Resenha: Estrelas Perdidas (2015)

Todos conhecemos a história de como a Aliança Rebelde conseguiu de forma milagrosa vencer o Império. Como os heróis Luke Skywalker, Han Solo, Chewbacca, Leia Organa e outros destruíram as duas Estrelas da Morte e derrotaram o terrível Imperador Palpatine. Como os stormtroopers foram mortos, mas tudo bem, por que ninguém sabe quem estava de baixo dos capacetes. Pois este livro traz uma nova perspectiva para essa história.

Estrelas Perdidas

Escrito por Claudia Gray, este romance/aventura mostra as batalhas da trilogia clássica de Star Wars das duas perspectivas. Tudo começa com um casal de crianças do planeta Jelucan, Ciena Ree e Thane Kyrell que se conhecem e se aproximam quando que ambos tinham o mesmo sonho, ser um piloto para o Império. Cresceram com este sonho e lutaram para alcançá-lo. Durante o treinamento em Coruscant, eles foram se aproximando cada vez mais, até o ponto em que perceberam que estavam apaixonados um pelo outro. Mas o romance dos dois acaba ficando um pouco complicado após a explosão do planeta Alderaan. Cada um deles lida com aquela ação do império de uma forma, fazendo Thane desistir do império, porém Ciena continua servindo por honra ao seu juramento.

Muitos já devem saber que Star Wars foi muito inspirado por fatos da Segunda Guerra Mundial. Naves, ideologias, nomes das tropas e outras coisas. E como em uma guerra, cada lado esta lutando por algo em que acredita. Nos filmes apenas vimos o que a Aliança Rebelde acredita e o que Palpatine acredita. Mas e os soldados? Como se sentiam naquele conflito?

Colocando cada personagem principal em um lado da mesma guerra Claudia Gray consegue equilibrar muito bem como cada um pensa. Thane Kyrell e Ciena Ree são complexos e possuem traumas pessoais causados pela guerra, mas lidados de formas opostas. O livro nos entrega questionamentos, discussões e opiniões muito interessantes que deixam a trama cada vez mais emocionante. Mesmo que o leitor já saiba o que irá acontecer na guerra, e que nada que o livro contar irá alterar isso, o que importa nesta história são os dois personagens muito bem introduzidos e desenvolvidos da primeira página até a ultima. A sua evolução como adultos e como casal é nítida, o que faz o leitor se apegar a eles de tal forma que lhe traz questionamentos sobre em que lado da guerra ele participaria.

Estrelas Perdidas

A história é linda, intrigante e envolvente por ser algo familiar, mas trazendo um tom bem mais profundo. Amor, ódio, vingança, perdão. Tudo colocado de uma forma adulta no universo que amamos desde criança. Apesar de não ter batalhas violentas ou a sensação de morte dos soldados muito forte, como é de costume em romances de guerra, os ideais dos envolvidos são mais focados. Mostrando o porquê de todos os lados e nos tirando a ideia de vilania/heroísmo, não só do universo Star Wars, mas de qualquer história de guerra com que nos depararmos.

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caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras