Resenha | Jumanji: Próxima Fase (2020) – diverte com a mesma jogada

No mundo dos jogos, são inegáveis as expectativas para o que o esperado update trará para um game depois de tanto tempo em desenvolvimento. No caso de Jumanji, só temos esse privilégio de saber o que virá cada vez que alguém inicia uma nova partida. Dois anos após o remake do clássico de 95 invadir as telonas recebendo avaliações mistas da crítica, mas uma boa aceitação do público, estamos de volta para a próxima fase do universo aventureiro. Com a mesma jogada, o longa consegue divertir, mas demonstra um desgaste já no segundo level.

Título: Jumanji: Próxima Fase (“Jumanji: Next Level”)
Ano: 2019
Direção: Jake Kasdan
Pipocas: 6,5/10

Questões como “quem eu sou”, “onde pertenço”, “como me sentir confortável” surgem antes mesmo de percebermos o quanto este mundo é estranho e que nos causa tantas indagações para descobrir. Assim, o Jumanji aparece em meio a tantas situações embaraçosas e dificuldades como escape da a realidade em que os personagens se encontram. E, se ter a chance de se sentir bem consigo mesmo significa voltar ao jogo, Spencer Galpin (Alex Wolff, de “Hereditário“) não descarta a possibilidade, ainda que a sua escolha tome rumos diferentes do que imaginava.

Se viver o agora em si já é muito assustador, chegar na velhice onde já se experimentou tantas coisas e não ter muito o que se fazer a respeito é um pouco frustrante: ouvir conselhos e sermões os quais não quer nem saber, um lembrete constante de que só precisa de cuidados e de se dispor a isso é também mais uma carga a ter que se refletir.

Diferente da pegada apressada em introduzir as implicações do cast adolescente, dessa vez Kasdan abriu mais tempo em tela para desenvolver um pouco mais o drama. Ainda há ali a pauta romântica de Spencer, mas a discussão se estabelece de fato entre dois personagens: Eddie Galpin (Danny DeVito, de “Matilda“), avô do jovem protagonista, e Milo (Danny Glover), dois amigos de longa data que há 15 anos deixaram a conciliação de lado. Trazer duas novas figuras na velhice, serviu como um contraponto à “complicada” (nem ele mesmo sabe o que aconteceu ao seu namoro com Martha, vivida por Morgan Turner) situação de Spencer.

Alex Wolff e Danny DeVito em cena.

Dá realmente para sentir o ritmo lento e que demora para tornar a história interessante, afinal, o que nos levará ao jogo? A aposta dramática se resolve de maneira genérica, o que não faz diferença para quem embarca em tramas sobre família e amizade, mas ainda assim, Kasdan tem um elenco que carrega carisma (o adulto, claro, que detém a responsabilidade no universo alternativo) para o que se propõe apresentar.

O fator criatividade aqui é o que realmente faz Próxima Fase valer a pena, uma vez que temos a sensação compensadora de nos depararmos com as surpresas que um game atualizado pode trazer. A inclusão de novos rostos para complementar o elenco trouxe uma sacada divertidíssima para encaixá-los e não nos colocar no jogo de maneira tão manjada. Mesmo a convivência para tornar algumas coisas possíveis sendo utilizada na cara dura, quebrando o andamento empolgante que a trama vinha tendo, é cômico ver a dança de cadeiras que rola para não deixar a peteca cair.

Kevin Hart, Karen Gillian, Dwayne Johnson, Awkwafina e Jack Black em cena.

O elenco se diverte com as esculhambações e piadas acerca do estado em que estão e o espectador também, enquanto precisam juntar todos os esforços para salvar o dia (leia-se “o universo fantasioso de um videogame”) com tantos perigos e desafios à frente. Entretanto, quando o divertimento acaba, fica claro ali que Kesdan brincou com as mesmas manhas e habilidades de alguém que domina o jogo, mas ter outra investida dessas em um próximo nível ficaria mais batido do que o que já vem apresentando.

A boa notícia é que Próxima Fase já tem no mapa onde será a parada seguinte que dará um desfecho para este remake, o que significa não dar mais calos nas mãos do jogador que avança o nível, mas sente que não sai do lugar.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.