Resenha | Final Space (2018) – Espaço, a sacada final

Existe uma extensa gama de produções disponíveis no catálogo atual da Netflix, sejam elas projetos originais ou não, e isso definitivamente não podemos negar. No meio de tantas apostas e escolhas encontramos algumas séries e filmes que consigam se destacar de maneira positiva – mesmo que boa parte das suas produções deixem um pouco a desejar – e entre elas agora temos “Final Space”, uma animação criada por Olan Rogers em parceria com a TBS, que busca mesclar um pouco de aventura e ficção científica com uma boa dose de humor enquanto tenta imprimir sua própria identidade.

Título: Final Space

Criador: Olan Rogers

Ano: 2018

Pipocas: 7/10

A animação, que visa um público mais velho pelo seu tipo de humor e escolhas narrativas, contém uma história base bastante simples e que já foi explorada de algumas formas em outras produções semelhantes – qualquer comparação com Futurama é bastante válida em certos pontos. Gary Goodspeed (Olan Rogers) é um humano que, após cometer uma série de infrações para tentar conseguir a atenção de uma mulher, acaba sendo condenado a passar cinco anos em uma nave, que lhe serviria como um tipo de prisão espacial, rodeado apenas de robôs. Esse detalhe acaba motivando diversos momentos que transitam de vergonha alheia para uma sacada muito boa com certa frequência, já que essa limitação de comunicação aparenta alterar a forma como Gary se comporta.

Entre os robôs que vivem na nave, os que recebem mais destaque são o fantástico KVN, a inteligência artificial da própria nave chamada de HUE – cara, não tem como não rir disso huehue – e uma série de andróides multifuncionais que foram carinhosamente apelidados de Sames. Por sinal, os nomes que são escolhidos para os personagens caracterizam muito o tipo de humor que a animação se pretende a oferecer. Tudo é meio que uma piada, e aquilo que não é exatamente uma piada acaba se tornando o motivo de uma que virá logo mais a frente. Para a alegria passageira de Gary, dias antes da sua pena finalmente chegar ao fim, ele se depara com uma criaturinha verde que aparenta ser bastante importante, mas que não se comunica da mesma forma que o resto dos personagens, nomeada de Mooncake por ele mesmo, e Avocato, que tem seu próprio arco dramático no desenho.

A princípio “Final Space” não me pareceu tão aconchegante como acabou se tornando. Isso porque o primeiro episódio é apenas razoável. Te da uma noção sobre quem o protagonista é, o ambiente onde ele está inserido e quais são as propostas iniciais da animação, mas não vai muito longe em acertar nelas. É um piloto passável, mas que quase não manteve a minha atenção. Sorte a nossa que a série vai desenvolvendo bem o seu ritmo com seus próprios passos, e a partir do terceiro episódio já conseguiu se estabelecer muito bem. O humor do tipo ácido da série contribui bastante nos momentos mais inusitados e aleatórios, e consegue realmente tirar algumas risadas seguras de quem assiste.

O único problema aqui talvez seja a inconstância. Veja bem, a animação encontra o seu espaço – huehue – mas nem sempre se mantém bem nele. Existem alguns exageros no personagem de Gary que conseguem passar de algo engraçado e muito bacana, já que é uma das principais características dele, para algo incômodo e sem graça. Falta um pouco de equilíbrio também nos momentos dramáticos. Eles acabam não entregando o mesmo peso que os momentos engraçados, e nisso a série acaba tropeçando um pouco porque não te gera uma comoção de verdade, e em certas situações essa comoção seria muito bem vinda.

final space

Mas isso não torna “Final Space” ruim, muito pelo contrário. Existem falhas durante os dez episódios que você não vai simplesmente deixar passar, mas que vão ser superadas pela quantidade de sacadas boas que a animação tem. Sem contar que tudo é bem bonito e limpo na tela o tempo todo e super fácil de se identificar, fora algumas referências bem legais que são possíveis de se notar. “Final Space” foi uma grata surpresa – que já foi renovada para uma segunda temporada – que vale a pena assistir, além do humor bem afiado na maior parte do tempo, e mesmo não sendo lá tão original, ela consegue divertir e entreter na medida certa.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.