Resenha | Halloween (2018) – Michael Myers ainda é o bicho-papão

Como esquecer de um dos maiores ícones do slasher, não é mesmo? Por mais que onda de remakes nem soe mais como uma novidade para o mundo da Sétima Arte, é difícil negar que o gênero do terror é o que mais soma títulos que são revisitados para um remake. Aquele prelúdio de uma história conhecida é exemplo de reboot maquiado sob a forma de explorar outros conceitos da obra – como é o caso de “Annabelle 2 – A Criação do Mal”. Mas falando do mais novo “Halloween”, a sacada para trazer Michael Myers de volta foi ao menos inteligente e curiosa: ignorar as 10 sequências existentes (com um remake em 2007 seguindo a história em 2009) e ser reboot com cara de uma continuação do original. O resultado é um filme tenso e excitante, que peca, mas ainda sim, mantém o seu bicho-papão aterrorizante.

Título: Halloween (“Halloween”)

Ano: 2018

Diretor: David Gordon Green

Pipocas: 6,8/10

 

Se passando exatamente 40 anos depois dos eventos do longa de 1978, “Halloween” inicia sua trama destacando o seu vilão. E por mais que a cidade de Haddonfield estivesse em paz durante o longo tempo em que Michael passou preso, para a sobrevivente Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) a realidade é uma imensa sede de vingança contra o homem que matou cinco pessoas há quatro décadas. Além do desejo inevitável de vingança, Laurie tanto sofre de agorafobia (medo de espaços públicos o abertos), como também lida com o relacionamento abalado com a filha Karen Strode (Judy Greer), mas ao menos tenta ao máximo se manter próxima da neta Allyson Strode (Andi Matichak). Após ser perseguida pela lembrança de sobreviver à terrível noite de massacre, Laurie não mais será uma vítima, uma vez que Michael está de volta à antiga cidade.

Dos mais belos e terríveis slashers, é inegável dizer o quanto o longa dirigido por John Carpenter é um grande clássico do terror. Podendo ser assistido em qualquer ano, “Halloween” soma uma experiência única, ainda mais considerando gradativamente os fatores que o tornam tão bom e digno de todos os elogios; desde a figura do Michael Myers, sua máscara, a trilha sonora, uso da câmera, mortes e a eterna Laurie Strode.

Considerando esses fatos, é notável o quanto David Gordon Green se esforçou para fazer um filme honroso, ainda mais tendo Carpenter como diretor assistente na produção do longa. O problema é que mesmo diante dos esforços, o filme fica dividido entre ser um slasher genérico ou um respeitável entretenimento repleto de características e referências dos demais títulos da franquia para os fãs.

A começar pela maneira que Gordon optou para criar a motivação de Michael a voltar para Haddonfield (óbvia e sem emoção), em seguida, partindo para sacada desgastada de inserir o humor em filmes de terror (sendo forçada com menos de dez minutos de filme e o espectador tentando entender a necessidade disso). Mas o golpe baixo de verdade foi ver a forte personalidade de Laurie Strode ser resumida a um perfil, mais uma vez, manjado – ainda que tenha um pouco de inspiração no Dr. Loomis (Donald Pleasence) de “Halloween ll – O Pesadelo Continua”, ou reproduzido alguns traços do que Michael foi e fez em “Halloween – A Noite do Terror”.

Não demora muito para que fique claro que o pilar da personagem, além da vingança, será proteger sua filha e neta de qualquer perigo que Michael possa causar enquanto caminha em sua direção. O frustrante é o fato de Laurie não ser nada além do que o roteiro clichê pede e ficar encarcerada em detalhes que a limitam. O resultado é que o desenvolvimento dos personagens se passa tão rápido ao longo dos 146 minutos de duração que fica difícil se apegar e acabam sendo esquecíveis. O que resta é aceitar o que será mostrado: algo às pressas e oco.

halloween 2018

Indo além desses aspectos que comprometem o filme, é válido ressaltar como “Halloween” respeita e muito o trabalho feito por Carpenter. O que envolve desde os enquadramentos fechados da câmera, a trilha sonora, a edição e o mais importante: Michael Myers. Um dos pontos mais marcantes do longa de 1978 foi o quanto o público se via tentado a entender as motivações de Michael, e até mesmo quais eram seus requisitos para fazer uma vítima. Felizmente, Gordon soube manter a essência do bicho-papão e pudemos nos questionar sobre os limites do assassino até conseguir consumar sua obsessão com Laurie. Acrescentando também como a sua volta em Haddonfield foi aterrorizante, além do mais por protagonizar referências ao seu lado legado na franquia de filmes de um jeito brutal e implacável.

Ainda que “Halloween” peque com os personagens e no desenvolvimento, o longa consegue ser tenso e entregar um terror proveitoso quando necessário. Mas como Gordon estava mais propenso a errar do que a conduzir o longa por um caminho firme. Os últimos minutos do filme encerram o confronto (que, quando menos se espera, você se pergunta “ué, terminou?”) entre Laurie e Michael de um jeito incoerente e entregue às conveniências, esperando que isso seja o suficiente para aceitar, mas, na verdade, deixa a desejar quando se atenta para a maneira que o enredo é sustentado. No mais, para um filme de terror, o mais novo “Halloween” é um misto de clichês e poucas ressalvas, mas que vale a pena conferir – menos para quem assistiu o trailer, que entregou um belo resumo.

 

OBS: Em breve a série “maratona” voltará com resenhas dos filmes da franquia. Relembre o texto sobre o longa de 78 aqui.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.