Resenha | John Wick 3 – Parabellum (2019): se afundando ainda mais no jogo

Surpreendendo de maneira fascinante a audiência, parecia mesmo que estávamos diante de mais um filme comum de ação quando “De Volta ao Jogo” (2014) foi lançado, só não contávamos com sermos cativados pela figura misteriosa e persistente de John Wick (Keanu Reeves). Mais intensa do que nunca, em seu terceiro capítulo, a franquia explora mais desse universo de assassinos com muito gás. “Si vis pacem, para bellum“.

john wick 3

Título: John Wick 3: Parabellum (“John Wick: Chapter 3 – Parabellum“)
Ano: 2019
Direção: Chad Stahelski
Pipocas: 8,5/10

Seguindo exatamente de onde o segundo filme parou, “John Wick 3” inicia com a contagem regressiva para que o anúncio oficial do banimento de Johnathan junto da oferta de 14 milhões seja feito, enquanto o brucutu busca de todos os jeitos sobreviver à caçada contra sua vida. Se você quer paz, prepare-se para a guerra.

Sem poupar tempo, Chad posiciona o filme abraçando a violência numa sequência de pancadaria absurda e inesquecível, fazendo o público vibrar só com a primeira amostra do que está por vir. Nisso, é notável a inserção de uma nova pegada para somar com o estilo visto nas películas anteriores: o humor. A boa notícia é que a comédia foi driblada sem atrapalhar o ritmo frenético em que a trama se desenrola, se estabelecendo assim como um acréscimo assertivo.

Um ponto já ciente para quem acompanha a trajetória do Baba Yaga é que ainda não o conhecemos tão bem. Mesmo no mais novo arco de sua jornada, John é um homem de poucas palavras, característica essa uma das mais evidentes. O fato de não sabermos como ele era antes da terrível perda da esposa Helen Wick (Bridget Moynahan) gera uma imensa curiosidade, enquanto o que temos é versão de alguém tirado da solidão e do luto para uma vida que tinha abandonado.

john wick 3 resenha

Numa cadência equilibrada, alternando entre a ação eletrizante e os intervalos dramáticos sem deixar a peteca cair, “Parabellum” apresenta outros horizontes do passado de John. O engraçado é que, apesar de estar dentro de uma fórmula da própria franquia, o diretor soube incorporar personagens e cenários de forma simétrica tornando a Alta Cúpula de assassinos rica.

Para isso, foi preciso até uma mudança do foco inerente das ruas, luzes de postes, automóveis, chuva e período noturno, se desdobrando para ambientes mais desertos e da arte da dança, tudo isso sem faltar o visual impecável e casamento incrível com os objetos, estrutura do local, luxo e o uso belíssimo de cores mantendo essa identidade viva de encher os olhos que só o mundo de John Wick sabe entregar.

Sutilmente, foi nos dado um pouco das pessoas que definiram o lado leal do lendário, assim como um vislumbre dos lugares que o fizeram tão forte e dominador da técnica da luta, a ponto de ser um dos nomes mais temidos entre os mais respeitáveis, brutais e melhores da comunidade que pertenceu.

john wick 3 crítica

Provando o porquê merece o reconhecimento como uma franquia prestigiada, “John Wick 3” desempenha grandiosas cenas de ação, cada vez mais coreografadas e demoradas. A agilidade é tanta que consegue prender a atenção para todos os movimentos com armas e golpes físicos em tela, sendo tão viscerais que transmitem a agonia e tensão em acompanhar o desenrolar da porradaria.

Ilustrando tais lutas, os cenários exalam beleza e extravagância de um jeito muito, muito bom, dividindo os olhos do telespectador com o combate energético e o design formidável que vestem o fundo do campo de batalha. Sem falar da trilha sonora certeira que aquece os panoramas turbulentos de vida ou morte entre o caçado e os caçadores.

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O entretenimento satisfatório de “John Wick 3: Parabellum” é inegável, mas a dúvida que não deixa de soar é: até quando esse molde terá fôlego? Esticando o que tivemos em “Um Novo Dia Para Matar”, o enredo cedeu mais informações sobre o protagonista, mas repetiu a dose de aplicar camadas de reviravoltas para manter a chama acesa. Sem cambalear, o gancho funciona novamente com sucesso.

Desbravando mais do icônico personagem, a terceira façanha de John Wick o firma como um importante título aclamado do gênero de ação, ao mesmo tempo em que estabelece que o Boogeyman, ao contrário do que pretendia, se afundou ainda mais no jogo. O aquecimento para a guerra só começou.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.