Resenha: Kong: A Ilha da Caveira (2017): monstros gigantes com algo a mais

Está na hora de mostrar a Kong que o homem é rei!

kong 1

Título: Kong: A Ilha da Caveira (“Kong: Skull Island”)

Diretor: Jordan Vogt-Roberts

Ano: 2017

Pipocas: 9/10

O foco de um filme diz muito sobre o que esperar dele. Quando há 42 anos Steven Spielberg fez “Tubarão”, uma nova era de monstros surgia das profundezas – criaturas que não víamos, mas que nos aterrorizavam da mesma forma. Spielberg e seus seguidores, como J.J. Abrams, usam seus monstros como pano de fundo para desenvolver os dramas de seus personagens. “Kong: A Ilha da Caveira”, por outro lado, vem de outra escola, que se aproxima mais da abordagem oriental dos kaijus, na qual o objetivo é apresentar boas cenas de ação e uma trama de aventura – e ele faz isso com sucesso, e ainda entrega mais um pouco.

O ano é 1973, e a organização governamental conhecida como Monarca prepara uma expedição à recém-descoberta Ilha da Caveira, liderada pelo cientista Bill Randa (John Goodman, de “Rua Cloverfield 10”). Para tal, eles contam com uma escolta militar, a qual é liderada pelo tenente-coronel Packer (Samuel L. Jackson, de “Serpentes a Bordo”, risos), e é composta por homens que estavam prestes a voltar para casa após a derrota na Guerra do Vietnã. Além dos cientistas e militares, o grupo ainda conta com uma destemida fotógrafa de guerra, Mason Weaver (Brie Larson, a futura Capitão Marvel, presente em “O Quarto de Jack“) e com um explorador-rastreador, James Conrad (Tom Hiddleston, aquele dos seus sonhos).

O grupo chega na ilha aparentemente para fazer testes geológicos e revelar o que ela tem a oferecer, mas não tardam a descobrir que a própria ilha tem outros planos… E um rei.

kong 2

Enquanto a última versão de King Kong, de 2005, seguia a linha de Spielberg, criando expectativa e revelando o monstro aos poucos enquanto desenvolvia seus personagens, “Kong” não tem medo de revelar seu macaco gigante imediatamente. Logo na primeira sequência já entendemos que o protagonista do filme, e consequentemente seu foco, não são os humanos que povoam aquele mundo, mas o Rei Kong.

Dito isso, o que circunda Kong é efetivo em seus propósitos. O roteiro é suficiente para levar os personagens à Ilha da Caveira sem forçar nossa suspensão de descrença, enquanto o elenco Classe A parece estar à vontade em seus personagens e suas histórias pessoais desenvolvidas em cena. Assim como todo o resto do filme, ninguém se leva à sério demais, contribuindo para que o filme seja divertido e interessante.

kong 3

Dentro do âmbito dos humanos, o tenente-coronel Packer de Samuel L. Jackson. Em primeiro lugar, porque o excelente ator abraça seu personagem com a entrega habitual; em segundo lugar, porque é através dele que “Kong” ensaia ir além de ser um filme oco de monstro gigante. Com fotografia inspirada em “Apocalypse Now” e “Platoon”, “Kong” faz paralelos entre a hostilidade da Ilha da Caveira e das terras vietnamitas: o uso de napalm e o risco de morte iminente que o local e suas criaturas representam. Isto é enriquecido pelo fato de Packer não ser nada exceto um soldado e, como tal, não saber como é viver em tempos de trégua; no meio do caos, Packer encontra paz ao fazer para si um novo inimigo mortal.

kong 4

Ainda assim, essa reflexão é uma nota de rodapé para acrescentar camadas ao pano de fundo do filme, pois ainda é com o rei da Ilha da Caveira que o filme brilha. Kong demonstra ser mais do que um animal irracional ao utilizar ferramentas para fins específicos, proporcionando alguns dos momentos mais animadores do filme. As cenas de ação envolvendo ou o gorilão ou outras criaturas desproporcionais são fantásticas, e algumas das mortes vistas ali não serão esquecidas tão cedo.

Se tudo isso ainda não te animar, saiba ainda que “Kong” tem a responsabilidade de preparar o Universo Expandido dos Monstros, da Legendary Pictures, para que em 2020 vejamos o (já confirmado) “Godzilla vs King Kong” – e o quão irado é isso?!. Além da pseudociência que é estabelecida no filme, a cena pós-créditos anuncia o caminho insano que a franquia irá seguir.

kong 6

Para aqueles que gostam ou de monstros gigantes ou de filmes de aventura, “Kong: A Ilha da Caveira” cumpre seu papel de maneira excelente, com cenas formidáveis e parte técnica efetiva – do design dos títulos à trilha sonora, que vai de Jefferson Airplane à David Bowie. Para o resto do público, o filme é um blockbuster divertido que vale o seu ingresso. De uma forma ou de outra, é impossível não tremer no cinema quando Kong ruge, então vida longa ao rei.

The following two tabs change content below.

erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.