… tudo isso num plano sequência de tirar o fôlego, literalmente.

Como se a guerra não fosse problema suficiente, eles descobrem que a igreja que precisam destruir funciona como uma base nazista para experiências secretas com cobaias humanas, e é aí que a história fica muito maluca, apesar de aterrorizantemente plausível. Como se sabe, o alto escalão do regime nazista arbitrava experiências com humanos nos campos de concentração, mas devido a fervorosidade contagiante do terceiro Reich, há de se considerar que os próprios cidadãos alemães, e principalmente dos territórios conquistados, também servissem de cobaias. Em “Operação Overlord” os soldados nazistas capturavam aldeões da vila francesa em que a igreja se situava e os levavam para os laboratórios subterrâneos, longe dos olhos do resto da população. Quando (e se) retornassem, os aldeões poderiam estar desfigurados ou irreparavelmente comprometidos devido à violência médica que sofreram. Por esse motivo, a ameaça de confisco de familiares funciona no filme como uma ferramenta de opressão e ordem.

operação overlord

As experiências com humanos dão o caráter terrorífico ao filme. São tantas bizarrices em prol do aperfeiçoamento dos soldados alemães que em algum momento você vai se sentir descendo uma ladeira muito íngreme em um carrinho de rolimã, então as surpresas ficam por conta do sentimento de que nada mais vai lhe surpreender. Talvez este seja o principal valor de “Operação Overlord”, não existe uma grande reviravolta, nem espetacularides que cortam o clima. A narrativa do filme é linear, e se você se deixar levar pela história, vai entender que a megalomania dessa obra é notadamente contida. Como todo romance histórico, “Operação Overlord” funciona como o questionamento fantasioso do universo que está além das molduras de uma foto.

 


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