Resenha | O Date Perfeito (2019): encontro marcado com a recorrência

Depois da fórmula de comédia romântica estourar no ano passado no streaming da Netflix, eis que no último dia 12 de Abril de 2019 fomos apresentados ao segundo (?) título desse ano. Trazendo Noah Centineo (de novo!) de “Para Todos os Garotos que Já Amei“, como protagonista, a história prova que não tem nada a acrescentar, apenas cair no gosto do público com a sua pegada teen e nomes do elenco.

 

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Título: O Date Perfeito (“The Perfect Date“)

Direção: Chris Nelson

Ano: 2019

Pipocas: 5,5/10

 

Baseado no livro “The Stand-in“, de Randall Green (roteirista do filme ao lado de Steve Bloom) conhecemos Brooks Rattigan (Centineo), um jovem garoto do ensino médio que almeja ingressar para universidade de Yale. No entanto, seu emprego numa lanchonete, na qual divide o tempo ao lado do melhor amigo Murph (Odiseas Georgiadis) parece não suprir o necessário para se manter numa rede privada, o que o leva a apelar para um aplicativo de serviços no qual se torna namorado por um dia.

Temas como “namorado de mentirinha” não são nenhuma novidade para o gênero, e no seu primeiro ato, “O Date Perfeito” aparenta não se importar em não ser diferente ou nem mesmo passar uma outra sensação, o que gera um desenvolvimento apático, longe de conseguir gerar algum interesse. O que causa isso, é a passagem rápida em que Brooks se aventura na nova forma de ganhar dinheiro.

Sem qualquer gancho narrativo que introduza o enredo de maneira eficaz, superficialmente, ficamos a par das questões que o rodeia: um relacionamento travado com o pai Charlie Rattigan (Matt Walsh), o qual todos os esforços para animar o filho parecem não mudar o quadro por falta de conversa; a forma em que se apoia em Murph e como desesperadamente acredita que, ao finalmente entrar para Yale, as coisas tomarão um novo sentido.

Depois do encontro arranjado ao qual saiu com Celia (Laura Marano), mirando a recompensa, é que lhe surge a ideia de migrar para um aplicativo. Nesse meio tempo, ao olhar para a popular Shelby (Camila Mendes, de Riverdale) Brooks nutre a ideia de que, obtendo duas coisas (Yale e o namoro com a jovem) poderá se sentir completo, com tudo ao seu redor se encaixando. A partir daí é possível traçar o quanto ele acreditar que alcançar certos objetivos o afasta de contemplar a realidade e entender como aproveitar os momentos. Mas claro, tudo isso desenvolvido a base do ligeiro e da presunção.

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Centineo e Mendes em cena.

Dito isso, não demora muito para o filme cair da repetição ao qual os personagens passam por provações pessoais para que então comecem a se descobrir. Brooks finge o namoro com Celia na esperança de que consiga se aproximar de Shelby assim como Celia finge para se achegar a Franklin (Blaine Kern III) o garoto com o qual ela é apaixonada. Sendo assim, seguimos essa trilha da possibilidade de quando os opostos andam juntos, há a chance de crescerem apesar das diferenças.

Esbanjando carisma, Centineo e Marano são uma dupla que funciona muito bem contracenando. Por mais que seja clichê, ambos tornam toda coisa divertida de se acompanhar, em meio aos diálogos cheios de frases de efeito exalando sensatez. Em suma, o casal se diverte com a aventura de se apoiarem por conta de um objetivo em comum, ao mesmo tempo em que sabemos o rumo que essa amizade “inesperada” tomará em breve. É só seguir as regras da obviedade com que a mágica acontece.

Assim, toda essa nuvem de acontecimentos banais só serviu para mostrar o quanto Brooks estava cego para alcançar algumas metas. Adotando atitudes egoístas, se distanciando de relacionamentos que o faziam bem, enquanto se afundava acreditando que conquistando os “padrões” da namorada e faculdade perfeitas, sentiria-se vivo ao viver tantas personalidades para os outros, esquecendo de como ser ele mesmo. Quando o que precisava era ser autêntico sem fantasiar em falsas verdades, sendo um idiota nesse trajeto.

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Morano e Centineo.

O maior problema foi querer passar uma mensagem tão madura, com um drama mal desenvolvido numa regência de clichês rasos da comédia romântica. É como se todos os envolvidos apenas seguissem o que o Dj toca, dançando os mesmos números, nos mesmos arranjos, nas mesmas pistas sem conseguir lembrar de como sobressair dentre tantas recorrências, fazendo o grande ápice ser tão pequeno. Como contestar o Dj?

“O Date Perfeito” mirou no encontro ideal com você mesmo depois de uma dura introspecção, mas o que conseguiu foi a costura de mesmices numa colcha de retalhos.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.