Resenha – Maze Runner: A Cura Mortal (2018) – ação empolgante, história genérica (sem spoilers)

“O final será cruel” – Maze Runner: A Cura Mortal

maze runner: a cura mortal

Título: Maze Runner: A Cura Mortal (“Maze Runner: The Death Cure”)

Diretor: Wes Ball

Ano: 2018

Pipocas: 6,5/10

2014 foi o ano das adaptações de best-sellers distópicos. De um lado, os fãs esperavam pela péssima franquia “Divergente” que dava início; do outro, “Jogo Vorazes” no auge do sucesso vindo a lançar seu terceiro capítulo. “Maze Runner: Correr ou Morrer” fazia a sua estreia com uma proposta diferente, não deixou de cair nas graças das comparações de que seria mais um filme parecido com os seus vizinhos.

Ainda assim, a estreia da primeira fase acabou conquistando a crítica e o público com uma trama que combinou muito bem o suspense, a tensão e a ação num filme certeiro e envolvente. A sequência estava mais que garantida e nos foi entregue um segundo longa mediano. Agora, depois de tanta espera e complicações na produção, os fãs puderam conferir a adaptação do capítulo final – felizmente sem divisão de partes – que, apesar de empolgar nas sequências de ação, peca na narrativa e encerra a trilogia de maneira simplista.

Na primeira fase, fugir do labirinto era o objetivo. Na segunda fase, continuar a correr e sobreviver à C.R.U.E.L parecia impossível. Agora, além de correr, é preciso lutar e encarar um mundo de caos. O filme se passa alguns meses após o final do antecessor e funciona como uma sequência direta dos acontecimentos. Para você telespectador, que buscava entretenimento repleto de ação, “Maze Runner: A Cura Mortal” entrega isso com louvor. O início é uma amostra da ação que encontraremos no desenrolar: impressionante, empolgante e de tirar o fôlego, composta com uma bela fotografia e várias explosões.

Considerando que já estavamos nos acostumando a ter o final das sagas dividido em duas partes para gerar lucro, Wes Ball teve árdua missão de amarrar “Maze Runner: A Cura Mortal” da melhor maneira possível e finalizar de maneira satisfatória para ambos os públicos – os fãs e, como no meu caso, o público “civil” – em apenas um filme. Ainda que tenha apostado numa ação atrevida e disparada, o longa falha por se tornar repetitivo no desenvolvimento embora tenha surpreendido num primeiro momento.

De um lado, a ação foi um estouro, do outro, os personagens foram aspectos importantes que acrescentaram para a trama sendo os principais elementos que moviam a ação, – apesar do irritante triângulo amoroso atiçado. A energia e harmonia que os envolvia foi intensa e bela de se acompanhar, pois realmente funcionava, sem passar a sensação de que era algo forçado.

Excelentes cenas de ação e personagens excepcionais para a trama? Parece que Wes Ball encontrou o equilíbrio para fazer desse final certeiro e memorável. A extensa duração aqui se justifica pela adaptação em si, o que é compreensível. No entanto, essa ação desenfreada, enquanto entregar um final para a história era também importante, parece não ter gerado o resultado ideal, pois vemos o quanto a narrativa tornou tudo fatigante de se acompanhar.

Em certo momento, a ação já não era tão empolgante. As interações dos personagens passaram do “envolvente” para o “previsível”. Essa sensação de obviedade se estende também à esperada conclusão marcada de respostas, – Afinal, C.R.U.E.L é bom? – despedidas e muito caos. Dessa forma, passava a impressão de que estava longe de terminar e que depois de tantos tiros, porradas e bombas, qualquer coisa poderia acontecer e não acrescentaria em nada para o desfecho.

Para um filme que prometia ser fiel ao livro, talvez tenha sido uma adaptação honrosa para os fãs. Mas, no geral, não deixou de entregar um final simples, assinalado pela mensagem de sacrifício e sobrevivência como muitas outras através do seu protagonista. “Maze Runner: A Cura Mortal” é um filme preciso na ação e rico de personagens e apesar de tanta correria, não conseguiu fugir do maior vilão: a previsibilidade.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.