Resenha | Halloween 2: O Pesadelo Continua (1981) – mais tentador e brutal

Sem dúvidas, depois do enorme sucesso nas bilheterias e conquistar em sua maioria críticas positivas, certamente “Halloween – A Noite do Terror” ganharia uma sequência – ainda mais considerando o desfecho com pontas soltas. Três anos depois que John Carpenter dirigiu a obra prima do slasher, eis que Michael Myers (Tony Moran) voltou para concluir sua caçada contra Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) em “Halloween 2 – O Pesadelo Continua”. O retorno de Michael com certeza foi mais tentador e brutal, pena que fez mais do que o necessário.

 

Título: Halloween 2 – O Pesadelo Continua (“Halloween 2”)

Diretor: Rick Rosenthal

Ano: 1981

Pipocas: 6/10

Este texto contém spoilers

A história que do filme é bem simples. Após Michael tentar contra a vida de Laurie no final de “Halloween”, ser baleado e seu corpo sumir da grama em que caiu, não restava dúvidas que o assassino estava vivo. Assim, seguimos a final girl traumatizada ser levada para o hospital local da cidade. Enquanto o Dr. Loomis não descansa até encontrar Michael para que possa matá-lo de uma vez por todas. O assassino traça uma trilha de matança até chegar no seu alvo.

Dessa vez, a direção do longa não ficou a cargo de John Carpenter (ainda que ele tenha assinado pela segunda vez o roteiro ao lado de Debra Hill), porém, desde a sequência inicial foi notável o desempenho de Rick Rosenthal para manter os traços da direção marcante do primeiro Halloween. Com isso, facilmente o espectador pôde entrar no tom o tom do filme sem medo de decepcionar com esse quesito.

O curioso é que “Halloween 2” trabalhou com duas características interessantes a serem consideradas: a primeira é o fato de ser uma continuação direta do seu antecessor; a segunda se deve ao subgênero slasher ,que é um dos principais aspectos que define o filme. O problema é que a película estava conseguindo equilibrar essas duas características de uma maneira consistente, até correr para o caminho das conveniências.

Vejamos. Como um filme que se inclina a entregar mais sobre a história fascinante de Carpenter, Rosenthal alcançou um feito brilhante e ousado em “Halloween 2”. Se outrora vimos Michael ser uma personificação do bicho-papão numa noite dos dias bruxas, agora o temor pela sua figura é maior e mais real. Laurie é conhecida por ser sobrevivente; Dr. Loomis caça o autor das terríveis brutalidades, a medida que a cidade de Haddonfield sofre com o abalo do massacre.

halloween 2

Nesse contexto, Rosenthal conseguiu manter duas perspectivas sem ser maçante ou desprender a atenção: no hospital, vemos a brutalidade e frieza de Michael ser explorada em apenas um ambiente, enquanto o medo e temor por suas novas vítimas só cresce; fora do hospital, a população de Haddonfield não descansa a cabeça, afinal, onde o assassino poderia estar numa noite de Halloween?

O momento tão esperado por Michael e temido por Laurie, foi uma empolgante cena de perseguição e luta por sobrevivência. Mas a essa altura, “Halloween 2” já tinha caído nas graças do que parece inevitável em sequências: querer fazer mais do que o necessário para o filme e acabar estragando o que já estava bom. A terrível escolha aconteceu durante a passagem de uma explicação para obsessão de Michael por Laurie. Até o momento, a mitologia não pedia por isso, mas ainda assim tivemos essa “resposta”.

No final, acabou sendo a típica conveniência forçada que surge quando não se tem nada melhor para abordar. E a impressão foi que a história precisava acabar ali, mesmo que para isso incluísse na mitologia que Laurie era irmã de Michael. Assim se explica o porquê da perseguição, uma vez que sua primeira vítima, Judith Myers era também da família. Como um slasher “Halloween 2 – O Pesadelo Continua” é um filme bastante aproveitável, e uma sequência ousada, o mesmo não pode dizer sobre o desfecho preguiçoso e desesperado.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.