Resenha | O Plano Imperfeito (2018) – uma comédia romântica à moda antiga

Parece que a onda de filmes ruins da Netflix finalmente chegou ao fim. Perante a porrada de investimentos em títulos voltados para a ficção científica, a Netflix estava longe de conseguir agradar o seu público. No entanto, desde o dia onze de abril, A Barraca do Beijo deu as caras no catálogo fazendo a abertura do que viria ser a fórmula de sucesso para a Netflix: a comédia romântica. Não muito diferente disso, pouco tempo depois, foi a vez de “O Plano Imperfeito” mostrar a que veio. O que a quarta produção fez foi resgatar com excelência a essência do gênero e entregar uma comédia romântica à moda antiga.

Título: O Plano Imperfeito (“Set it Up”)

Diretor: Claire Scanlon

Ano: 2018

Pipoca: 7,5/10

Faz realmente muito tempo desde a última vez – ou que eu consiga lembrar –  que assisti a um filme de comédia romântica com os ares como em “O Plano Imperfeito”. A Proposta, Esposa de Mentirinha, Casa Comigo?, Jogo de Amor em Las Vegas, Amor à Segunda Vista etc; todos esses compartilham da mesma fórmula de envolver os protagonistas pombinhos em situações mirabolantes em que se entendem porque tem algo em comum que pode favorecer ambos os lados. Em cima dos amores improváveis, da relutância em se gostarem, no final, descobrem que a união é possível e que o verdadeiro sempre esteve ali tão perto.

A fórmula é de fato repetitiva, mas de algum modo souberam sobressair, e os títulos supracitados são prova disso, assim como “O Plano Imperfeito”. A trama se desenrola a partir de dois pontos narrativos que se entrelaçam: de um lado temos Harper (Zoey Deutch) passando maus bocados sendo assistente de Kirsten (Lucy Liu); não muito longe temos o Charlie (Glen Powell) também sofrendo com o seu chefe Rick (Taye Diggs). Não se arriscar é pior do que se acomodar com a situação, então, juntos, Harper e Charlie decidem arrumar um jeito para que seus chefes se apaixonem e deixem de ser tão desgraçados, tornando suas vidas melhores.

O sentimento de mais do mesmo já está estabelecido e o longa não nega isso. Mas o que torna “O Plano Imperfeito” tão bom e agradável de assistir é funcionar com todas as apostas que fez. Na primeira hora do filme, eu estava achando tudo chato pelo fato de serem aplicados os fatores mais desastrosos ou improváveis possíveis para construir a comédia, e que se não for criativo acaba sendo “nada”. No entanto, tais situações foram se tornando problemass menores graças a química de Glen Powell e Zoey Deutch. Era mais fácil rir dos diálogos e da forma boba de como tudo soava, do que os esforços para a comédia.

De certa forma, “O Plano Imperfeito” se dividiu em duas perspectivas: a primeira com as tentativas de Harper e Charlie tentando unir os chefes, depois com o romance já esperado entre ambos. “Eu estava aqui o tempo todo e só você não viu”. Perdi tempo com outras coisas, com minhas frustações, com quem não queria nada comigo, com minhas murmurações e você aqui vendo tudo isso, mas me amando. Com todas as diferenças, foi unindo forças que eles puderam ver suas vidas com outras perspectivas, tirar o band-aid (valeu, John Green) e arriscar mais.

o plano imperfeito

Será que é preciso um empurrão para nos enxergamos, percebendo que o amor pode parecer improvável, mas que pode acontecer? “O Plano Imperfeito” não é a comédia romântica mais diferente que você já viu e muito menos tenta ser, mas foi trazendo de tudo um pouco, do carisma à coisa boba, e funcionou como uma comédia tão agradável por voltar às origens da fórmula.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.