Resenha | Extinção (2018) – quando um filme B procura ser algo a mais

Às vezes repetir alguns conceitos durante a criação de um filme pode ser até bastante comum, mas criar algo totalmente novo tem se tornado cada vez mais difícil. “Extinção”, filme dirigido por Ben Young (Predadores do Amor), acaba se mantendo brevemente no meio dessas duas realidades, até que decide abraçar uma das duas ideias. Sendo mais uma das produções que carregam o selo original da Netflix, o longa é uma tentativa de fazer um bom sci-fi com seu próprio twist.

Título: Extinção (“Extinction”)

Direção: Ben Young

Ano: 2018

Pipocas: 3/10

A premissa do filme é simples e não demora a ser definida no longa. Peter, interpretado por Michael Peña (Homem-Formiga), sofre com uma série de pesadelos sobre uma invasão alienígena que ocorre em sua cidade, e em diversos desses pesadelos sua família está presente. Sua mulher, Alice (Lizzy Caplan), começa a se preocupar com o estado do marido e o aconselha a buscar algum tipo de tratamento. A grande questão do filme é que os pesadelos de Peter, na verdade, eram um tipo de presságio que não se isolava somente ao seus sonhos. Quanto mais perto do dia da invasão, mais intensos eram os pesadelos e a sua insônia, consequentemente.

extinção

O filme mescla uma ficção científica com alguns momentos de suspense – que em quase todas as suas tentativas falha consideravelmente. Estabelecendo uma base de conflitos familiares que giram em torno do fato de Peter sofrer com seus pesadelos e começar a se distanciar de sua família, encontramos um alicerce que a princípio sugere que o filme não vai se limitar somente ao caos e a destruição que uma invasão alienígena poderia causar tão rapidamente, mas infelizmente esse não é o caso aqui.

Com cerca de vinte minutos, a ação característica de um clássico filme B surge maestrosa e lidera a narrativa rumo a uma série de sequências que poderiam até empolgar se fossem melhor dirigidas e coreografadas. Mas ele não é de todo previsível, já que existe uma situação na metade do filme que não é exatamente o que eu esperava e que poderia elevar o longa a outro patamar, mas seu twist não é suficiente para salvar todo resto – até porque ele não foi tão bem executado assim.  

É meio decepcionante olhar para “Extinção” e notar como existem várias ideias dentro do contexto do filme que poderiam gerar um bom enredo se fossem melhor idealizadas e trabalhadas, como tantos outros filmes que vieram antes dele. E não é só em deixar ideias de lado que o filme desaponta. O roteiro é extremamente vago, o desenvolvimento dos personagens é fraco, a parte visual do filme também não é lá grandes coisas e sofre em vários momentos com um CGI bem pobre. Até mesmo as atuações deixam a desejar em alguns momentos, principalmente da parte de Peña – ele é ótimo em comédias, mas esse filme não caiu bem para ele. E por mencionar as atuações, o fato do casal principal não demonstrar nenhuma química de verdade não contribui para amenizar os pesares do filme.

Mas é na tentativa de ser original que o filme tropeça mais. Ele traz suas propostas e coloca elas em tela, mas em nenhum momento as expande ou desenvolve direito. Poderia ser um problema de duração já que o filme tem pouco mais de uma hora e meia? Poderia ser uma explicação plausível, já que é possível ver o que tentaram fazer com o longa, só que a impressão que dá é que não investiram tanto assim nas ideias e nem mesmo na hora de pagar alguém para escrever um roteiro com elas. A verdade é que “Extinção” nasceu com a estrutura de um filme B, mas que almejava ser algo maior do que ele se arriscou a ser. O filme até traz uma tentativa de inovação, mas que é sufocada pela indecisão do roteiro de querer contar algo novo ou de ser um filme com várias cenas de ação que, no fim das contas, não entrega nem mesmo um pouco de empolgação a quem assiste.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.