Resenha | Matilda (1996) – a magia de ser criança

Pode parecer exagero, mas convenhamos que não há criança ou adulto que tenha deixado de lado a oportunidade de se dedicar a acompanhar a uma programação aconchegante da Sessão da Tarde. Assim como assistir Cinema em Casa no SBT, ou Cine Aventura na Record o propósito era o mesmo: revistar os clássicos sem sair de casa. Os Batutinhas, Bebês Geniais, A Família Adams, Esqueceram de Mim, Operação Cupido, Pagemaster – O Mestre da Fantasia, ABC do Amor, Jumanji e muitos outros. No entanto, um dos maiores clássicos, que me passava um misto de alegria e tristeza quando era reprisado na Sessão da Tarde, era “Matilda”, um longa sobre uma garotinha muito inteligente que possuía superpoderes. Apesar da maneira triste de contar a sua história, o fillme traz a lição através da pequenina de que você é muito especial.

Título: Matilda (“Matilda”)

Diretor: Danny Devito

Ano: 1996

Pipocas: 8/10

 

O livro homônimo de Roald Dahl, “Matilda”, ganhou sua adaptação em 1996, trazendo a adaptação da angustiante história sobre a pequena Matilda (Mara Wilson). Desde o início da narrativa o longa começou a traçar reflexões de como ninguém é igual a ninguém, mas o jeito que você escolher ser ou fazer o que faz é o que molda a sua personalidade. A garotinha cujo nome pode ser entendido como “forte na batalha”, pouco sabia sobre a sua pessoa, mas aos poucos teve que lidar com a indelicadeza, egoísmo, desleixo e crueldade dos pais Sra. e Sr. Wormwood (os antigos pombinhos Rhea Perlman e Danny Devito, respectivamente) que tinha para pintar o seu próprio mundo. Matilda era doce, curiosa, dedicada e inteligente, mas seus pais não eram as pessoas certas para notarem isso.

Tudo o que conquistou foi graças a sua força de vontade e curiosidade em livros para buscar conhecimento. Se Matilda já não podia contar com seus pais como exemplos de boas pessoas, tudo o que queria era poder ir à escola como as outras crianças, devido ao amor que sentia em querer aprender. O que tinha de ruim para se conhecer, a pequena pôde contemplar em seus pais, com isso, por conta de tanta injustiça e vazio que sentia, logo se via inclinada a almejar a punição contra o seu pai, para que assim se sentisse aliviada por tudo o que passava.

Como se não bastasse a vida que tinha, quando finalmente teve a oportunidade de ir à escola, Matilda se deparou com uma realidade amedrontante e opressora perante o ambiente hostil que era criado por Agatha Trunchbull (Pam Ferris), a diretora da escola. Tirando a doce professora Miss Honey (Embeth Davidtz), os adultos, para Matilda, eram sinal de espanto e desconforto. A sua esperança estava na sensação de liberdade que era de saber que possuía poderes.

Não há dúvidas de que o enredo de Matilda é extremamente delicado – se a adaptação fosse feita hoje, a internet estaria surtando com a dolorosa cena em que a diretora Agatha obriga uma criança a comer um bolo grande inteiro – e com certeza gerou desconforto e inconformidade para qualquer um que tenha assistido e se deparado com os pais terríveis da garota e uma agente da educação sendo o oposto do que deveria.

matilda

Depois de tamanha revolta com os personagens, Matilda representou tudo o que espectador queria: justiça e liberdade para as crianças que tinham suas infâncias traumatizadas e oprimidas, impedidas de imaginarem um futuro e terem esperanças graças a adultos que frustravam qualquer positividade e expectativa de dias melhores. O que a pequenina queria era ser amada e se sentir amada e de poder se expressar sem ter que ser desmerecida por quem não enxergava o potencial que ela tinha. No seu casulo de dificuldades, em nome de todas as crianças, ao descobrir o que podia fazer, Matilda pôde encontrar nos seus poderes a capacidade de pertencer e saber que pode ser tudo e muito mais porque é especial.

Ainda que de um jeito angustiante e revoltante, “Matilda” marcou gerações de uma maneira especial. Não há porque temer ou impedir. A criança merece o riso, ser esperta, merece atenção, merece o carinho, apoio e amor dos pais, merece se sentir segura e abraçada e, não menos importante, poder pertencer ao seu próprio mundo. Seja como for, sem ter poderes ou sendo simpática, a criança é especial.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.