Resenha | O Manicômio (2019) – a loucura é não ter nada melhor para ver

Por mais que pareça repetitivo, é impossível não pensar em “A Bruxa de Blair” assim que o termo found footage é mencionado. Embora a balança pese mais para títulos ruins que tentaram embarcar no sucesso “inovador” que o filme de 1999 obteve, há algumas ressalvas que conseguiram seus méritos sem precisar apelar para o óbvio. O mais novo coleguinha a se juntar ao formato, “O Manicômio”, se esforça para ter identidade, mas se perde antes mesmo de perceber.

Título: O Manicômio (“Heilstätten”)

Diretor: Michael David Pete

Ano: 2018

Pipocas: 4,5/10

 

A história se inicia depois que um grupo de youtubers aceita o desafio de entrar – ilegalmente – num manicômio abandonado (com promessa de ser palco de um passado obscuro e amaldiçoado) por 24 horas, enquanto registram tudo na esperança de alcançarem mais views e seguidores. A tarefa que parecia simples e muito objetiva, encontra um desfecho inoportuno depois que os jovens percebem que não estão sozinhos no recinto.

Para a estreia de Michael David na direção, as escolhas para gerar algum interesse pelo enredo não foram as melhores. Sabe quando você quer ser sério com o grupo de amigos, mas sempre tem alguém que não sabe a hora de parar com a inconveniência? Bem, é assim que somos apresentados aos personagens. Enquanto uns querem apenas concluir o desafio, outros são usados para o humor (sem graça) na tentativa de tornar a coisa especial no estilo found footage.

alguns dos youtubers que participam do desafio

Basicamente, sem nada complexo ficamos a par dos pequenos conflitos dos youtubers. O engraçado é que exatamente através do humor inicialmente forçado que “O Manicômio” se desprende da atmosfera que fazia desviar a atenção facilmente, para de fato desenhar algum propósito.

De certo modo, o humor começa a transparecer um lado bom a partir do momento que se apresenta com os diálogos espontâneos e atitudes idiotas dos personagens. Ora, a idiotice e coisas irritantes são características ideais dos protagonistas de filmes de terror, mas a questão usada por Michael David é pegar a lógica que os filmes do gênero e de suspense já cansaram de repetir, para usar a favor do tom de sátira e deboche que o longa se apega. Não se limitando apenas à comédia para personalizar a película com traços diferentes do que já foi visto no estilo das filmagens “caseiras”, os métodos usados para ir além de sustos fáceis são outros aspectos que pontuam positivamente no filme.

o manicômio

Apesar dos acertos, “O Manicômio” poderia ter sido mais favorável se Michael não corresse tanto ao executar as boas ideias. O resultado deixa a impressão de que haviam boas intenções que ficaram resumidas a detalhes mal explorados, com cortes abruptos e corriqueiros que estragam até mesmo a percepção do que aconteceu em cena. Não bastando isso, o filme ainda guardou algumas surpresas na tentativa de criar o momento “eureka” das reviravoltas no que diz respeito a crítica social que quis inserir.

Youtubers num terror found footage, Internet, seguidores, views, popularidade, tudo isso e por que não criticar a web e como as pessoas não são quem dizem ser por trás de perfis nas redes sociais? De novo, a ideia foi ofuscada pela forma rápida do diretor querer convencer com motivações rasas, além de envolver umas sequências sangrentas de revirar o estômago e os olhos.

“O Manicômio” é o primeiro filme de terror do ano, e diante de tantas ideias que tentou se aventurar, acabou não conseguindo conciliar todas as propostas para chegar num resultado satisfatório. Para quem não tem nada melhor para fazer, assistir o que o longa quis ser pode ser um desafio, mas que pelo menos não irá durar 24 horas.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.