Resenha | Homem-Aranha: Longe de Casa (2019) – é um filme dependente, mas que compensa

É inviável falar do MCU e ignorar a construção de tramas e personagens que culminaram num grande evento: “Vingadores: Ultimato”. Para tornar esse feito ainda mais emocionante, foi de admirável valia ter o Homem-Aranha como um dos membros da equipe que combateram o Titã Louco. Para fechar um importante arco da Casa das Ideias, a segunda aventura solo do Aracnídeo chegou repleta de evoluções, porém presa aos acontecimentos que marcaram a fase 3.

Homem-Aranha: Longe de Casa Crítica

Título: Homem-Aranha: Longe de Casa (“Spider-Man: Far From Home”)
Direção: Jon Watts
Ano: 2019
Pipocas: 7,5/10

Seguindo os efeitos de dor e restauração após o fim de Ultimato, a Midtown School organiza uma viagem de duas semanas para que seus alunos se distraiam. Enquanto em Veneza, na Itália, Peter (Tom Holland, “O Impossível”) queria aproveitar a ocasião para declarar seus sentimentos para Michelle ‘MJ’ Jones (Zendaya, “Euphoria”), a cidade é atacada por um ser elemental da água, o que move Nick Fury (Samuel L. Jackson, “Serpentes a Bordo”) a tirar o jovem da zona de conforto para combater as novas ameaças ao lado de Quentin Back (Jake Gyllenhall, “Animais Noturnos”).

De um jeito ou de outro, é curioso como não precisa de muito para “Longe de Casa” passar a sensação de alívio de que a fase 3 da Marvel está se encerrando. É compreensível e esperado que Peter estaria afetado emocionalmente após a perda de Tony Stark (Robert Downey Jr., “Zodíaco”), mas chega a ser desgastante o fato dos episódios pós “Ultimato” ditarem alguns dos percursos do Aranha.

No meio disso, a aplicação da comédia com essa nova fase da franquia do Teioso nunca soou tão deslocada como agora. Claro que o Peter afobado que fala apressadamente e nervoso não deixa de ser um acerto característico, mas a inserção de plots como numa comédia romântica pareceu forçada no único intuito de ter humor – mas do que adiantou se a interação dos personagens não seria relevante no final? É como se a consequência da comédia fosse a liberdade de dar aos demais personagens nuances diferentes, ainda que superficiais.

Homem-Aranha: Longe de Casa resenha

Ao menos Zendaya como MJ ganhou uma profundidade contagiante – nada daquela versão opaca e perdida vista em “De Volta ao Lar” – e contracenar com Tom Holland rendeu muitas cenas fofas e dignas de algo honesto sendo desenvolvido entre os pombinhos – ambos tímidos e constrangidos demais para expressar a paixão sentida um pelo outro – e a química entre os dois possibilitaram isso da melhor forma.

Isso também vale para a relação amigável, de aconselhador e bom ouvinte entre Peter e Quentin. A escolha do Gyllenhall para o Mistério foi excepcional e envolvente, como também interessante para o Universo Cinematográfico Marvel. 

Se tratando de Peter e seu papel como Homem-Aranha, “Longe de Casa” trouxe um balanço necessário e de avanço no que diz respeito ao amigo da vizinhança assumir de vez o caráter de herói. A essência esteve sempre ali, mas Peter estava quebrado demais para perceber isso, o que o fez se lançar sobre qualquer alternativa que o afastasse de aceitar as responsabilidades que tem. 

Longe de Casa

Assim, essa sequência reuniu muito dos conflitos que envolvem o moço, como os sentidos aranha e seu estado emocional desesperado não combinarem muito bem, enfraquecendo a habilidade de pressentir o perigo. Ao mesmo tempo, o longa pontua os poderes que fazem dele forte, mas, de novo, ele estava turbado demais para usufruir de toda a força.

Juntamente dessa evolução do personagem, o filme escancarou, de maneira engenhosa, incríveis e grandiosas cenas de ação. Os efeitos e os cenários explorados são de impressionar, casando com a narrativa e empecilhos que o herói deverá enfrentar nessa fase de crescimento como alguém de grandes poderes e responsabilidades.

O compensador é que, mesmo o enredo sendo previsível, é também bem articulado e se sobressai visto as apostas para trazer às telas de cinema o Mistério, personagem formidável do universo aranha, e tê-lo nessa empreitada só provou a validade e o momento oportuno para o período embaraçoso que Peter se vê enfrentando – ser um adolescente normal ou um salvador para as pessoas.

Homem-Aranha

Ainda que não tão distante de tramas manjadas que costumamos ver, “Longe de Casa” indica um futuro promissor para o Aranha – considerando a maneira ousada com que essa investida da Marvel em parceria com a Columbia Pictures tem trabalhado para o personagem -, afinal, além de animador é também tentador e perigoso o quanto Peter tem sido levado a lidar com o que é do jeito mais inesperado possível.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.