Resenha: Machine Messiah – Sepultura (2017)

Da lista feita por mim juntamente com Lari Reis dos álbuns que queremos ouvir em 2017, já posso riscar um nome. Isso porque, acabou de sair do forno o décimo quarto álbum da banda de death/thrash metal brasileira Sepultura, Machine Messiah.

Machine Messiah
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Sucessor de The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013), Machine Messiah traz, em 10 faixas, um álbum sombrio, sinistro e pesado. Muito pesado. Mas é claro, sem deixar de lado a vontade de inovar e mesclar novas sonoridades. Basicamente, temos nesse novo trabalho, o Sepultura dos tempos de Arise (1991) juntamente com o Sepultura de Roots (1996).

Machine Messiah
Co-produzido pela banda juntamente com Jens Borgen (Amon Amarth, Opeth, Soilwork), o álbum tem como inspiração a robotização da sociedade hoje em dia, segundo relato do guitarrista Andreas Kisser ao site oficial da banda: “A principal inspiração em torno de ‘Machine Messiah’ é a robotização da sociedade hoje em dia. O conceito de uma ‘Máquina Divina’ que criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se fechando, retornando ao ponto de partida. Nós viemos de máquinas e estamos indo de volta para de onde viemos. O Messias, quando ele voltar, vai ser um robô, ou um humanóide, nosso salvador biomecânico”. A arte da capa que casa perfeitamente com o conceito do álbum, fica por conta da artista filipina Camille Dela Rosa.

Álbum devidamente apresentado, vamos ao faixa a faixa.

MACHINE MESSIAH
Com uma introdução suave seguida de uma guitarra base pesada, a faixa título do álbum, traz um Derrick Green na maior parte do tempo com uma voz calma que junto com o instrumental, carrega um ar sombrio, pesado e arrastado. Destaque para o solo de guitarra que aparece quase que no fim da música.

I AM THE ENEMY
Rápida e brutal, mostra que a escolha de Eloy Casagrande para erguer as baquetas que um dia foram de Igor Cavalera não foi em vão. O garoto destrói sua bateria sem dó nem piedade. Claramente notável no terremoto sonoro de pedais duplos no momento em que a música dá uma “pausa” e volta com uma bateria explosiva juntamente com o peso da guitarra.

PHANTOM SELF
Com um começo abrasileirado apesar da presença da guitarra, Phantom Self sem dúvida é a música que mais destoa no álbum na questão de mesclas musicais. Ainda que tenha na raiz o DNA pesado da banda, traz uma sonoridade com pitadas de uma orquestra que casaram muito bem no conjunto final.

ALETHEA
Um mini drum-solo de Eloy Casagrande que vem acompanhado posteriormente de guitarras que ecoam em determinados pontos no decorrer da música (ecos do tipo de How Soon Is Now, do The Smiths – só que pesados). Não tem nada de espetacular, mas agrada aos ouvidos no contexto geral.

ICEBERG DANCES
Única faixa do álbum totalmente instrumental. Nela temos um Andreas Kisser fazendo sua guitarra quase que falar, tamanha sua técnica e desenvoltura nas diferentes ondas musicais que a música segue. Destaque para o momento gitano que faz parecer um flamenco bem ao estilo Paco de Lucía.

SWORN OATH
Um início sinistro e pesado com sons de sinos ao fundo e, mais uma vez, com aquela pitada de orquestra, Sworn Oath é uma música dois em um: pesada e agressiva, mas ao mesmo tempo, leve e suave em determinados momentos.

RESISTANT PARASITES
Com uma base forte e marcante do baixo de Paulo Jr., Resistant Parasites segue a linha agressiva e pesada do álbum. Destaque para o solo de Andreas Kisser no meio da música que em certo ponto lembra a clássica Eruption, do Van Halen.

SILENT VIOLENCE
A Violência Silenciosa do Sepultura de silenciosa não tem nada. Uma música que como todo o álbum, tem um peso muito forte aliado a bons solos de guitarra e os vocais rasgados de Derrick Green.

VANDALS NEST
De início rápido, agressivo e com Eloy Casagrande fazendo os pedais duplos pegarem fogo, Vandals Nest traz uma guitarra mais melódica – mesmo que pesada – exceto no final, onde Andreas Kisser mais uma vez arrebenta no solo.

CYBER GOD
O álbum termina da mesma maneira como começou: com um ar sombrio, pesado e arrastado. Destaque mais uma vez para os vocais de Derrick Green. É a cereja do bolo chamado Machine Messiah.

Sem dúvida nenhuma, Machine Messiah é um dos melhores álbuns da banda desde que Derrick Green assumiu os vocais, e consolidou de vez o jovem Eloy Casagrande nas baquetas no lugar de Jean Dolabella. Resumidamente, é um álbum que mostra uma banda que não ficou refém dos irmãos Cavalera, seguiu seu caminho e continuou inovando sem perder sua essência.

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