Resenha: Fragmentado (2017) é um suspense de altíssima qualidade

Os quebrados são mais evoluídos.

fragmentado

Título: Fragmentado (“Split”)

Diretor: M. Night Shyamalan

Ano: 2017

Pipocas: 9/10

M. Night Shyamalan teve uma época difícil nos últimos dez anos. Desde o discutível “A Dama na Água”, de 2006, o diretor consagrado por “O Sexto Sentido” (1999) e “Corpo Fechado” (2000) entrou numa sequência de filmes horríveis como poucos conseguiram antes dele. Tendo ensaiado um retorno à forma com o bom “A Visita” (2015), Shyamalan traz em “Fragmentado” um excelente thriller, competente em todas as suas pretensões e um retorno à excelência para o diretor.

No filme, três jovens são sequestradas por um homem misterioso (James McAvoy, da franquia X-Men), que aos poucos revela ser psicologicamente perturbado, com mais de uma consciência habitando sua mente. Dentre as três meninas, somente Casey Cooke (Anya Taylor-Joy, de “A Bruxa“) parece compreender melhor seu captor, e começa a tentar se conectar com ele para que consiga escapar. O que elas não sabem, no entanto, é que algo pior do que o cativeiro está se movimentando nas sombras, vindo para buscá-las.

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“Fragmentado” é um filme que te faz sair do cinema querendo conversar com todo mundo sobre ele, e isso se dá por uma série de motivos, a começar pelo roteiro. Também escrito por Shyamalan, a história é intensa desde a primeira sequência; a tensão te fisga ali e não te solta mais pelas próximas duas horas. Cada nova faceta do personagem de McAvoy traz uma dimensão a mais de tensão e expectativa para o filme.

O que nos leva à atuação brilhante de James McAvoy: é impressionante como o ator varia entre nuances diferentes com somente um olhar. Ao fim do primeiro ato já conseguimos identificar quem está falando pela postura e expressão, antes mesmo do ator abrir sua boca. Além de McAvoy, a interpretação intensa de Anya Taylor-Joy a deixa no mesmo nível de seu colega de cena, correspondendo às necessidades do roteiro e nos colocando em sua pele, dentro do pesadelo em que ela está vivendo.

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Shyamalan sabe que tem uma dupla de atores excelentes em seu filme, de forma que seus close-ups tradicionais funcionam muito bem – é muito melhor focar no rosto de seu ator quando ele de fato tem um bom desempenho, e aqui vai um abraço para Zooey Deschanel e Mark Wahlberg em “Fim dos Tempos” (2008). No restante do longa, Shyamalan consegue manter o público interessado todo o tempo, intercalando tensão com momentos estranhos de humor (que soam inapropriados, mas não deslocados) e de promessa – ou execução – de atos de brutalidade.

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Ancorado na força de seus protagonistas e impulsionado por seu bom roteiro, “Fragmentado” é um filme-cartela de como se fazer um excelente suspense. É complicado entrar em maiores detalhes pelo risco de se esbarrar em spoilers; basta dizer que “Fragmentado” resgata as qualidades e elementos dos melhores filmes de M. Night Shyamalan, e consolida aqui um daqueles thrillers que te mantêm acordado até o fim mesmo nas noites que você mais quer dormir.

E ele não vai te tirar sono, mas certamente vai te fazer adormecer com um sorriso perturbador no rosto. O que mais podemos pedir de um suspense?

 

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.